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Há cada vez mais professores de baixa médica

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Hoje o JN expõe mais uma vez uma realidade cada vez mais comum nas escolas. O envelhecimento da classe docente não para e as baixas médicas são apenas um grito do cansaço acumulado e da necessidade de criar um regime especial de aposentação.

Há muito que defendo que a partir dos 60 anos, deveria ser dada a possibilidade de escolha para os professores deixarem de lecionar, realizando outro tipo de atividades nas escolas. O mesmo acontece noutros países e faz todo o sentido que a sua experiência seja canalizada no apoio a alunos e professores, entre muitas outras tarefas que podem ser realizadas…

Os próximos anos irão certamente agravar o número de baixas médicas por parte dos professores. Ninguém é de ferro e não perceber a especificidade da classe docente, é não entender a exigência que é lidar diariamente com dezenas de crianças e jovens. Os senhores que decidem podem fingir que as nossas capacidades não diminuem com a idade e que o cansaço de décadas de serviço não pesam nas “pernas” dos professores. Se querem ir por aí, lembrem-se que haverá um custo a pagar, muito mais elevado que o custo financeiro que agora querem evitar…

Nota: por favor não levem este artigo para a guerra estúpida de professores novos vs professores mais antigos. Este é um problema muito sério e que não merece os carimbos que os professores mais antigos são menos competentes/capazes. Cada caso é uma realidade distinta.

Alexandre Henriques

Diretores e FENPROF garantem que absentismo aumentou este ano e que vai agravar-se cada vez mais por causa do envelhecimento da classe docente.

Em março, mais de seis mil professores estavam em casa doentes com baixas superiores a 60 dias, à espera de ser convocados para uma junta médica, apurou o JN junto da ADSE. O Ministério da Educação não divulga o total de baixas, mas diretores e Federação Nacional de Professores (FENPROF) garantem que o número de atestados nas escolas públicas aumentou este ano. E que vai agravar-se por causa do envelhecimento da classe docente. De acordo com os últimos dados disponíveis, havia em 2015/16, 122 452 docentes, 45,3% dos quais com mais de 50 anos e apenas 1,4% com menos de 30.

Fonte: JN

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6 COMENTÁRIOS

  1. Entre os professores com 30 anos e 50 anos há também muitos problemas de burnout e outras doenças profissionais.

    Basta lembrar que esta é, porventura, a maior faixa da “sandwich generation”- a daqueles com ascendentes e descendentes a cargo

  2. Alexandre Henriques refere no seu texto, e passo a citar “… a partir dos 60 anos, deveria ser dada a possibilidade de escolha para os professores deixarem de lecionar, realizando outro tipo de atividades nas escolas. O mesmo acontece noutros países e …”.
    Concordo plenamente com o referidoacima, e, ainda mais, considero que todos ganhariam(os): os alunos, os Pais/Encarregados de Educação(poderia explicar porquê …), ministério da saúde (não teria tanta despesa, no presente e no futuro), o ministério das finanças (não teria que pagar dois ordenados), as famílias (dos professores que têm que estar de baixa médica e as dos alunos que não se preocupavam com a ausência e/ou mudança de professores dos seus educandos), o ministério da educação (era trabalho que era poupado), e, fico-me por aqui nos exemplos. Não referi as escolas, é verdade, e não o fiz de forma inócua ….
    Tenho 64 anos, 42 anos de serviço, e cumpri todo trabalho com os meus alunos, sem faltar, nos anos anteriores. Este ano foi-me atribuído um horário, que correspondeu a ficar com os mesmos dois níveis dos anos anteriores, mas com mais uma turma e quase o dobro dos alunos (de 75 passei para 120), e piores condições de trabalho com os alunos. Já nem falo da componente não letiva que me foi atribuída … Tentei aguentar. No primeiro período, fiz uma questão de aula, que corrigi e entreguei, trouxe para casa TPC para corrigir, os 120 alunos realizaram o primeiro teste e, já sem forças e completamente exauta, tive que meter baixa médica para os corrigir. A minha principal preocupação foi não deixar os alunos sem elementos de avaliação, e não deixei …
    Não vou alongar-me mais, até porque penso que já expliquei o suficiente para exprimir a mágoa, a revolta e o triste sentimento que me vai na alma. Ou seja, sem querer generalizar, há responsáveis de escolas que nada fazem para que docentes mais velhos continuem a trabalhar …

    Nota: Antes de as aulas começarem exprimi, junto de quem de direito, a minha impotência (pela idade e tempo de serviço) para cumprir o horário. Em vão … antes pelo contrário …
    E, sim, é verdade, os colegas mais novos precisam (tal como eu precisei) da experiência dos mais velhos (inclusive quando estes estão de baixa …) ….

    • Olá Maria. Imagino a dificuldade e tem todo o meu respeito e admiração pela sua dedicação. É triste que não se optimize os recursos existentes das escolas, adaptando ao seu perfil e desgaste profissional.

      Obrigado pela partilha 😉

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