Início Editorial Mário Nogueira Pondera Voltar A Dar Aulas | O Futuro Dos Sindicatos

Mário Nogueira Pondera Voltar A Dar Aulas | O Futuro Dos Sindicatos

1921
0
COMPARTILHE

O assunto não deve ser Mário Nogueira, líder emblemático da FENPROF, o assunto deve ser a renovação dos lideres sindicais e das suas estratégias. Há quem julgue que sou contra os sindicatos, nada mais de errado, os sindicatos são uma peça fundamental para a defesa dos trabalhadores, neste caso os professores. São eles que podem e devem esgrimir argumentos com os nossos patrões, de modo a estabelecer um equilíbrio essencial entre direitos e deveres, a chamada paz social…

Julgo que após estes últimos meses, que tão conturbados foram, há que refletir que sindicatos queremos, quantos sindicatos precisamos e apostar numa renovação de imagem e de mensagem. Por muito que os sindicatos não queiram constatar a realidade, são os próprios professores que deixaram de acreditar nos seus representantes. Isto é muito, mas mesmo muito preocupante!

Não, não sou candidato a nada, sou professor e serei sempre professor, mas como professor constato a distância que existe entre professores e sindicatos. Não é por acaso que os números apresentados aqui pelo Luís Braga mostram a fraquíssima adesão dos professores ao movimento sindical…

É verdade que apareceu o S.TO.P, mas os professores não precisavam de mais sindicatos, precisavam sim de uma renovação e agregação dos diferentes sindicatos. O S.TO.P surgiu com um novo discurso, com uma postura mais independente, com Estatutos que facilitam a renovação dos seus lideres, etc. Porém, falta algo que considero essencial num sindicato. As greves devem ser pagas pelos sindicatos. Mensalmente cada professor sindicalizado deveria ver convertida uma parcela da sua contribuição num fundo de greve, devidamente auditada e destinada exclusivamente para futuras greves. Se assim fosse, acreditem que ninguém tinha de inventar números de adesão para a comunicação social, ou publicar apenas as escolas com as taxas mais elevadas de grevistas. Seria seguramente um motivo muito forte para angariar mais professores. Fica a proposta…

Há muito que sinto que os sindicatos usam os professores, há muito que sinto que os sindicatos estão “reféns” de partidos políticos e agendas partidárias. Há muito que sinto que os sindicatos se julgam donos dos professores, mostrando uma certa indiferença ao esforço financeiro do professor quando convocam, greve após greve.

Mário Nogueira se sair, deixará seguramente um legado. Mas este legado não deve ser sinónimo de uma monarquia sindical, onde um protegido qualquer, defensor da mesma ideologia e linha de conduta siga as pegadas do seu antecessor. Mário Nogueira ao sair será uma boa notícia para a Educação e para os professores, não que tenha alguma coisa contra o senhor que nem o conheço pessoalmente, mas tudo tem o seu tempo e os sinais de que o seu tempo acabou, há muito que são conhecidos…

Alexandre Henriques

“Está na hora de passar a pasta. Continuarei a dar a cara até 2019 e depois terei de ver. Pondero não continuar nesta função, isto exige muito de nós e quero pensar bem o que vou fazer”, afirmou ao jornal regional ‘Campeão das Províncias’, acrescentando: “Não vou dizer que já tomei uma decisão definitiva de não ficar mas, se a decisão fosse agora, seria a de não ficar, não para ir para outro lado, apenas para voltar à minha escola e voltar a dar aulas. Manter-me-ei aqui até 2019 e depois logo veremos”.

Fonte: CM

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here