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Há professores a serem pressionados para transitarem TODOS os alunos do ensino vocacional

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Há dias recebi uma mensagem em modo de denúncia, alertando-me para a situação de existência de alunos de cursos vocacionais que apesar de terem mais de 70% dos módulos concluídos, não atingem os 100%. Os 100%, são o número necessário para que os alunos possam matricular-se no ensino secundário profissional, para os restantes, a saída era um ensino secundário vocacional, só que como todos nós sabemos foi extinto.

O ano passado, quem estava no último ano do curso vocacional de básico, podia sempre integrar a turma que vinha atrás, este ano já ninguém vem atrás pois não foram abertas novas turmas.

Surge então um vazio, se os alunos não obtiverem 100% de sucesso não podem transitar para o ensino secundário, apesar de terem o número de módulos suficientes para o efeito e que lhes foi prometido pela Tutela.

A denúncia que me chegou, aponta o dedo ao Ministério de Educação e diretores que estão a pressionar professores a darem 100% de sucesso aos alunos. É que a alternativa… não existe. Estes alunos ficam na terra de ninguém, pois para o ensino regular têm de fazer exames de acesso, o que como é óbvio não conseguem, e como já têm o 9º ano não podem frequentar mais o 3º ciclo.

Alguns dirão que a pressão é legítima, que os alunos não têm culpa, não concordo, existe o princípio de equidade que deve ser respeitado. Já não basta o facilitismo inerente a este curso, que obrigava todos os alunos a transitarem para o segundo ano, mesmo que não fizessem um único módulo, agora o que interessa é acabar com isto rapidamente.

Este fim de cena para os cursos vocacionais é como um jogo em que uma equipa está a ser goleada e falta pouco para acabar. É penoso, é triste, mas quem atribui notas é profissional e já não consegue baixar-se mais com medo que se veja algo que não deve ser visto…

Até foi criado um documento, que nem sequer está assinado (que conveniente), apelando de forma camuflada ao sucesso a todo o custo. A denúncia que recebi fala também em telefonemas mais explícitos para que TODOS os alunos transitassem a TODOS os módulos, com frases como…

“a escola tem autonomia e tem de resolver a questão”

Cabe agora aos diretores baixar a cabeça e ordenar os seus “lacaios” para “desentupirem” um sistema mal desenhado e que sempre cheirou muito mal…

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10 COMENTÁRIOS

  1. Neste caso, a tónica deveria ser colocada no erro da extinção dos Cursos Vocacionais Secundários.
    Com uma escolaridade obrigatória de 12 anos, é imprescindível a existência de um percurso secundário aligeirado para alunos que rejeitam o currículo académico.
    A consequência vai ser a descredibilização dos Cursos Profissionais.
    Muito mau.

  2. Por muito errado que seja, os alunos não podem ser prejudicados pelas decisões do ministério portanto, ou têm oportunidade para repetir os módulos ou passam para o secundário. Infelizmente é simples, os alunos passam!

  3. Uma festa que se alastrará para todos os ciclos. A fatura será grande! Não resolves os problemas ?Decreta ! Carimbe-se a ignorância e , caso corra mal, culpem-se os agrupamentos, os dietores, e no fundo da pirâmide, os professores! Uma vergonha!
    Não mexeram no currículo, na redução de alunos por turma, nos apoios, reduziram funcionários, todos, a situação económica dos agregados não mudou, mas o senhor ministro da educação , e fervorosos apoiantes vão mudar a educação em Portugal. Um perfeito embuste! Não mexeram nada, absolutamente nada, do que era essencial e estão a ensaiar uma farsa que se chama ” retenções zero”.
    Já estou velho para aturar tolices e para arcar com responsabilidades que não tenho!

  4. E vamos a caminho de ordenar doutorados, engenheiros e arquitetos sem saberem um pouco de aritmética, já nem digo matemática, e também expor as suas ideias em português, que está a ficar mais “macarrónico”.

  5. O documento pdf não é deste ano letivo. Foram orientações enviadas em 2015/2016 para o ano 2016/2017. Leiam com atenção o ponto 4 da última página.

  6. É assim mesmo! Se fosse eu ao Ministério de Educação proibia os professores de avaliar os alunos e passava tudo, em geral, e por decreto, no final do ano letivo… Ai se fosse no tempo de Nuno Crato…
    É absolutamente vergonhoso!
    Há escolas que estão a passar de ano de escolaridade alunos do básico com mais de quatro negativas, sabe o i. No secundário há ainda outras escolas que estão a fazer pressão junto dos professores para que subam as notas negativas dos alunos de forma a que se possam inscrever no ano seguinte, sem deixarem disciplinas em atraso.
    Desta forma, os alunos do 5.o ano de escolaridade, por exemplo, que têm nove disciplinas, estão a passar de ano tendo metade das disciplinas com nota negativa – cenário que resulta de orientações dadas pelo ministério e do que está previsto na lei desenhada pelo gabinete de Tiago Brandão Rodrigues, indicando que o chumbo deve ser aplicado de forma “excecional”.
    ”A grande maioria das escolas estão a passar os alunos com quatro negativas, denunciaram ao i vários professores e diretores de norte a sul do país, mas há casos em que os alunos transitam de ano com mais de quatro negativas. Há casos de cinco ou seis notas negativas. Nestas escolas, “independentemente do número de negativas dos alunos”, o conselho de turma – órgão máximo de avaliação dos alunos – “decide pela transição considerando que o aluno pode recuperar os conhecimentos e as competências não desenvolvidas em anos futuros”, denunciou ao i um professor.”
    In Jornal ”i” , online.

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