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Inquérito – Concurso de Professores – A Nossa Opinião Também Conta! – Ecos na Imprensa

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logo ComRegras_DeArlindoAs notícias publicadas hoje na imprensa nacional, no âmbito da Educação, dão-nos conta essencialmente dos resultados divulgados sobre o inquérito promovido em parceria pelo Alexandre Henriques, do blog ComRegras e pelo Arlindo Ferreira, do Blog DeAr Lindo e que teve como destinatários os docentes portugueses que responderam a algumas questões pertinentes sobre o concurso de professores e deixaram claros alguns princípios que não devem ser ignorados nem pela tutela, nem pelos sindicatos, quando se iniciarem as conversações sobre concurso docente, já num futuro próximo.

De facto, as grandes conclusões que se retiram deste inquérito realizado entre 11 e 23 de Setembro e que foi respondido por 5 135 professores, sob o lema “A nossa opinião também conta”, foram muito claras e não oferecem margem para hesitações ou dúvidas:

Os professores portugueses, independentemente da sua graduação e situação profissionais, querem ser seleccionados com os mesmos critérios definidos e iguais para todos a nível nacional, querem que o concurso seja organizado e centralizado pelo Ministério da Educação, que seja anual, excepção feita aos professores de QZP que preferem um concurso realizado de dois em dois anos, não admitem que a avaliação de desempenho docente interfira na graduação profissional de cada um, pretendem o fim da norma-travão, rejeitam as reconduções dos professores contratados, querem poder mudar as suas preferências em momentos específicos do concurso nacional e, por último, divergem quanto às preferências existentes no concurso.

E são estas as conclusões que foram incorporadas nas várias notícias de hoje e que vos darei conta.

E destaco, no Público, o artigo de Clara Viana que escolhe para título do seu artigo os “Professores não querem que avaliação conte para efeitos de selecção” e relaciona este facto com as afirmações feitas ontem mesmo por David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação que afirmou que a fórmula – classificação final de curso acrescida do tempo de serviço – não é por si só garante de “qualidade” dos professores colocados. E relembra que, “com a ex- ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, os professores que obtinham Excelente ou Muito Bom na sua avaliação de desempenho tinham um bónus de dois e um valor, respectivamente, mas a partir de 2012 esta prerrogativa deixou de se aplicar aos docentes do quadro, conforme reivindicado pelos sindicatos.”

Ora esta reivindicação e conquista dos sindicatos corresponde a um sentir e a um desejo dos professores portugueses que agora está bem patente nos 78,9% dos professores dos quadros que se pronunciaram neste sentido e nos 68,2% dos professores contratados que também não quer que a sua avaliação conte para efeitos de graduação profissional. É caso para dizer que gato escaldado da água fria tem medo e nós, professores, já assistimos a tudo durante os anos em que a ADD esteve em vigor e à solta nas escolas deste país, ainda para mais com as carreiras congeladas, facto igualmente focado por Clara Viana que contextualiza o que está em vigor, hoje, e que é uma avaliação com aulas assistidas “apenas obrigatória para os docentes do 2º e 4º escalões numa carreira que tem 10 patamares”, sendo que o último, digo eu, faz parte de uma realidade puramente virtual e foi engendrado para calar protestos, assim tipo rebuçadinho acenado a crianças e que vai fugindo e fugindo, nunca sendo, por isso, alcançado, o rebuçado!, pelos profissionais no sector.

Clara Viana destaca ainda “que os professores devem ser seleccionados com base em critérios definidos a nível nacional e com base em concursos geridos pelo Ministério da Educação, como sucede actualmente.” E dá a palavra a Arlindo Ferreira e a Alexandre Henriques que elegem este dado como o “mais relevante do inquérito”.

Alexandre Henriques conclui ainda que temos “um corpo docente desconfiado e muito cansado de anos de injustas ultrapassagens” e que “está na hora de colocar o concurso de professores como um mero procedimento e não um momento de convulsão educativo, utilizado muitas vezes como um barómetro político. Ouça-se os professores, respeite-se as suas opiniões e dêem-lhes a estabilidade de que precisam.”

Por último, Clara Viana faz referência ao desejo dos professores de verem colocado um ponto final na norma-travão “que visou responder a um ultimato da Comissão Europeia com vista a impedir a utilização abusiva de contratos a prazo, estipula a entrada nos quadros dos docentes que tenham pelo menos cinco contratos sucessivos, anuais, completos no mesmo grupo de recrutamento” e que é geradora de injustiças e distorções graves entre professores com mais ou menos tempo de serviço por abrirem a possibilidade de professores com menos tempo de serviço passarem à frente de outros com muito mais tempo e isto apenas devido aos factores, completamente arbitrários, da sorte ou do azar.

No Expresso, Marcos Borga opta pelo destaque “Maioria dos professores não quer que sejam as escolas a escolhê-los“. E, de facto, os professores portugueses não querem ser escolhidos pelas escolas. Porque ainda não estão esquecidos das listagens de requisitos mais ou menos estapafúrdios exigidos pelas escolas portuguesas na Bolsa de Contratação de Escolas, somente extinta este ano, e ainda não estão esquecidos da confusão que foi andar de escola em escola em entrevistas mais ou menos decentes, mais ou menos loucas, ao sabor das vontades de terceiros, nesta escola diferente do que era pedido na escola vizinha e assim sucessivamente somando  instabilidade, desgaste e stress onde eles não precisavam de ser somados.

Marcos Borga destaca ainda a vontade que os professores manifestaram em que “a sua avaliação de desempenho não tenha reflexos na sua graduação profissional” e destaca o facto dos professores portugueses não concordarem com a recondução dos professores contratados sem que tenham de se submeter a novo concurso. Por último, aborda igualmente as afirmações de David Justino, já focadas anteriormente.

A Agência Lusa destaca igualmente que 95% dos professores quer concurso gerido pelo ministério da Educação – Inquérito

E dá a palavra sobre este particular assunto, os resultados deste inquérito, a Arlindo Ferreira e que vocês podem ler na sua totalidade clicando sobre o link.

Ecos ainda no País ao Minutono Observador e no blogue Atenta Inquietude do José Morgado.

Uma primeira nota remete para o facto cerca de 95% dos docentes que responderam ao inquérito defendem que os concursos devem ser nacionais, com critérios e gestão da responsabilidade do ME.

É um resultado que me parece curioso. Desculpar-me-ão mas creio que tal como ME desde há décadas os professores não confiam nas escolas. Provavelmente por situações que todos conhecemos, sim, eu também conheço, ultrapassagens incompreensíveis, enviesamento de critérios, favorecimento, etc., etc. em recrutamento sediados na escola minaram definitivamente a confiança da maioria dos professores nas direcções escolares.

Percebe-se mas é um mau sintoma. Este entendimento não colide com ideia de que a nível nacional se torna mais “simples” estabelecer critérios e ordenar listas. Fica-me uma questão, será o recrutamento de docentes uma linha vermelha da autonomia das escola?

Finalmente, no DN, Pedro Sousa Tavares, sobre prescrição de fármacos a crianças e adolescentes portugueses, assunto a acompanhar com toda a atenção até pelas consequências na vida escolar dos nossos alunos e pelas acusações aí proferidas relativamente à classe docente, escreve que os Especialistas confirmam pressão para medicar alunos.

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1 COMENTÁRIO

  1. “Maioria dos professores não quer que sejam as escolas a escolhê-los”… porque será? Eu, com já muitos anos de serviço, ainda recordo as colocações nas direções escolares. Contava a classificação mas havia sempre alguns parâmetros que ninguém entendia. Ex: Escolas onde as colegas do sexo feminino não eram colocadas. Mas agora, se fossem escolhidos pelos supra sumos senhores/ senhoras diretoras dos agrupamentos, iam funcionar algumas normas que ninguém entende. Eu cito uma que foi usada num concurso para um lugar especifico nun agrupamento “ter exercido funções no agrupamento …” e para quem foi o lugar? Para um menino cujo papá tinha feito favores ao senhor diretor.

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