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Gostariam De Lecionar Numa Escola Sem Telemóveis?

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Na escola EB 2, 3 de Lourosa, Feira, há tolerância zero para o uso de telemóveis. A utilização dos equipamentos foi banida durante todo o período escolar e os alunos, incitados a adaptarem-se à mudança, voltaram a conviver entre si e a reviver brincadeiras antigas, como saltar à corda ou jogar às escondida

Mantenho a opinião que a tecnologia pode e deve ser integrada na escola/sala de aula desde que devidamente enquadrada. Não sou apologista da proibição cega, o chamado cortar o mal pela raiz. Se os pais valorizam esta iniciativa, então por que razão permitiam que os seus filhos levassem os telemóveis para a escola?

Quanto à escola e professores, existe uma lei consagrada no estatuto do aluno que proíbe e permite o uso do telemóvel, sim é um contrassenso, mas o Estatuto do Aluno está repleto de contrassensos… O telemóvel tem um potencial brutal quando devidamente enquadrado, não me agrada a ideia de abdicar de algo só porque o utilizam de forma indevida, se assim acontece, castigue-se os prevaricadores, agora tratar tudo por igual, sinceramente não concordo.

Quanto ao fim das brincadeiras de “rua” por causa dos telemóveis, continuo a ver alunos a jogar matraquilhos, a jogar à bola, a brincarem uns com os outros… E a grande maioria deve ter o telemóvel no bolso.

Sobre os professores, não sei até que ponto é legal restringir o uso do telemóvel à sua sala de descanso, mas se todos estão felizes com a medida quem sou eu para questionar o que quer que seja… Apenas acho estranho e pessoalmente não gostaria de sentir esse tipo de limitação. Se estou na sala dos diretores de turma, no refeitório ou no bar, não posso utilizar o meu telemóvel?

Fará sentido recuarmos 20/30 anos no tempo???

Fica a notícia.


Reaprendem a conviver na escola sem telemóveis

Um armário, instalado no pavilhão central, está repleto de caixas contendo telemóveis. Foram ali entregues pelos professores do primeiro tempo e só voltarão às mãos dos alunos na última aula. E mesmo com as aulas terminadas, o uso do telemóvel só é possível no exterior da escola.

É assim todos os dias, na sede do Agrupamento de Escolas António Alves Amorim, numa rotina imposta com mão firme pela Direção da escola que é, agora, acolhida com naturalidade. “Quando ia ao intervalo reparava nos alunos agarrados ao telemóvel e com muita pouco interação”, explicou ao JN a diretora do agrupamento, Mónica Almeida. “Tinha de resolver o problema banindo os telemóveis”, explica.

ALGUMAS RESISTÊNCIAS

Mónica Almeida lembra que enfrentou algumas resistências por parte dos pais, mas “a maioria agradeceu a medida, porque eles próprios sentem alguma dificuldade em controlar a utilização dos telemóveis em casa”.

Já os alunos ainda pensaram que haveria alguma benevolência, mas rapidamente perceberam que não havia margem para prevaricar. Decidida a concretizar o objetivo, a diretora não hesitou em suspender os alunos que não cumpriram as regras nos primeiros dias da medida. “Não vacilei e dei conhecimento de cada suspensão através de comunicado que fiz passar por todas as turmas e as coisas resolveram-se nos primeiros quinze dias”, afirmou.

A estratégia resultou e a escola assiste ao reviver de brincadeiras há muito esquecidas. O jogo das cordas voltou a preencher os espaços de lazer, fizeram-se workshops sobre piões e até as antigas “escondidas” e as damas passaram a ser um entretenimento usual. Os intervalos na EB 2, 3 de Lourosa passaram a ser uma imagem de convívio e alegria contagiante.

USO RESTRITO PARA PROFESSORES

“No início, foi um pouco estranho, porque não esperávamos uma medida destas. Quando foi aplicada, toda a gente pensava que a norma não ia ser seguida, mas acabamos todos por ter de a respeitar”, diz Catarina Borzyak, de 14 anos. Segundo conta a aluna do 9.o ano, acabou por resultar. “Em vez de os alunos ficarem nos cantos da escola com os telemóveis, começaram a juntar-se e a conviver mais”, explica.

“Fiquei triste quando me disseram que não podia usar o telemóvel na escola. Mas, agora, que passo o tempo com as minhas amigas acho que foi uma boa ideia”, conta Maria João, do 6.º ano.

Os professores, que têm o uso de telemóvel restrito à sala de professores, também estão agradados. “A escola está de parabéns. Os alunos convivem mais e voltaram às brincadeiras antigas”, atesta Maria Católico, professora de inglês, constatando, ainda, que terminaram as interrupções nas aulas para consultar o telemóvel.

Quando os pais precisam, ligam para a escola

Estela Oliveira, encarregada de educação de uma aluna da EB 2,3 de Lourosa, considera a proibição do uso de telemóveis muito positiva. “Quando os pais precisam de falar com os filhos podem ligar para a escola, como faziam antigamente”, afirma, adiantando que a medida evita até “situações desagradáveis”, como o roubo dos aparelhos ou filmagens indevidas que vão parar à Internet.

“Quase todos os pais concordam”, garante. Estela Oliveira diz ter sido “louvável” a forma como foram sancionados os alunos que não cumpriram. “Assim, os miúdos levaram a medida a sério”, concluiu.

Beatriz Fontes, 10 anos, aluna 6.ºano

“Compreendi, porque nos intervalos todos usavam o telemóvel e não conviviam. Agora convivemos mais”

Catarina Borzyak, 14 anos, 9.ºano

“Os alunos, em vez de ficarem nos cantos da escola com os telemóveis, começaram a juntar-se e a conviver mais”

Vera Cruz, Prof. de Educação e Moral

“Iniciativa bastante positiva para alunos e professores que também têm regras no uso do telemóvel. Até nós convivemos mais”

Fonte: JN
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12 COMENTÁRIOS

  1. Respondendo à pergunta e atendendo à minha prática pedagógica: eu não! Ainda se estivessem numa caixa na própria sala e fossem usados como ferramentas de trabalho quando necessário, ainda vá! Agora, num armário, longe do local de trabalho, isso não! O aumento do convívio no recreio é positivo, mas bastava que os aparelhos ficassem na sala durante os mesmos, não impedindo, assim, que quem os quisesse e precisasse para trabalho o pudesse fazer! Portanto, não, não gostaria de lecionar numa escola sem telemóveis enquanto ferramentas de trabalho! E admira-me como pôde esta iniciativa ser considerada positiva por parte de quem a publicou (JN).

    • Sou professora desta escola e tenho pena que a omissão da utilização dos telemóveis como ferramentas em atividades pedagógicas tenha levado a esses pensamentos sobre o radicalismo imposto. Os meus alunos utilizam-nos em algumas atividades e os pais e a Direção da escola são devidamente informados que a utilização dos dispositivos móveis é feita sem desrespeitar as regras estabelecidas, ou seja, se a minha aula não for a primeira do dia com determinada turma, vou buscar a caixa e entrego os telemóveis ou os tablets no momento da atividade e recolho-os após a conclusão da mesma.

  2. Eu acho que quem tem razão sãos os que são a favor do uso dos telemóveis porque os outros são bué de arcaicos. Mais… mesmo que toda a comunidade educativa pareça estar convencida que será melhor não usar telemóveis deviam ser obrigados a digitar , porque é moderno, ou porque alguns já não respiram sem dar à tecla!

      • Vai continuar é riscado… Sabe, não consigo aceder à estratosfera, moderna e inovadora, onde pairam alguns predestinados… Lá tenho de ir repetindo a minha sanha imbuído do espírito Escola Século XIX… Há sempre um Velho, no Restelo, e muitos Gamas a querem sulcar as águas ignotas da pedagogia moderna inventada um século atrás… Não ligue !

        • E não existe meio termo Afonso? Ou acha que quem aceita a tecnologia q.b na sala de aula não saberá o que está a fazer? Também é contra a Internet, os computadores, quiçá a eletricidade?

  3. Eu acho que os telemóveis não fazem sentido na escola.
    Os alunos já têm imensa prática com telemóvel fora das aulas e, para mim, os riscos não justificam os hipotéticos benefícios.

    Mas é preciso saber enfrentar o discurso deslumbrado com as “novas competências”, compreendo que fique mal defender que os telemóveis são para se usar fora da escola. Facilmente se corre o risco e se parecer retrógrado, velho, antiquado, etc. Aliás, há mais interesse em listar rótulos do que em debater se o telemóvel é uma ferramenta pedagógica essencial, ou não, e se os benefícios superam os potenciais riscos. A literatura especializada vai dando algumas pistas para esse debate.
    Também sabmos que os magnatas que ganham fortunas a vender-nos telemóveis e tablets pagam (e bem!) para terem os filhos em escolas onde não se usa disso; certamente terão as suas razões.

    • O problema é que não há meio termo, quem defende a integração das tecnologias é visto como um sonhador e facilitista, quem está contra é visto como retrógrado e velho do Restelo. No meio está a virtude e nenhum de nós é dono da verdade ou deve impor a nossa ideologia à sala de aula.

  4. Também leciono nesta escola e sou, há anos, talvez o maior defensor do uso dos dispositivos moveis, telemóveis ou tablets, apps, LMS, redes sociais, etc. na sala de aula enquanto ferramenta de trabalho. Acontece que nesta escola o próprio RI prevê a sua utilização desde que em contexto pedagógico. Assim o queiram os professores. Isto não pode (não devia) ser omitido. Pode dizer-se então que na Antonio Alves Amorim o único lugar onde os telemóveis podem ser usados é na sala de aula, melhor dizendo, em contexto de aula ou atividade formativa. Este “detalhe” torna todo este alarido um pouco sem sentido, penso eu.

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