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O ME quis ter 50% dos alunos nos Cursos Profissionais e “secou” as faculdades. Eis a sua (péssima) solução.

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No projecto que foi conhecido em Setembro, mas que ainda não foi aprovado em Conselho de Ministros, estipula-se que os estudantes do ensino profissional que pretendam prosseguir estudos no superior já não terão de fazer três exames, mas apenas um que funcionará só como prova de ingresso para o curso que escolherem. Deste modo não contará para o cálculo da classificação final do ensino secundário. Na fórmula de cálculo para o acesso a uma universidade ou politécnico a média final do secundário tem um peso de 50%. E a contribuição dos exames para esta média é relevante.

Este excerto foi retirado da notícia Exames inibem os alunos dos Cursos Profissionais de irem para o Ensino Superior publicado no jornal Público.

A ideia do Ministério da Educação é facilitar a vida aos alunos dos Cursos Profissionais para acederem ao Ensino Superior, já disse que sou frontalmente contra qualquer tipo de atalho para o Ensino Superior e se os alunos querem seguir essa via, então não deviam ter seguido um Curso Profissional.

Os Cursos Profissionais devem ser uma via acelerada para a entrada no mercado de trabalho. Há muitas profissões que não precisam de estudos superiores para serem desempenhadas e a escola pode perfeitamente preparar os alunos para estas, desde que lhes seja dada as devidas condições.

Esta nova abordagem que o Ensino Profissional não é o fim de um percurso escolar, até o desvaloriza, um Curso Profissional devia ser a garantia para uma empresa recrutar o aluno, ou o suficiente para o aluno fazer o seu próprio negócio.

Os Cursos Profissionais precisam de ser extremamente objetivos, vocacionados para o mercado de trabalho e com o maior contacto possível com a sociedade, prolongando o tempo de estágio se necessário. Aliás, vejo com muito bons olhos que o último ano fosse apenas de estágio, pois é na prática que se aprende e os professores sabem bem o que isso é, pois foi no estágio que se tornaram efetivamente professores e não numa sala de aula. Só que como temos Cursos Profissionais amarrados aos dinheiros da Europa, e como tal imutáveis na sua estrutura, temos de fazer o que os outros fazem, mesmo que a nossa realidade seja a nossa… Não deixa de ser irónico que o Ministério que defende a Flexibilização tenha a seu cargo cursos tão inflexivéis…

O Ministério da Educação tem um problema, dá muito jeito às finanças ter 50% dos alunos nos Cursos Profissionais, só que depois “rouba” uma série deles ao Ensino Superior, o que certamente chateia as faculdades pois ficam sem potenciais candidatos. E todos sabemos da força que as faculdades têm… Quem está de fora tem a legitimidade de pensar que este atalho tem água no bico, pois quem está no terreno sabe perfeitamente que os Cursos Profissionais não preparam os alunos para o Ensino Superior e nem têm que o fazer.

Compreendo que um aluno até possa mudar de ideias durante, ou no final do curso, e a escola até pode ajustar-se a esses alunos. Se assim for, proponho a criação um ano intermédio de preparação específica que ajude o aluno na sua preparação para o Ensino Superior, mas não tornem os cursos aquilo que não são, nem devem ser.

Entre os 1091 alunos inquiridos, “todos os que relatam não pretender prosseguir estudos de nível superior frequentam cursos profissionais”. A autora defende, por isso, uma mudança no sistema de acesso, de forma a levar mais estudantes do ensino profissional para as universidades e politécnicos.

(…)

A investigadora defende que as mudanças devem ir mais longe e estender-se também à própria organização do calendário lectivo no ensino profissional. Razão: na altura em que os estudantes dos cursos científico-humanísticos já estão a preparar-se para os exames nacionais, os colegas dos profissionais ainda estão em estágio ou a fazer a prova de aptidão profissional — último momento de formação, obrigatório para todos — o que os impede de preparar convenientemente os exames.

Já sobre a proposta apresentada neste estudo de que se realize uma campanha nacional de divulgação do ensino superior, o Ministério do Ensino Superior fez saber ao PÚBLICO que tem em curso a campanha “Estudar mais é preciso” no âmbito da qual será realizada, no próximo mês, a Futurália 2018, uma iniciativa de divulgação da oferta de cursos que pretende pôr os jovens que estão em vias de concluir o secundário a avaliar as suas opções de prosseguimento de estudos.

Fonte: Público

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3 COMENTÁRIOS

  1. Os alunos que foram para os profissionais nunca iriam para a faculdade. Se fossem seria um numero irrisório.
    Portanto dizer “…quis ter 50% dos alunos nos Cursos Profissionais e “secou” as faculdades.” é descabido e irreal.

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