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Inquérito | A Escola, a Família e os Trabalhos de Casa (2ª parte) – Ciclos de Ensino

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Na sequência do inquérito iniciado na semana passada pelo ComRegras sobre os trabalhos de casa e que já conta com mais de 2800 respostas, recebi vários emails e comentários a solicitar uma abordagem mais alargada sobre este assunto. Tenho consciência que não existe o inquérito perfeito e que cada um de vós o faria de maneira diferente. Aceito que faltou abordar uma série de questões, nomeadamente a separação por ciclos.

Por estes motivos, decidi fazer um segundo inquérito, que julgo e espero ir ao encontro do que me foi solicitado.

Agradecia o seu preenchimento e partilhas s.f.f.

Se ainda não respondeu à primeira parte por favor faça-o aqui.

6 COMENTÁRIOS

  1. Obrigada pela revisão do inquérito. Como referido no enunciado, infelizmente nunca será o ideal e cada um de nós faria de forma diferente, mas é gratificante verificar que as opiniões aqui deixadas foram consideradas e que houve, pelo menos, a tentativa de melhorar.
    Bem haja!

  2. O trabalho de casa, não deve ser visto ou compreendido como excesso de trabalho ou um “castigo”, mas sim, um reforço para consolidar melhor aquilo que é dado diariamente nas aulas.

  3. O trabalho de casa deve ser considerado como trabalho efetivamente realizado pelo aluno.
    Sabemos que numa turma (2 e 3º ciclos e secundário) existem 2 ou 3 alunos que os realizam e os restantes copiam-nos no intervalo. Assim como é que se pode avaliar a tarefa e que justiça haverá na avaliação da mesma?
    Enquanto docente (Geografia) costumo mandar para casa o estudo do assunto/assuntos tratados na aula, por exemplo páginas 20 e 21 do manual e na aula seguinte faço questões sobre o estudo realizado e avalio o trabalho realizado por 5 ou seis alunos. No final do período fico com uma ideia de todos os alunos da turma, aqueles que realmente fazem os TPC, os que fazem de quando em vez e os que não fazem.

  4. Boa tarde. Não respondi à 1ª parte do questionário, mas nesta 2ª parte deixei a minha impressão como encarregada de educação de 3 filhos (idades próximas): parece que quanto mais novos (1º ciclo) mais trabalhos de casa trazem, sendo que dependem mais de ajuda e mais directa dos encarregados de educação!
    Esta constatação, enviesa logo à partida o que, na minha opinião se pretende nos primeiros anos: ter crianças saudáveis e equilibradas fisíca e psicologicamente, com gosto pela escola e por aprender – este último aspecto e a curiosidade natural das crianças, são condições inatas a desenvolver.
    No entanto, verificamos que, muitas vezes por causa dos TPC, depois de chegar tarde (por vezes mais que 10h fora de casa ex. das 8h às 18h) depois das AECs, das actividades, do transito, dos pais cansados, das rotinas das compras, dos banhos, jantares, etc sobram cerca de 2h de actividade de vida familiar, se queremos que se deitem de forma a satisfazerem as suas necessidades de sono (cerca das 21h-22h)!!! corrijo: sobram cerca de 2 horas de tortura, em que as mães (habitualmente) interessadas e não negligentes, ao mesmo tempo que continuam a trabalhar nas actividades domésticas, pressionam as CRIANÇAS que por serem crianças, tem, como se sabe, a sua capacidade de atenção, concentração e resistência, naquela hora quase a zeros!!! E brincar? e não fazer nada? e estarem relaxados em bom ambiente? e dormirem para no outro dia estarem com o pico das competências disponíveis para realmente aprender na escola?
    O que sinto neste ciclo é que, com os TPC, aprendem é a ter “repulsa” pela escola, pelos TPC em si mesmos e por aprender!!! o que os marcará certamente nos ciclos seguintes!!! mais? aprendem a ter ansiedades, mau ambiente e conflitos familiares com gritos das mães mais responsáveis e exigentes, a serem indisciplinados, “hiperactivos”, ou sem atenção (“défice de atenção”) nas aulas, baixa auto estima enquanto alunos e enquanto pessoas /crianças, só porque afinal..não podem ser crianças… Considero sinceramente, que esta fase da vida lhes é roubada / penhorada com o pressuposto, errado, que assim ficam melhor preparados e habituados, desde cedo, para o futuro…se assim fosse, como se justifica tanto abandono, insucesso, indisciplina, desinteresse escolar..
    De entre factores, também complexos que já foram referidos (ex: programas extenso e em desuso, turmas grandes, falta de apoio escolar suplementar nas 1as dificuldades, professores sem vocação…etc), penso que os TPC, nos primeiros anos, são mesmo significativamente importantes mas no sentido negativo!!!
    Claro que existem variantes do melhor – ex famílias muito estruturadas, com recursos, conhecimentos, poucos filhos, ao pior – familias desestruturaras, ou sem tempo por questões laborais, ou sem conhecimentos para apoiar / monitorizar, etc…que como alguém já referiu, vai acentuar e perpetuar as diferenças socio económicas já existentes!!!
    À medida que se avança na idade e nos cilos de ensino, curiosamente os TPC, parecem diminuir progressivamente, deixando mais autonomia aos alunos. No secundário, registei que nunca monitorizei os TPC ou estudos dos meus filhos, como fiz até ao 9º ano..porque com muito esforço os tentava apoiar, porque felizmente tenho estudos… mas quantos jovens ficaram pelo caminho???
    Não sendo docente, sugiro por ex, no 1º ciclo, entrevistas à família (que podem desenvolver a memorização, a expressão oral, o interesse cultural…) que podem ser feitas no pouco tempo que se tem à mesa no jantar, sobre árvore genealógica, raízes culturais,como se vivia antigamente, profissões, opiniões sobre variados temas…enfim, valorizando a noção de laços afectivos, regras de saber estar (na mesa, na troca de opiniões e informações..na escola, no mundo…) valorizando a noção de “família”, a família a que se pertence, a diversidade logo a inclusão, e não o oposto!!!
    Não me vou alongar muito mais nos outros anos de escolaridade mas penso que o 1º ciclo seria preventivo, e promotor do querer evoluir per si nos ciclos seguintes…
    Sendo inicialmente muito criticada por vários EE (acho também que cada um sabe de si e nunca ninguém proibiu ninguém de “estimular” / “sobrecarregar” / acompanhar mais o seu filho…), ficarei eternamente grata à professora do 1º ciclo do meu filho mais velho, que quase não enviava trabalhos para casa, e que por isso o deixava ser mais feliz, numa fase da minha vida em que para além do emprego, tinha mais dois filhos pequenos. Nos fins de semana podemos disfrutar de almoços com os avós e com os tios e primos e passeios “culturais” pela natureza ou lugares de interesse que, caso contrario, nos remeteria ao exílio da casa, dos TPC e do stress nada reparador para a semana tão intensa para todos!!!
    Com os filhos seguintes já não foi assim… Muitos trabalhos em pequenos, muito stress familiar..!!!
    Ah!!! Posso referir que, ao longo da vida, nunca senti que esse meu filho tivesse sido prejudicado! Hoje é excelente aluno Universitário, sempre com gosto por aprender, autónomo, responsável.. estou orgulhosa dele mas sinto que,pelo menos para mim / para nós enquanto família, poderia não ter sido assim se a “tortura” posterior dos TPC dos dois mais novos, tivesse começado mais cedo!!!
    Tivemos “sorte”???
    Obrigada Professora pela diferença, pelo respeito pelas suas verdadeiramente CRIANÇAS e famílias (contextos, sem os quais elas não existem…). Apesar da sua enorme competência em sala, ter crianças felizes e equilibradas física e psicologicamente também ajudou para os resultados que alcançou com todos os seus alunos, com notas superiores à média, nos exames do 4º ano, não acha???
    É apenas a minha visão / experiência / desabafo sobre um assunto que continuo a assistir, muito polémico…
    Respeito todas as outras visões…
    Cumprimentos a todos!!!

  5. Enquanto os programas se mantiverem extensos e profundamente desajustados do nível etário dos alunos, infelizmente, será sempre necessário haver trabalhos de casa, pois as aulas não chegam para sistematizar as matérias. .
    No dia em que os programas se ajustarem à maturidade dos alunos e em que os conteúdos forem reduzidos para metade, aí a escola pode ensinar, sistematizar, tirar dúvidas, e acompanhar os alunos como deve.
    Por exemplo, no 1º ano de escolaridade, se os alunos não trabalharem em casa, não haverá o sucesso desejado, pois o professor não tem tempo de ouvir ler todos os dias, como é necessário neste ano, todos os 20 ou 26 alunos da turma. Mas é necessário ouvi-los ler e vê-los escrever diariamente para se aperceber das necessidades dos alunos e assim poder ajudá-los.

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