Início Editorial ILC Cai Mas Apenas Com Votos Contra Do PS

ILC Cai Mas Apenas Com Votos Contra Do PS

2941
24

Chegou hoje ao fim a vida da ILC, mas atrevo-me a dizer que a ILC ficará para sempre gravada na memória de todos os que acreditaram que era possível fazer mais do que desabafar na sala de professores. Confesso que fiquei surpreendido por apenas o PS ter votado contra, pois os restantes partidos apresentaram projetos próprios para a recuperação integral do tempo de serviço congelado.

Uma palavra para o Bloco de Esquerda e PAN, que votaram a favor da ILC, mostrando coerência com o que disseram ao longo destes meses.

Votos: contra do PS, abstenção do PSD, CDS, PCP e Verdes e votos a favor do BE e do PAN

Em modo de balanço permitam-me a seguinte reflexão…

  • Sempre tive a consciência que a ILC a passar seria um verdadeiro milagre democrático. A nossa jovem democracia ainda não amadureceu o suficiente para que a Assembleia da República veja com bons olhos iniciativas de cidadãos. A tendência para catalogar estes movimentos politicamente, mina logo à partida qualquer iniciativa que até tem uma visão equidistante a nível político. Além disso, a necessidade de ter 20 mil assinaturas, prova que a Assembleia da República não quer muitas destas iniciativas. Os problemas da plataforma mostraram também que a casa da democracia precisa de estar mais aberta e preparada para a voz do povo.
  • Lamento a dificuldade que foi conquistar as 20 mil assinaturas. Num universo de 100 mil professores e sendo este um tema transversal à maioria dos docentes, o tempo e a resistência em conseguir as assinaturas foi uma surpresa desagradável.
  • Esta dificuldade foi maior, em grande parte, pela aversão dos sindicatos (exceto o S.TO.P que sempre apoiou esta causa) em unir-se aos professores, curiosamente aqueles que representam. Muito foi dito e muito foi feito para prejudicar a ILC, algo que deveria envergonhar uma classe de sindicatos que revelou pouca tolerância para ações externas ao seu domínio. Confundiram claramente a intenção de um grupo de professores independentes, por esquemas e jogadas partidárias ou de roubo de protagonismo. Podiam ter dito que respeitavam a iniciativa e seguiam o seu caminho, infelizmente não foi assim… A ILC teve um adversário inesperado com meios que os professores organizadores nunca tiveram.
  • A aposta de tudo ou nada e de uma só vez para a recuperação dos 9-4-2 não foi por acaso. Quando se parte para uma negociação, partimos com o objetivo máximo, mas cientes que a ILC seria sempre uma porta a outras propostas ou até a uma alteração no prazo da recuperação, embora que inferior ao que está a ser apresentado. Apresentar um número de anos para a recuperação do tempo de serviço seria contraproducente, até porque sabíamos que essa era uma matéria da competência dos sindicatos e nunca foi nosso intuito calcar os pés de ninguém.
  • A ILC morreu, mas caiu de pé! Apesar das dificuldades, ficará para sempre a memória de que é possível praticar a democracia.
  • Por fim, uma palavra de agradecimento a todos os meus colegas que tanto lutaram pela ILC, quer dentro da comissão, quer por esse país fora, provando que é possível unir a comunidade educativa.

Alexandre Henriques

(este artigo é uma opinião pessoal e não vincula qualquer membro da comissão da ILC)


Primeiro diploma para contagem integral do tempo dos professores foi chumbado

(Público)

COMPARTILHE

24 COMENTÁRIOS

  1. Tenho muito orgulho de ter subscrito a ILC e lamento que os meus colegas não vissem esta iniciativa como uma janela para a resolução do NOSSO Problema.
    A todos que, apesar do triste desfecho, tornaram possível sonhar o meu MUITO OBRIGADO!

  2. Subscrevo tudo o que dizes.
    A ILC sempre esteve aberta a alterações e a Comissão Representativa frisou bastas vezes que aceitaria que houvesse faseamento na reposição do tempo, embora não aceitasse jamais ultrapassagens na posição na Carreira.
    Consciências tranquilas. Cidadania ativa, sem prejudicar ninguém, sem mentiras nem falsas promessas. DEVER CUMPRIDO, de todos nós.

    • “e a Comissão Representativa frisou bastas vezes que aceitaria que houvesse faseamento na reposição do tempo…”

      Porque não sabia desta intenção, gostaria de saber onde encontrar explicitada esta aceitação pelo “faseamento” defendida pela Comissão Representativa.

        • Ouvi mas não fiquei esclarecida.
          Aos 6’25 m parei quando o colega Luis se referia ao facto de a maior parte da classe docente ser constituída por mulheres e a partir daí fiquei mesmo confusa.
          Mas vou tentar ouvir outra vez.
          Obrigada, Alexandre.

          • Mesmo no final, o Luís Braga diz aos deputados para apresentarem propostas alternativas.

      • Apesar da minha incerteza na utilidade que terá qualquer esclarecimento que lhe possa dar e de me parecer que apenas está a pôr em causa a minha palavra, coisa que não TOLERO A NINGUÉM, vou esclarecê-la na medida do possível, já que muito do que foi tratado, foi entre quatro paredes, em reuniões com os Grupos Parlamentares, de maneira informal e sem Atas de Reunião.
        De qualquer forma, na Audiência em sede de Comissão de Educação, foi referido pela colega Sandra Carmo, e, passo a citar:
        “…Mesmo que não aceitem e chumbem a proposta que fizemos, abrimos caminho para outras melhores. O processo legislativo está aberto e, mesmo com negociações a decorrer, podem apresentar outras propostas melhores… … … Esperamos que não a chumbem apenas por comodidade, oportunidade ou abstenção. Mas, se a chumbarem, que seja porque têm uma alternativa melhor que possam votar e aprovar!…”

        Pode comprovar a veracidade das palavras transcritas, ouvindo a gravação da Audiência.

        No meu texto, cujo link coloco abaixo, de 31 de Março, para além da posição comunicada em reunião no Parlamento, está um extrato da própria Lei das ILC, que a poderá elucidar.
        https://www.comregras.com/descongelamento-qual-a-posicao-do-psd/

        Duvidar do outro é próprio de quem tem por hábito mentir. Que lhe interessa agora, depois de chumbada a ILC, saber se houve “abertura ao faseamento ou não?”
        Fico por aqui. Não responderei a nada mais da sua parte.

        • Fátima,

          Não coloquei em causa a sua palavra. Apenas perguntei onde encontrar a informação.

          Mas na sua resposta há mais 2 aspectos que tenho de salientar, para além dos seus juízos de valor que não me interessam em nada:

          -“já que muito do que foi tratado, foi entre quatro paredes, em reuniões com os Grupos Parlamentares, de maneira informal e sem Atas de Reunião.”
          Penso que nestas coisas devia haver actas.

          – “O processo legislativo está aberto e, mesmo com negociações a decorrer, podem apresentar outras propostas melhores…”

          Não diz nada quanto à aceitação de um faseamento que sempre foi defendido por todos os partidos políticos na AR e pela plataforma de sindicatos. O que li e ouvi foi a referência a que não pode haver ultrapassagens.

          Obrigada e boa tarde.

  3. 1- O PAN não avançou com qualquer proposta sobre este assunto e nunca defendeu a recuperação integral e imediata do tempo de serviço;

    2- O BE sempre defendeu o “faseamento” e apresentou proposta nesse sentido. Que me lembre, nunca defendeu a recuperação integral e imediata do tempo de serviço.

    Reflectindo sobre a votação em causa, e tendo em conta a “coerência”, pergunto-me onde está a coerência?

    O Alexandre escreve:

    “Uma palavra para o Bloco de Esquerda e PAN, que votaram a favor da ILC, mostrando coerência com o que disseram ao longo destes meses.”
    Isto não é factual, Alexandre.
    Lamentavelmente, isto não aconteceu e cabe-nos questionar o porquê mesmo quando nos apetecia não questionar.
    São estratégias e tácticas políticas e nada de mal, mas eu tenho de ver para além deste wishful thinking.

    Se não conseguirmos ver para além disto, estaremos sempre a ser manipulados mesmo que seja, supostamente, a nosso favor.

    Prefiro a coragem política.

    • Na audição da ILC o BE disse que votaria favoravelmente. Sobre o PAN, tens razão, escrevi a pensar no BE e meti o PAN ao barulho. Mea culpa!

      • Ai, que não estou a entender. Se disse que votaria favoravelmente, porque não apresentou a sua proposta indo nesse sentido, tomando a ILC como sua?
        Porque é que apresentou 1 proposta diferente no parlamento?

        Não precisas de responder, Alexandre.
        Isto são as minhas dúvidas metódicas mais a falta de gasolina e mais a Cristina Ferreira no paraíso das praias que acabou de pop up aqui no lado direito do écran do PC.

        • Eheheh, agora fizeste-me rir. Talvez a ideia fosse apostar em dois cavalos em vez de um. Mas tb não sou advogado de defesa do Bloco 😉

  4. E o PCP que foi sempre frontalmente contra a ILC e que à cata de uns votos, resolveu abster-se???
    Atitude cobardolas!!!

    • Sem dúvida! Cobardolas. O que mais há na casa da suposta democracia.
      Obrigada aos colegas da ILC, com coluna vertebral direitinha!

    • Compreende-se a posição dos partidos que se abstiveram.
      Têm projectos que apresentaram – defesa de todo o tempo não contabilizado embora com propostas de recuperação diferentes

      Não se compreende a coragem ou coerência do voto a favor do BE e PAN, por muito que me custe afirmá-lo.

      Coragem, onde?
      Coerência, onde?

      (Não vale o que se passou em privado sem actas; o que conta é o que foi sendo publicado, defendido e concretizado em proposta)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here