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Hiperatividade – Um novo paradigma

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“Ao contrário do que muitos pais podem pensar, as crianças e os adolescentes de hoje passam em ambiente escolar uma quantidade de tempo incomparavelmente maior do que a nossa geração alguma vez o passou, estando sujeitas a critérios e expectativas de exigência desadequadas para algumas faixas etárias. Os tempos de recreio e espaços verdadeiramente “livres” diminuíram e são considerados vulgarmente “desnecessários”, o que é um erro dramático para toda uma geração.” (http://visao.sapo.pt/opiniao/2018-01-22-Hiperatividade-e-defice–de-atencao-um-novo–paradigma)

Porque este é um tema sempre quente e atual e porque tendo em conta a minha área de intervenção, Educação Especial, são vários os relatórios que nos chegam atestando este rótulo, por vezes, arrisco dizer, numa avaliação de poucos minutos.

O artigo mencionado neste texto vem tentar desconstruir, e de alguma forma complexizar, um conceito que se tornou vulgar e, em muitos casos, displicente. Complexizar porque são inúmeras as variáveis que vieram agrupar (flagelo do séc. XXI) manifestações da evolução da nossa sociedade em rótulos (hiperatividades, dislexias, síndromes de oposição). De repente ignoramos e negamos a nossa envolvência, os avanços tecnológicos e, em muitos casos, a estagnação de um modelo escolar (que começa, finalmente, a encontrar outras diretrizes) que insistia e ainda insiste num modelo maioritariamente expositivo e com matérias pouco aliadas à prática.

Não condeno o modelo expositivo, por si só, nem tão pouco a relevância de várias temáticas que são trabalhadas na escola. Não. Considero que há competências importantes que são trabalhadas (e têm de ser trabalhadas) em qualquer tema, e em qualquer modelo. Como também não considero que o professor se deve desfazer em floreados e acrobacias para chamar a atenção dos seus alunos. O que é condenável é o espaço livre, com direito a tempo livre que deixou de existir. Deixou-se de ter tempo para brincar sem resumos, fichas de leitura ou trabalhos posteriores; de valorizar os desportos como medida da promoção de saúde insubstituível e quisemos criar máquinas de input constante sem admitir manifestação extrínsecas de qualquer erro de programação.

Os fármacos contra este “flagelo” dispararam e as vendas subiram em flecha “Em Portugal, só no ano passado foram vendidas mais de cinco milhões de embalagens desse grupo de psicofármacos destinados a menores de 15 anos de idade, quando a população total de crianças e adolescentes até esse limite etário está longe de chegar aos dois milhões. De repente, parece lógico perguntar se todos estes rapazes e raparigas são verdadeiros hiperativos ou se apresentam realmente dificuldades de concentração(…)”(http://visao.sapo.pt/opiniao/2018-01-22-Hiperatividade-e-defice–de-atencao-um-novo–paradigma)

Há um quadro verdadeiramente preocupante. È fundamental continuar a refletir, não de uma forma generalizada, mas sobre cada caso que é diagnosticado. Avaliar todas as variáveis existentes no mundo envolvente de uma criança passível de colocar este rótulo sempre numa perspetiva da tríade Escola – família – Sociedade.

É importante que os Encarregados de Educação e a própria escola legitime outras formas de encarar estes novos rótulos, promovendo, não só tempo para outras atividades, mas uma filosofia que não abomine a medicação (sabemos de casos extremos onde é efetivamente necessário) mas que não a encare como a primeira medida para “sossegar” irrequietudes motoras.

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