Início Notícias Há escolas onde os professores têm medo de dar aulas

Há escolas onde os professores têm medo de dar aulas

2498
10
COMPARTILHE

Tirando os professores, a comunidade educativa nacional, pouco valoriza o que se passa em determinadas escolas. O Ministério da Educação podia utilizar os números mais recentes de violência contra professores, para reforçar a autoridade docente e exigir mais respeito para com estes. A denúncia pública seria sempre o primeiro passo, como já referi inúmeras vezes, é preciso reconhecer um problema para querer resolvê-lo. A ideia de que não se deve falar para não valorizar, é um erro, a violência não desaparece e o silêncio passa uma mensagem de aceitação, porque sim, porque tem de ser, por ser o sinal dos tempos… Não, não pode ser, é preciso repudiar e agir de forma implacável para quem agride um professor.

Não entendo como se pode ficar calado, ano após ano, sabendo que existem professores a serem agredidos pelo simples ato de ensinar. Urge reativar o centro de observação disciplinar, onde sejam compiladas todas as situações de indisciplina, dentro e fora da sala de aula. Só assim é possível obtermos um diagnóstico correto da realidade escolar e canalizar verbas para as escolas que mais precisam.

Há escolas onde os professores têm medo de dar aulas…

Isto é muito grave e impensável num país democrático inserido na União Europeia. Não podemos continuar a ter dezenas ou centenas de milhares de participações disciplinares sem que nada mude. Um professor não pode estar preocupado com a sua segurança quando repreende um aluno, um professor não pode estar preocupado com a sua integridade física quando um pai vai falar com ele. O professor precisa de ser visto e reconhecido como uma autoridade.

É preciso rever o Estatuto do Aluno, responsabilizar os encarregados de educação, reforçar os psicólogos em meio escolar, diminuir o número de alunos por turma, apostar na codocência, dotar as escolas dos assistentes operacionais que há anos estão em falta, etc.

É preciso investir!

Nota: Aproveito para fazer um mea culpa. Acusei no passado recente os sindicatos de ficarem calados quando os professores são agredidos, o SPN (julgo que foi o único) condenou a agressão selvagem a uma professora na escola do lagarteiro e hoje organizou uma concentração contra a violência.

Fica o devido reconhecimento.

Alexandre Henriques

No dia 08 de maio, uma professora desta escola, inserida num meio social e economicamente desfavorecido, necessitou de receber tratamento hospitalar, após ter sido agredida dentro da Escola EB1 do Lagarteiro por quatro adultos familiares de um aluno.

Hoje, os professores manifestaram-se nos intervalos das aulas e aprovaram uma moção na qual, entre outras medidas, exigem do Ministério da Educação o reforço dos recursos humanos, docentes e não docentes, assim como de equipas multidisciplinares de intervenção em áreas como a saúde, o serviço social e o apoio psicológico.

Em declarações aos jornalistas, os professores condenaram a agressão de que foi alvo a sua colega “dentro da escola e em pleno exercício das suas funções” e reclamaram das autoridades competentes “o completo apuramento de responsabilidades e a exemplar punição dos agressores”.

“Estamos aqui numa manifestação pela paz porque isto não pode acontecer. Não podemos estar no local de trabalho com medo, sentindo insegurança. Não é todos os dias que acontece, mas isto é um barril de pólvora”, disse Vladimiro Campos, professor de Educação Física, há nove anos, no Agrupamento de Escolas do Cerco.

Para o docente, “o importante é transmitir para quem nos governa a desvalorização do papel do professor na sociedade”.

“Ajudem-nos, façam o papel do professor valorizar outra vez, para que a escola funcione melhor”, sublinhou.

A dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN/FENPROF) Manuela Mendonça, que apoiou a iniciativa dos professores, considerou que “esta escola não pode continuar com carência de pessoal não doente” e “não se pode aceitar que quatro pessoas estranhas ao estabelecimento de ensino entrem na escola para agredir um professor ou seja quem for”.

“Portanto, se a escola não tem pessoal não docente que garante a segurança, isso tem de ser resolvido e, para além disso, são necessários mais apoios para que se possam constituir mais equipas interdisciplinares que possam intervir em áreas essenciais, porque a escola não pode resolver todos os problemas da sociedade”, defendeu.

Segundo os professores, a agressão de há uma semana “não é um incidente isolado” no Agrupamento de Escolas do Cerco, mas “mais um envolvendo violência física ou psicológica de que docentes e não docentes têm sido vítimas”.

Em declarações aos jornalistas, Ana Paula Canotilho, professora de Artes, no agrupamento escolar, frisou que “esta situação é agravada pela carência de pessoal não docente”.

Fonte: Sapo 24

Violência contra professores levou à abertura de 87 inquéritos em 2017

Mais de metade dos 121 inquéritos abertos pelo Ministério Público da Comarca de Lisboa em contexto escolar em 2017 foram casos de violência exercida contra professores, segundo dados oficiais. De acordo com um memorando da actividade do Ministério Público (MP) na Comarca de Lisboa referente a 2017, dos 121 inquéritos iniciados em contexto escolar 87 referem-se a casos de violência contra professores.

COMPARTILHE

10 COMENTÁRIOS

  1. …são todas es escolas que saem na roleta aos contratados, alunos que ninguém quer, diretores que nem os conhecem, professores da cátedra que se afastam deles como se tivessem sarampo, auxiliares que deviam ser amigos e ostracizam…

  2. Pois é Alexandre Henriques… É necessário prevenir mas , infelizmente, também reprimir. O mundo não é cor de rosa. Vejo alguns catedráticos da Flexibilidade, também do governo, que duravam 5 min nalgumas turmas que já conheci…
    Devia haver uma palavrinha do ME? Devia… mas não podemos esperar nada quando muitos são pos discípulos tresmalhados de MLR… Começo a ter saudades do Prof Nuno Crato e isso não é bom!

  3. O que queria dizer, há vários vídeos por aí… onde tudo é mar de rosas, com a flexibilidade, e passarinhos cantam… O que eu afirmo é que alguns que postulam determinadas verdades nunca se confrontaram com o mundo real…
    O Agrupamento do Cerco é um dos que, de facto, fomenta a integração dos alunos e tenta lhes dar o que falta lá fora… Os professores não têm é de estar sujeitos a apanhar … nem ao silêncio sepulcral do ME…

    • Ok, mas a violência a professores surge por várias variáveis e não me parece que uma comparação com a Flexibilização seja apropriada.

  4. Quantos pedidos de transferência de agrupamento recebeu o ministério nos últimos anos??? A quantos deu provimento???
    O que mereceriam… seria que os professores começassem a meter atestados e tivessem que pagar a dois (o doente e o substituto) o trabalho de um… talvez, assim, compreendessem que a escola enquanto centro de acolhimento e entretenimento sai cara… muito cara… e, muito especialmente, no futuro!

    Num país onde o TRABALHO não é dignificado… dificilmente haverá respostas adequadas!

  5. Em escolas ditas normais, já há encarregados de educação a deslocarem-se à escola para fazer saber que estão descontentes com os “ralhetes” dos professores.
    Como se ensina e orienta sem chamar a atenção?
    Como vai uma família interagir com os futuros”ditadores” que está a criar?
    Vivemos numa sociedade só de direitos e não de deveres.

  6. Eu tenho medo de dar aulas a uma turma, por isso duas vezes por semana, nas vésperas deixo de dormir … já apresentei queixa na Direção até por escrito e ninguém fez nada.

  7. Só pode piorar… Os meninos fazem e podem tudo… Desculpam alunos ”calaceiros” , habituados a fazerem o que querem, e agora com a belíssima desculpa que estão desmotivados pela escola arcaica… Os papás tudo perdoam e , mais tarde, sofrem e calam! O politicamente correto, a velha Europa decrépita, criou os meninos rei, e onde devia haver regras claras e repressão, há palmadinhas de compreensão… e até papás indignados quando seus rebentos levam castigo… Sei de tantos, e tantos casos, abafados, direções que se acobardam, professores que sofrem em silêncio…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here