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Homicídio profissional

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“A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considera que a proposta do Orçamento do Estado sobre a carreira docente vai impedir a maioria dos docentes de chegar ao topo da carreira, mesmo que trabalhem até aos 70 anos.
Após ter analisado a proposta do OE2018 para o descongelamento da progressão na carreira docente, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, alertou para o futuro da maioria dos docentes: “Muito mais de 50% dos professores atualmente no sistema, com esta proposta do Governo, mesmo que trabalhem até aos 70 anos, nunca chegarão ao topo da carreira“.
Segundo a Fenprof, “o Governo estabeleceu na sua proposta que pagará, em 2018, 1/3 do escalão seguinte àquele em que se encontram, neste momento, e não 1/3 do escalão onde deveriam ser reposicionadose que todo o tempo acima deste reposicionamento é simplesmente apagado“.
“não mais voltar a recuperar o tempo de serviço que foi cumprido, e para o qual os professores fizeram os seus descontos, é inaceitável.”
 
Se é verdade esta informação veiculada no DN de 13/10/2017, foi cometido um homicídio da carreira profissional docente.
Nesta circunstância abjeta, enviei uma declaração que abaixo transcrevo a todas as entidades de soberania politica do país, para que saibam que algo vai mudar para pior se não for respeitada a dignidade profissional.
 
DECLARAÇÃO:
Quando um ser humano atinge o seu limite de tolerância à infâmia, é natural que a sua revolta e indignação também atinjam limites difíceis de conter. Não existe adjetivação contundente para caracterizar a repressão administrativa implementada na classe docente há mais de 10 anos, que paralisou o legitimo direito de ser recompensada pelo mérito através da progressão na carreira. Esta repressão tem como efeito horrivelmente perverso, produzir casos de profissionais que iniciaram a sua carreira no 3º escalão (após conclusão de licenciatura especializada com estágio integrado, equivalente a um mestrado de Bolonha) e 24 anos(!) depois estarem colocados (ainda) no 4º escalão da carreira!…
Qualquer governante com um mínimo de empatia, tem a obrigação de saber o que sentiria numa situação dessas, com a agravante de ser da geração em que é castigada com a suspensão da progressão, contrariamente às gerações anteriores que usufruíram dessa progressão paulatinamente. As emoções são demasiado turbulentas para conter tão horripilante injustiça, como se o profissional tivesse sido condenado por crime de homicídio, pedofilia ou peculato, tendo este consciência que o impedimento de usufruir legitimamente da progressão deve-se ao desvio do orçamento que permitiria progredir, para pagar a corrupção bancária, empresarial e estatal (através de contratos financeiros ruinosos celebrados por determinados governos).

Se existe um mínimo de sentido de justiça na governação, que jamais compensará o que foi perdido, este ano deveria ser obrigatoriamente implementado o planeamento para permitir a progressão para o escalão a que o profissional tem direito por tempo de serviço efetivamente prestado, e não meramente para o escalão seguinte ao que se encontra (no exemplo dos 24 anos de serviço, o docente que se encontra no 4º escalão teria de ser integrado no 7º escalão e não no 5º).

Se tal não acontecer, as consequências serão duradouras, transversais e irreversíveis, e qualquer réstia de credibilidade que existisse nos governos da república, evapora-se para sempre…

Mário Silva
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5 COMENTÁRIOS

  1. Com 23 anos de serviço ainda é mais caricato. Entrei para a carreira no 3° escalão e, ao fim destes anos todos, ainda estou no 3° escalão e faltam-me 800 e tal dias para mudar para o 4°… Digam lá se quem se encontra numa situação destas tem vontade de se empenhar em alguma coisa relacionada com a profissão?

    • E no 3o escalão atual recebe o mesmo que no 3o escalão para o qual entrou??? Claro que não!
      Houve reestruturação da carreira, o 3o antigo é o atual 1o. Isso é um não problema!!
      Problema sim é haver funcionários públicos que irão progredor na carreira tendo em conta o tempo em que todos estivemos congelados, e para os professores esse tempo nada irá contar! Somos os filhos feios da Função Pública!

  2. Como passo a vida a dizer, nós professores temos aquilo que merecemos… É um salve-se quem puder e a vidinha de cada um é o que interessa… Agora, pensar que íamos recuperar o tempo de serviço em que as carreiras estiveram congeladas é… muita ingenuidade! E… é claro que a maioria de nós não irá atingir o topo da carreira! E… é claro que vai continuar a existir professores que participam nos Conselhos Pedagógicos e nos Conselhos Gerais, entrando mudos e saindo calados porque… porque… E, é claro… quem ousa pensar pela sua cabeça e dizer o que pensa… está tramado! E, claro está, quem ousa contrariar o senhor diretor ou o senhor vereador… pode cair em desgraça! É por isto e por muito mais que estamos assim e não vislumbro qualquer luz ao fundo do túnel…

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