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Livro da semana – Arquipélago

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Ficha Técnica

 Título: Arquipélago

Autor: Joel Neto

Edição/reimpressão: 2015

Páginas: 460

Editor: Marcador

ISBN: 9789897541698

Colecção: Marcador Literatura Adquirir Aqui

 

Sinopse

Açores, 1980. Uma criança desaparecida. Um homem que não sente os terramotos.

Quando um grande terramoto faz estremecer a ilha Terceira, o pequeno José Artur Drumonde dá-se conta de que não consegue sentir a terra tremer debaixo dos pés. Inexplicável, esse mistério há-de acompanhá-lo durante toda a vida. Mas, entretanto, é hora de participar na reconstrução da ilha, tarefa a que os passos e os ensinamentos do avô trazem sentido de missão.

Já professor universitário, carregando a bagagem de um casamento desfeito e uma carreira em risco, José Artur volta aos Açores. Durante as obras de remodelação da casa do avô, é descoberto um cadáver que o levará em busca dos segredos da família, da história oculta do arquipélago e de uma seita ritualista com ecos do mito da Atlântida. Mas é nos ódios que separam dois clãs rivais que o professor tentará descobrir tudo o que os anos, a insularidade e os destroços do grande terramoto haviam soterrado…

Usando a mestria narrativa e o apuro literário dos clássicos, bem como um dom especial para trazer à vida os lugares, as gentes e a História dos Açores, Joel Neto apresenta o romance Arquipélago, em que a ilha é também protagonista.

Opinião

(por Roberta Frontini)

Como é que uma pessoa que não sabe escrever e que tem dificuldades em exprimir o que sente poderá, alguma vez, falar sobre este livro?

A tentativa será feita porque a minha vontade de o dar a conhecer ao mundo é gigante, mas sei que o resultado final será coxo.

A trama passa-se em território nacional e predominantemente nos Açores. Não conheço os Açores, mas posso dizer que já lá estive, guiada por Joel Neto. De que outra forma se sente um leitor depois de ler esta obra, senão como alguém que já conhece aquelas ilhas de uma ponta à outra? Estou a ser injusta, as ilhas têm muito para oferecer, mas sem dúvida que o Arquipélago entrou para a minha lista de locais a visitar, e de certo que quando lá for irei sentir que estou a voltar a um sítio que já conheço. Adorei a forma como o autor enaltece o lugar, a fauna, a flora e a gastronomia que ele descreve e que quase nos consegue fazer sentir o paladar. Depois temos as vistas, o mar, as paisagens.. e a maneira como descreve a ilha faz-me lembrar o local onde eu nasci, também ilha e também habitado por um vulcão que volta e meia decide fazer-se sentir. E claro, o autor para nos fazer sentir mesmo no local, acaba por nos apresentar rituais, costumes, mas também expressões tão típicas que, para quem tem amigos/conhecidos açorianos como eu, consegue ouvir as personagens a falar com o típico sotaque.
E que dizer das personagens? Personagens que não são apenas criadas pela mente do escritor, mas que por vezes são inspiradas em pessoas reais e moldadas pelo autor. Personagens que se vão encontrando e desencontrando e cuja vidas, por vezes, se entrelaçam… algumas das quais encerram um verdadeiro mistério.. outras que nos vão dar muito a conhecer. E já que falei em mistério, esse foi precisamente o ponto forte do livro para mim. Mistério ou será que deveria falar em mistérios? É que, na verdade, Joel Neto não nos apresenta apenas o mistério do desaparecimento de uma criança, mas cria muitos outros, e é precisamente isso que não nos permite largar o livro.
Esta obra não é um simples livro de mistério, não é um simples romance. É quase uma saga familiar que nos faz acompanhar uma personagem principal desde a infância até à vida adulta, e que no epílogo nos conta ainda mais sobre ela. E assim, no final, temos a sensação que vamos fechar um livro e perder um amigo que tanta companhia nos fez e da qual sabemos quase tudo.
A escrita é intocável. Soberba! Vale todos os elogios que lhe têm sido tecidos ao longo destes tempos. Joel Neto e a sua escrita é bom que tenham vindo para ficar! E é por tudo isto que julgo poder afirmar que esta é uma das melhores obras escritas em língua portuguesa nos últimos anos, e Joel Neto um dos maiores e melhores romancistas lusófonos.
Opinião mais completa aqui – http://flamesmr.blogspot.pt/2016/02/livro-arquipelago-joel-neto.html

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