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Fui aluno novamente… Ufa… foi só um pesadelo!

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Os inquéritos que já apresentei no ComRegras, levaram uns quantos a questionar-me pelo motivo de não apostar em mestrados ou doutoramentos. Sinceramente estou farto de estudar… nunca achei a escola apelativa, interessante ou motivadora, foi um meio para… Compreendo que a escola não tem de ser um playground ou pólo de entretenimento com o principal objetivo de satisfazer os seus clientes, os alunos. Porém, a escola não precisava de fazer um esforço tão grande para implementar e manter um sistema de ensino tão monótono, repetitivo e entediante. Os miúdos resumem isto numa frase “a escola é uma seca!”

Quando sonhei que era novamente aluno, senti outra vez toda aquela saturação, onde toneladas de matéria eram despejadas em pouco tempo, dificultando a assimilação e consolidação. Senti novamente toda a pressão dos testes, dos exames, das apresentações, das horas e horas de estudo e confesso que foi com agrado que acordei e disse: “Ufa… já me safei disto tudo”.

A formação contínua é bastante diferente do trabalho de aluno e o meu trabalho de professor também o é. Julgo que o momento de maior stress “profissional”, foram os exames de acesso ao ensino superior. Quando sabemos que estamos perante um momento determinante para o nosso futuro, é difícil não sentir a pressão.

Sou por isso solidário com os milhares de alunos que sentem a pressão escolar e até me identifico com aqueles que dizem “não gosto da escola”. Nem todos têm a capacidade e compreensão para perceber que é preciso muito esforço e espírito de sacrifício para ter sucesso escolar. Mas a palavra sacrifício nunca deveria estar presente quando se fala em escola, quando se fala em aprendizagem… A escola não precisa de ser um “castigo” para se afirmar enquanto momento mais importante da vida de cada um.

Quando se fala em mudanças no sistema de ensino, confunde-se muitas vezes motivação com facilitismo. Muitos esquecem-se que um aluno motivado e interessado é seguramente um aluno mais próximo do sucesso educativo. Adaptar o ensino não é facilitar a vida a ninguém, se um aluno não trabalhar não deverá ter qualquer tipo de benesse, devendo sofrer as consequências dos seus atos, o mesmo se passa nas questões comportamentais.

A escola pode ser um espaço onde alunos e professores queiram estar, o que muitos não compreendem, é que alunos mais motivados tornarão a vida do professor muito mais fácil. Insistir num modelo gasto, completamente desajustado aos estímulos extra escola, é lutar contra uma corrente que não mudará mais o seu sentido. Estamos a gastar energias em algo que já passou há muito o ponto de retorno. Não é por passarmos o tempo a queixarmo-nos, querendo punir pais e alunos de todos os males da escola, que devemos ignorar o facto que muita da resistência existente, é a resistência de nós próprios em aceitar o inevitável…

Enquanto miúdo, gostava muito de ter frequentado uma escola diferente, uma escola mais transversal, que tivesse apostado mais no trabalho prático e útil do que o “marranço” a todo o custo. As horas que passei a “empinar” matéria serviu-me para quê? Quantas dessas horas já foram despejadas na “memória do esquecimento”? Muitas…

Quando falo numa necessidade de mudança, falo num ensino que prepara os seus alunos para as tecnologias que vão sendo cada vez mais importantes no nosso dia a dia, que incentive o trabalho cooperativo e criativo, que torne os alunos pró-ativos na resolução de problemas, que os leve a optar por estilos de vida salutares e com elevados padrões éticos e morais.

Uma escola tem como principal objetivo preparar o aluno para a sociedade, a sociedade mudou, por muito que nos custe, a sociedade mudou, e a saudade não muda o futuro… De que adianta uma escola que prepara alunos para uma sociedade que já não existe? De que adianta???

Alexandre Henriques

2 COMENTÁRIOS

  1. Concordo, este aspeto, perfeitamente consigo: é melhor se a escola for motivadora.
    A sociedade pode mudar, dar trinta voltas, agora o conhecimento não… Muito, ou quase tudo, do que sou foi a escola que me ensinou… Sei lições de Ciências Naturais completamente de cor, consigo lembrar-me de trechos de obras clássicas.
    Mas acha que aceder a um click no Google é conhecimento? Acha que há alguma novidade se tiver de aprender Latim, Grego, de ler as grandes obras que moldaram a Humanidade? Acha que vai ser fácil, ler os grandes clássicos da literatura; da Filosofia ? Acha que carrega num botão e compreende, por magia, o tratado Logico-Philosophicus??? Mas, é claro, tudo poderá ser uma seca e será preferível viver ignorante…
    Para mim nada disso foi uma seca: eu aprendi menos do que podia porque não soube aproveitar os grandes mestres que tive…
    Acreditar que a tecnologia traz conhecimento, ou que se pode aprender determinadas matérias sem muito suor, é um delírio de uma pequena parte do Mundo Ocidental… É também absolutamente falso!
    Vou-lhe dizer mais… o Oriente, os países que inventaram o zero, estão de novo a voltar a ser o que sempre foram… Com certas teorias vamos ser atropelados , sem apelo nem agravo, por indivíduos habituados ao esforço dedicado e onde falhar na Escola é uma vergonha familiar e coletiva… Sabe há quantos anos a China tem exames para admissão para cargos dentro do Estado??? Olhe à sua volta… Acha que o Mundo está para festas??? Acha que alguém se vai importar com as nossas angústias, e as dos nossos entediados rebentos, que acham a escola uma seca??? A vida é dura… e no final até parece que se morre… O hedonismo está a amolecer gerações inteiras… Protestam por estar na Escola enquanto uma boa parte do Mundo se acotovela por sobreviver diariamente !!!
    Sem conhecimento não seremos nunca verdadeiramente livres… seja ele uma seca ou não!!!

  2. “Sem conhecimento não seremos nunca verdadeiramente livres… seja ele uma seca ou não!!!”

    Escreve Rui Pereira. E estou totalmente de acordo.

    Quando se é jovem, a escola tende a ser “uma seca”, excepto a convivência com os colegas. Por isso se ouve “Eu gosto da escola”, mas……

    Pode-se e deve-se tentar, enquanto professores, diminuir essa “seca”. Mas geração, atrás de geração, a escola será sempre 1 “seca”.

    Até um dia em que olhamos para trás e pensamos de modo diferente.

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