Hierarquia Professor – Aluno | “Os alunos desde cedo devem desenvolver a capacidade de lidar com o poder desigual”. 1


Ano Novo, mas a vida nas escolas não é assim tão nova…

Para todos os leitores do ComRegras, desejo que seja um ano pleno de realizações pessoais e profissionais e que encontrem neste novo ano o melhor de vocês e o melhor para vocês.

O texto de hoje recairá num tema muito chato mas tão fundamental na gestão das relações (e das ralações) na escola.

As regras e os limites.

A existência de regras e limites é inerente a qualquer interação social, seja esta no contexto escolar, familiar ou profissional. Nos diversos contextos em que atuamos, vamos encontrando hierarquias, normas e padrões de conduta.

Na escola concretamente, o professor é o líder, é quem toma as decisões e mantém a disciplina. Isto não deve ser interpretado de modo a pensarmos em padrões de submissão, mas antes uma forma de os alunos desde cedo desenvolverem a capacidade de lidar com o poder desigual (que estará presente de forma mais ou menos evidente no futuro deles e delas).

Assim, espera-se do professor compreensão e boa comunicação, mas nunca falta de liderança.

 

O que importa que o professor faça:

  • Estabelecimento de regras razoáveis (desde o primeiro dia de contacto);
  • Definição de regras explícitas, concretas, claras, concretas e formuladas na positiva;
  • Estabelecimento de um número razoável de regras – devem ser pertinentes e funcionais;
  • Definição das regras a cumprir (das quais não abdicamos mesmo) e as consequências a aplicar pelo seu incumprimento e cumprimento;
  • Estabelecimento de regras que consiga e que queira fazer cumprir;
  • Estabelecimento de regras gerais para toda a turma;
  • Utilização como ferramenta de avaliação dos comportamentos dos alunos;
  • Regras refletidas e discutidas com os alunos e alvo de reformulação, sempre que necessário;
  • Exigência pelo cumprimento sistemático das regras estabelecidas.

As regras estabelecidas devem ser claras, sendo de evitar frases formuladas na negativa (por exemplo: “Não se pode comer na sala de aula…”, “Não se deve interromper o professor…”). Todas as regras podem ser transformadas pela positiva (por exemplo: “O lanche pode ser consumido nos tempos de intervalo nos locais apropriados”, “Podes falar quando puseres o dedo no ar”).

Os alunos devem ser envolvidos no estabelecimento de regras e das sanções e prémios, pois o envolvimento na criação de regras é uma forma de potenciar a identificação com os objetivos da escola e fomenta um clima de cooperação entre professor e alunos.

Quando se opta pela estratégia de premiar ou penalizar os alunos, estas consequências devem ser de conhecimento prévio. Deixo-vos de seguida alguns exemplos. Como é evidente, são apenas propostas e todas estas propostas carecem das dinâmicas existentes na escola, da cultura de escola, do regulamento interno, das características pessoais do professor, das faixas etárias dos alunos, etc.

Exemplos de benefícios inerentes ao cumprimento das regras:

  • Dar tempo extra de intervalo (sob vigilância de um funcionário);
  • Proporcionar louvores perante a turma (diploma e/ou presente no final de cada período, elogios);
  • Reduzir a quantidade de trabalhos de casa;
  • Ir a festas e/ou atividades extracurriculares;
  • Dar aos alunos a possibilidade de escolher uma questão para teste, de entre várias propostas pelo professor;
  • Dar aos alunos a opção entre fazer um teste ou um trabalho individual como forma de avaliação;
  • Permitir (a escolha de) uma  visita de estudo no final do ano de interesse geral;
  • Ouvir música nos últimos 5 minutos da aula.

Exemplos de penalizações inerentes ao incumprimento das regras:

  • Perder tempo de intervalo;
  • Repreensão oral, escrita e/ou contacto direto com Encarregado de Educação;
  • Ficar no intervalo a explicar à professora ou a um colega que também seja alvo de penalização o que foi dado na aula;
  • Ficar no intervalo a realizar o trabalho que ficou por fazer devido ao incumprimento das regras;
  • Copiar um texto e/ou as regras (desde que esta atividade tenha um momento de reflexão conjunta);
  • Perda do direito de realizar atividades lúdicas com os colegas;
  • Aumento do número de trabalhos de casa;
  • Trabalho cívico e/ou comunitário (limpar e arrumar a sala de aula, escola, etc.);
  • Realização de um trabalho extra como forma de avaliação.

Ao longo do desenvolvimento da criança e do adolescente, a relação vertical aluno/professor terá níveis crescentes de negociação, sendo efetivamente importante que esta negociação exista mas sem inversão da relação de poder, nem demissão por parte de quem o deve exercer. Assim os alunos aprenderão de forma prática, como as relações profissionais funcionam e terão a possibilidade de treinas competências básicas de comunicação e saber estar.

BOM ANO!

Mónica Nogueira Soares

 Psicóloga | Mediadora Familiar e Escolar | Formadora

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