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“Keep Calm, o TPC é dele e não teu!”

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O famigerado trabalho de casa (TPC) – odiado por muitos, amado por poucos, como é norma na área da educação, comentados por todos. Algumas notas de saudável convivência e/ou sobrevivência ao TPC para proponentes, destinatários, opositores, defensores e comentadores:keepcalm

  • Ao professor: um aluno, dotado de ritmo de trabalho, não deve precisar de mais de 15 minutos diários, no 1º ciclo, 30 minutos, nos restantes ciclos, na realização da totalidade dos TPC; o TPC deve contemplar sempre, e apenas, conteúdos lecionados e trabalhados em sala de aula e estar adequado às capacidades e faixa etária dos alunos, para que o aluno não necessite da ajuda de terceiros na realização do mesmo. Por último, mas talvez o mais importante, TODOS os TPC devem ser corrigidos em sala de aula, é um ótimo regulador, e obriga a ponderar o tempo “investido” na correção do TPC face à extensão dos programas e dos conteúdos que estão ainda por lecionar. Ser justo e humano na avaliação do TPC, valorizando não só quem fez tudo e bem (muitas vezes com a ajuda de terceiros) mas, dando especial atenção a quem, notoriamente, tentou mas não conseguiu, na íntegra ou parcialmente, mas expõe as suas dúvidas.

 

  • Ao aluno: o TPC é um momento de trabalho autónomo, de sistematização dos conteúdos lecionado, de deteção e reflexão sobre as dificuldades sentidas. Ouvir ou ver alguém fazer, não significa SABER FAZER ou ter apreendido, é necessário “colocar as mãos na massa”, para perceber que afinal nem tudo é tão fácil quanto parece, o erro é o primeiro passo para a aprendizagem, a persistência, o envolvimento e o trabalho são o caminho para evitar erros futuros. As aulas contemplam tempo para o trabalho autónomo que, infeliz e frequentemente, não é aproveitado por muitos alunos, perdendo-se em conversas com o colega do lado e afins, facto para o qual contribui, em grande escala, os 30 alunos por turma; o TPC pode ser um indicador/alerta para o aluno. Realizar o TPC com uma letra certinha e tudo correto para fazer um brilharete, não deve ser o objetivo primordial pois qualquer professor atento e conhecedor dos seus alunos percebe a disparidade de desempenhos (trabalho desenvolvido na aula e na realização do TPC) e, rapidamente, conclui que este não foi feito por si (mas por explicadores, pais, irmãos, colegas, etc.) e, com duas ou três perguntas, a máscara cai e surgem as desculpas: “Pois também não sei porque fiz assim. Não percebi como é que o meu explicador/pai/amigo fez isto” ou o típico “Sem ver pelo caderno, não consigo explicar!”. Saber gerir o tempo, conhecer os seus deveres e assumir as suas responsabilidades é essencial, incluindo na realização dos TPC.

 

  • Aos pais: nos 1º e 2º anos de escolaridade, é necessário um maior apoio e acompanhamento, uma vez que a adaptação ao ritmo e ao estilo de trabalho é “exigente”, moroso e nem sempre fácil, mas é importante trabalhar o “traço” e a motricidade fina. Passada essa fase “inicial”, urge estimular a autonomia e a responsabilização do aluno. Regra geral, o TPC é para o aluno não para os pais como tal, estes só devem intervir/corrigir a pedido do aluno, nunca resolvendo ou facultando a resposta, mas sim incentivando à consulta do livro, do caderno diário, apelando à utilização da sua memória (a matéria foi dada na aula, alguma coisa deve ter retido?!), para que o próprio procure esclarecer a sua dúvida! Se é o processo mais fácil e rápido? Obviamente que não, mas é o que estimula a que numa próxima vez/dúvida, o aluno percorra, por si, primeiramente, estes passos, antes de recorrer à ajuda de terceiros. O aluno deve controlar e gerir o tempo que escolhe para a realização do TPC, não esquecendo que este é um dever e uma responsabilidade sua. Os pais podem verificar se o TPC foi feito, dando sempre o voto de confiança ao aluno quando este diz que já fez e não teve dúvidas, até prova em contrário. Não é dever/responsabilidade dos pais fazer ou corrigir TPC, tal como não o é, estudar com o aluno. Relativamente ao TPC, a função principal dos pais deve ser fomentar e valorizar, no aluno, o trabalho autónomo, responsabilizando-o e decidindo qual a consequência/penalização pelo incumprimento de um dever seu, procurando que tal ato não se repita. O “tamanho” de um TPC não se mede em nº de fichas ou de exercícios, por vezes, o tempo de realização de 10 fichas pode ser menor que o tempo necessário para a resolução de um único exercício, tudo depende do teor das questões. Há alunos que gostam e tem uma predisposição imediata para realizar os TPC, escolhendo resolvê-los assim que chegam a casa, há aqueles que adiam o inevitável, que se levantam vezes sem fim, demoram, por sua opção, 1 hora a resolver algo que se faz em 5 minutos, criando um stress iminente e gritante, marcado pelos ponteiros do relógio, a quem assiste à “cena”: autonomia, responsabilização, consequências face ao incumprimento e “Keep Calm, o TPC é dele e não teu!”. Em períodos de férias, de 15 dias, contabilizando 12 horas de sono reparador por dia, restam 180 horas de lazer das quais parece aceitável investir 4 a 5 horas na realização do TPC/estudo.

Com conta, peso e medida e, o sempre essencial, bom senso, provavelmente, o TPC seria benéfico e bem aceite por todos. O difícil é a ponderação, que cada uma das partes envolvidas (professores, alunos e pais) atribuem a cada um destes fatores e a forma como valorizam e gerem os mesmos.

No 2º e 3º ciclo e no secundário, dado o número de disciplina, seria mais benéfico e produtivo estimular o trabalho autónomo, não através do TPC, mas na forma de tarefas complementares ao estudo a realizar num prazo mais alargado (uma semana, até ao testes, etc.).

Se o TPC é benéfico? É uma questão que levanta muita celeuma e onde, ultimamente, se tem dado muita enfâse à perturbação que causa na dinâmica familiar; talvez esta perturbação seja um acumular de fatores e vivências familiares, onde o TPC é só um (o) bode expiatório. Formar jovens capazes, seguros e autónomos é um objetivo comum mas, muitas vezes, esquece-se ou escolhe-se ignorar, que as aprendizagens significativas e coesas são obtidas através de um trabalho autónomo regular, crucial para o sucesso e auto estima de qualquer aluno.

Pi

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