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Gravador de aluna leva professora a tribunal

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A atitude é condenável e concordo que existem professores que estão na profissão errada, mas se a moda pega, de professores e alunos gravarem aulas, violando o estatuto do aluno e outros que tal e que mesmo assim são aceites como prova, então os tribunais que se preparem…

Colocar um gravador na mochila da filha, de sete anos, para perceber o clima de terror que vivia na sala de aulas foi “o único meio ao alcance do progenitor para comprovar o que alega na queixa, já que nenhuma das testemunhas adultas e profissionais da escola admitiu ter assistido a factos, não sendo alheia a circunstância da arguida ser diretora da escola”. A afirmação é da juíza de instrução do Tribunal de Braga que decidiu manter a acusação e levar a julgamento a docente Maria do Céu Almeida, de 53 anos, pelo crime de maus-tratos aos alunos da Escola Básica do 1º ciclo de Ortigueira, em Palmeira, Braga.

A gravação, divulgada pelo CM em dezembro de 2015, revelava insultos, humilhações e agressões aos alunos da turma de que fazia parte a filha de António Mateus. A menina evidenciava sinais de depressão e ansiedade. O tribunal entende que “como meio de prova, a gravação não é nula” e que “a conduta do progenitor não é ilícita”, como defendia a professora, que queria ver António Mateus sentado no banco dos réus. A acusação refere que a professora apelidava a menina de “burra, burroide, estúpida e filha da p…” e que “a arguida desferia golpes na cabeça da criança com uma vara de madeira, que trazia sempre consigo, por ela não saber ler”. 

Pouco importa os pais complacentes.  No inquérito, alguns pais consideraram normal a professora infligir castigos físicos e verbais , como chamar “burrinhos”. Uma mãe chegou mesmo a concordar que o filho tenha levado uns “croques” na cabeça.

“Pouco importa que vários progenitores sejam complacentes com a situação de maus-tratos educativos. A disciplina escolar tem de ser compatível com a dignidade da criança”, sublinhou a juíza do Tribunal de Braga. Comunicação social ajudou a alertar  Alguns trechos da gravação foram divulgados pelo CM e CMTV. A juíza refere na decisão que “publicá-los na comunicação social teve o mérito de alertar a comunidade escolar para o que se passava dentro das suas portas”.

SAIBA MAIS

5 crianças foram reconhecidas como tendo sido alvo de maus- -tratos por parte na escola, no processo disciplinar interno movido pela escola.

Recorre de suspensão

Foi aplicada à docente a sanção de 50 dias de suspensão, por ter violado o dever de correção. A docente recorreu e ainda não há decisão. 

Fonte: Correio da Manhã

11 COMENTÁRIOS

  1. Pensei que estas atitudes eram fruto de um passado longínquo, é necessária muita paciência para que muitas vezes não tenhamos que perder a paciência. Quanto às provas serem digitais…estamos na era digital e se para evitar estes excessos for a solução…

      • Estas situações de “violência” assustam-me… já me aconteceu levar com uma porta quando fechava a porta da sala de aula, depois de um aluno de 12 anos dar um pontapé no exterior. Partiu-me o rádio, e curioso…. a mãe da criança que era assistente operacional na escola, a única coisa que lhe coube perguntar a diretora de turma foi qual seria o motivo de eu estar a faltar à escola….

  2. Cheira-me a esturro, para mim é crime colocar um gravador na mochila de um menor. Quanto à professora será que a cana não seria só para apontar no quadro. Sinceramente parece-me tudo muiiiiiito estranho.

  3. Hoje em dia é mais vulgar ser o professor o maltratado. Pelos alunos e pelos pais. As crianças não têm educação, são mimadas e abusadoras. Só quem é professor é que sabe o que passa. Há professoras primárias a viver situações complicadas com miúdos completamente desenfreados. Protegidos e mimados pelos pais como pequenos deuses, tornam-se o terror na sala de aula. Será por isso que a docente recorria a métodos mais duros e ultrapassados?

  4. Ótimo precedente. Podemos passar a gravar os gritos e os insultos dos meninos uns para os outros, o que lhes dizemos para lhes mostrar o que é desrespeito, o tempo que perdemos a DISCIPLINAR e por que motivo a matéria não é dada ou revista/consolidada.
    Talvez os pais passem a ter uma ideia diferente do que se passa no interior das salas de aula. Passarão de certeza a RESPEITAR muito os professores.

    • A ser verdade, não aprovo os métodos da professora! Mas a verdade da situação que se vive nas escolas de hoje é bem diferente deste relato. Mas isso não importa apurar, nem interessa aos “media”, nem a outros… porque talvez a situação inversa não venda o necessário na perspetiva deles. Nunca concordei que um aluno seja agredido psicologicamente, muito fisicamente por não saber! A grande mudança que tenho observado, é que antes levávamos porrada por não saber, hoje, levamos porrada por querer ensinar, especialmente se nos impuser-mos perante “alunos” que são verdadeiros deliquentes em potência e num bem futuro próximo! Para terminar, quem está preocupado com o bem estar dos professores e a sua integridade física e mental, quando afinal temos uma reserva de vinte mil no desemprego?

  5. Não é tanto um comentário, quanto uma questão:
    1. Se uma criança de sete anos é alvo de violência por parte de uma dos adultos em quem mais deve confiar (o professor);
    2. Se nenhum dos outros adultos que os acompanham naquele ambiente (escola) tem a dignidade de confirmar o comportamento relatado pela criança e os maus tratos de que esta é alvo;
    3. Se a nenhum outro adulto (que não um funcionário da escola) é permitido acesso ao local – e ainda que fosse, dificilmente seria em momento adequado – de modo a verificar a veracidade das queixas da criança;

    Como sugerem que se possa defender o superior interesse da criança, da escola e da classe (os professores) e impedir/erradicar os comportamentos provados e as criaturas que os praticam?

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