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Manuais Escolares: Alunos De Primeira E De Segunda

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Propõe-se o alargamento da medida de gratuitidade dos manuais a todos os alunos, independentemente de estudarem no Público ou no Privado!

Ora, para mim parece-me uma proposta com grande sentido de justiça pois todos os alunos têm os mesmo direitos.

Qual a legitimidade que o governo tem para, pelo facto de estudar no ensino privado, lhes retirar essa gratuitidade?

Será que os pais dos alunos do Ensino Privado não pagam impostos e por isso não têm direito?

Será que os alunos do Ensino Privado, não usufruindo do Ensino Público, e com isso poupando aos cofres do estado cerca de 3800€/ano, não têm direito à gratuitidade dos manuais?

Será que muitos dos pais dos alunos do Ensino Privado que fazem esforços financeiros para os ter em escolas privadas, porque muitas vezes a oferta pública fica aquém na qualidade e na quantidade, não têm direito aos manuais gratuitos?

É verdade que a maioria dos que estudam nos privados até podem ter maior capacidade financeira, mas também é verdade que muitos dos que o fazem no público também o têm.

Muitas vezes é apenas por opção, esta é a realidade!

Não se pode generalizar e dizer que se têm dinheiro que paguem os manuais!

Será que podemos aceitar que o governo considere as nossas crianças como de primeira e de segunda?

Alberto Veronesi

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10 COMENTÁRIOS

  1. Concordo inteiramente. Mas será que vai haver livros novos para todos, todos os anos? Se assim for é um desperdício que sai caro aos contribuintes. Os alunos devem deixar os manuais em condições para que possam ser utilizados pelos colegas nos anos seguintes.

  2. Totalmente em desacordo.
    Atendendo à compra de notas e trafulhice generalizada no ensino privado, esta medida só iria aumentar a injustiça.

  3. Caro Alberto,
    Perguntará o cidadão comum por que terá de ajudar a pagar os livros dos filhos de Assunção Cristas e de outros que tais!!! A escola pública tem de responder à diversidade com equidade, compensatoriamente, para aproximar estratos e classes sociais. Nos colégios, as distinções sociais estão esbatidos, o resto é conversa. Quem quer excelência, paga-a!!!. Se a fórmula de pagar tudo a todos os que frequentam o público já está errada (por não atender a necessidades efetivas, mas a ideologia), acrescentar o privado é, no mínimo, bizarro.

  4. Os pais do privado se estão tão preocupados com custos matriculem os seus rebentos no público.
    O privado é privado. Os impostos irão servir o ensino público e universal.

  5. Mas… afinal há ou não há dinheiro???
    Quando um país é rico não me choca a opção do ESTADO em subsidiar, também, o Ensino Privado.

    Mas quando me farto de ouvir: “não há dinheiro!” …”qual é a parte que não percebe -NÃO-HÁ-DINHEIRO… questiono-me:

    – se os portugueses costumavam passar na plataforma da contratação pública…
    – se os portugueses têm a noção de como são gastos fundos do portugal 2020 (nomeadamente na formação e qualificação dos recursos humanos) já aí está o portugal 2030…
    …dinheiro para entidades e entidades e entidades (público e privadas) fazerem EVANGELIZAÇÃO pelas escolas na promoção de antiguidades recauchutadas de há 20 e 30 anos (quando comecei a leccionar) que promovem acima de tudo algumas individualidades, que na minha opinião, têm ambições que nada tem a ver com a melhoria da educação e da aprendizagem…
    – se os portugueses têm noção dos gastos com estudos, pareceres e similares (provavelmente, em todas as áreas da governação) que acabam na gaveta e os milhõezitos nos bolsos de alguém…
    – se os portugueses se questionam sobre os erros e consequências da má gestão pelos meninos/amigos e clientes partidários…
    – se os portugueses têm noção dos relatórios do tribunal de contas e que não têm consequências nenhumas (a não ser dinheiro a sair dos nossos bolsos)….
    – se os portugueses têm noção do que custam as diversificadas (ajudas de custo, presença em reuniões, subsídios de alojamento, subsídios de deslocação, cartão de despesas, carros se necessário com motoristas,…) benesses atribuídas a corpos administrativos/ de gestão das empresas públicas, entidades públicas, instituições públicas, associações públicas… empresas públicas municipais, entidades públicas municipais, câmaras municipais…
    – se os portugueses se questionam acerca dos elevadíssimos custos de legislação mal feita (intencionalmente dúbia, obscura e contraditória)…
    – se os portugueses se questionam acerca da crescente pobreza de idosos e crianças e acerca do empobrecimento da classe média…
    – se os portugueses têm a noção dos estado de degradação da maioria das escolas, da falta de recursos humanos, materiais e tecnológicos… e financeiros que, bolas, nem para substituir cadeiras com 20 e mais anos (tortas, a descascar) para 1 (uma das muitas) sala de aula… quanto mais estores nas janelas ou aquecimento nas salas de aula (afinal não estamos na Finlândia)…
    – se os portugueses se questionam sobre o elevado nº de miúdos pobres, maltratados e sem recursos familiares que lhes permitam ser melhores…
    – se os portugueses têm noção que a inclusão nas escolas mais não é do que passar miúdos que um dia a sociedade excluirá…
    – se os portugueses se questionam que muitos deles apenas dependem dos serviços públicos de saúde que têm sido continuamente depauperados em recursos humanos, técnicos e financeiros e esperam anos por uma consulta de urologia e meses por uma cirurgia urgente…
    – se os portugueses se questionam: e se fossem os meus filhos os pobres e quando na farmácia tenho que escolher entre os vários medicamentos que o médico receitou…
    – se ouviram uma peça jornalística (há uns poucos anos) que terá passado, certamente por engano, uma única vez e que se referia à possibilidade de Portugal ter um nível de riqueza similar à Bélgica (creio que era a Bélgica) não fosse a corrupção…
    – se não se indignam quando um deputado falta e não precisa de apresentar justificação e documentos comprovativos como se fosse cidadão mais honesto que todos os outros portugueses que, ao que parece pela diferença de tratamento, serão à partida e por comparação gente de má fé, mentirosos e salafrários…
    – se os portugueses não se indignam que os gestores (sejam eles públicos ou privados) ganhem até 100 (cem) vezes mais que os seus trabalhadores…

    – E, já não estou a falar dos biliões para a banca independentemente da sustentabilidade, da produtividade, do défice, da dívida pública, do cumprimento dos critérios de convergência…
    – E, já não estou a falar dos contratos blindados que servem a contraparte e esvaziam os cofres públicos… e não há responsáveis…
    – E, já não estou a falar das parcerias publico-privadas que sugam recursos estatais ….
    E, já não estou a falar dos desvios dos dinheiros da segurança social e ADSE para outros pagamentos…
    -E, já não estou a falar dos milhões em perdões fiscais… mas o pobre desgraçado perde a casa e vai para a rua, se for o caso, com a “filharada” atrás…
    – E, já não estou a falar dos milhões em offshores em que ninguém vai atrás…
    – E, já não estou a falar dos swaps que tiveram custos de milhões e milhões em empresas públicas…
    – E, já não estou a falar das opções/contornos na contratação de empresas para grandes obras públicas…
    – E, já não estou a falar das derrapagens nas obras públicas durante anos e anos e anos cuja única consequência foi mais dinheiro a sair dos nossos bolsos…
    – E, já não estou a falar do sistema de reforma dos bancários ter passado para a esfera das reformas públicas…
    – E, já não estou a falar dos endividamentos das câmaras municipais por esse país fora (ainda querem mais municipalização e não lhes chegando lá vem a tecla da regionalização)…
    – E, já não estou a falar das privatizações de infraestruturas, bens públicos e sectores estratégicos quer dessem lucro quer não dessem (quando não davam continuávamos a pagar…)…
    – E, já não estou a falar da utilização abusiva da protecção de dados para obstar o acesso à informação sobre gastos públicos… quando criam comissões de “transparência” no parlamento em muitos dos que a constitui maioritariamente trabalha no parlamento e em escritórios de advogados e…eh…eh…eh… ps e psd consideram que tal não constitui obstáculo…

    Quando ouço: “não há dinheiro!” …”qual é a parte que não percebe -NÃO-HÁ-DINHEIRO… apetece-me mandá-los ao tal sítio!
    Não há???? como???? Importam-se de repetir???? Haver, há! – mas para muitas “negociatas” à custa dos portugueses !!!

    E, se não há dinheiro o Estado financia a escola pública e os alunos da escola pública, sendo que a partir do 10.º ano, mesmo na escola pública, a gratuitidade dos manuais apenas deveria ser para as famílias que comprovadamente não têm possibilidades…

    (Já agora quando falo em ensino privado estou a falar de escolas que efectivamente são boas na formação académica dos seus alunos (desejo maior de qualquer pai/mãe que perspectiva um bom futuro para o seu filho)… e nestas a maioria dos alunos da escola pública não têm lugar!)

  6. Neste ponto tenho uma divergência de fundo, mas salutar com o Alberto. O Ensino privado, tirando casos pontuais, existe para ganhar dinheiro. Quando vou a uma clínica privada sei que vou pagar tudo ou quase tudo. Se a escolha dos pais é pela via privada, já sabem para o que vão. O privado permite uma seleção de alunos, o que pode ajudar e muito o funcionamento de uma escola. A vida é feita de escolhas, a escolha que seja feita.

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