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A geração de pais totós

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Aviso: artigo politicamente incorreto

totósOs pais são os principais responsáveis pela má educação dos seus filhos. Ponto. Não se trata de uma afirmação em modo desabafo, trata-se de uma afirmação de índole legal e factual.

Enquanto menores de idade as crianças estão à guarda de seus pais, sendo estes responsáveis e responsabilizados pela atitude dos seus filhos. Vários têm sido os momentos em que assisti a pais conhecedores da sua obrigação legal e social pedirem desculpa pelos disparates dos seus traquinas. Algo natural e de louvar.

Mas nem sempre é assim, muitos são os que simplesmente estão desligados da sua responsabilidade, atirando-a para cima da escola, como se esta fosse prestadora de serviços de boas maneiras.

Enquanto que no passado era frequente assistirmos a momentos de afirmação parental numa exibição de brutalidade gratuita. Hoje, basta irmos a um qualquer parque infantil para assistirmos à inaptidão, vulgo “totozice” aguda, de uns quantos pais que se deslocam ao sabor das vontades de seus descendentes. José António de seu nome, é apenas mais um caso de incompreensão escolar e que nesse mesmo parque tentava a todo o custo passar o menino que aguardava a sua vez, abrindo alas através da demonstração do seu potente e preciso remate, que tanto orgulho dá a seu pai.

Na escola, os pais de José António, bem vestidos e bem falantes, são orientados pelo ar angelical de seu orgulho, que na 2ª feira passada tinha mandado a professora para o c#$#&lho só porque lhe disse que estava a falar demasiado alto, mostrando-lhe também o dedo do meio só porque estava a ser advertido por estar a dar com a cabeça do Tomás na parede mais próxima.

Esta vítima incompreendida, cresce sobre a asa protetora de seus pais, protegido dos malfeitores que se atrevem a dizer NÃO, perturbando com isso a sua liberdade. José António pelos vistos sofre de hiperatividade e não vá santa inocência ficar traumatizado pelo processo disciplinar instaurado, que nada melhor que antecipar a prenda de natal e curar as feridas, com o novo telemóvel topo de gama que é exibido em sala de aula como prémio por tão grande performance.

Mas seus pais, bem falantes e bem formados, fazem questão em assumir a sua função de protetores do reino, é vê-los de peito feito em plena audição do anjo, ameaçando professora, instrutor e até mesmo o diretor pela perseguição que o seu José António está a ser vítima. Rapidamente são invocados os mais altos valores morais e religiosos, hasteando os seus cães de fila das melhores empresas de advogados.

A seu tempo, quando José António tiver acne na cara e tiver engrossado a voz, a mesma indignação será mostrada, quando a sua inocência estiver estampada na cara da mesma professora que ousou retirar o telemóvel ao jovem hiperativo.

Em plena audição de novo processo disciplinar, o instrutor ouvirá as lamurias dos pais incompreendidos, que tudo deram ao menino e que também eles levaram dois valente “bufardos”, só por terem dito “José António, somos teus pais e tens que nos obedecer”.

Já mesmo no final da audição, o instrutor ouvirá a célebre frase (curiosamente ainda ontem ouvi).

“Sabe professor, ele não tem culpa coitado, o meu José António que Deus o guarde é mesmo assim, o problema é que eu já não sei o que lhe hei-de fazer… Diga-me professor, diga-me… O que é que eu faço?”

Pois…

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4 COMENTÁRIOS

  1. Obrigada por me ter feito rir..Pois ser professor não deve ser nada fácil, sobretudo à medida que os miúdos vão crescendo e ficam homens e mulheres feitos… Eu sou mãe, não sou professora, mas estou longe de ser totó, pelo menos no que concerne ao aplicar uma palmada na hora ou a levar o miúdo a julgamento com tribunal familiar, escolar e tudo. Mas também estou longe de ser totó, no que respeita a olhar para a Escola com crítica e exigência. Pois o que me incomoda é que paralelamente à realidade que descreve, também fui conhecendo alguns professores totós…Há os que dão aulas, com poucas modificações de estilo e material, desde que entraram na profissão, mesmo se esta já leva mais de 10 anos. Há os que são peritos em artes e ofícios, mas não na vertente da expressão artística/plástica, mas mais de “rendas e bordados” para coelhinhos da páscoa e lembrancinhas ou que exultam perante produções de poemas sobre a primavera estilo “estado novo”. Mas os meus preferidos são os que se desdobram em conselhos sobre parentalidade, sobre aquilo de uma criança precisa para crescer feliz e saudável, nas reuniões de pais e que quando entram na sala de aula “descarregam” raivas e mazelas nos alunos, que não tem pudor em chamar-lhes “burros”, “mal-educados” “deviam ter-te atirado ao lixo, quando nasceste…”. Pois havia o candidato que dizia ” eu quero ser presidente de um povo inteligente ” e eu percebo, os professores também têm direito a só terem turmas ” com miúdos bem comportados, inteligentes e de preferência que não façam muitas perguntas, que isso fá-los perder tempo”. Não leve a mal este texto que bem sei é eticamente reprovável…

    • Não, não é reprovável. E gostaria de estar aqui a dizer que está enganada. Como os pais, também existem professores que deixam muito a desejar, mas continuo a acreditar que a maioria sabe o que anda a fazer, pais e professores.

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