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França estuda hipótese de proibir telemóveis em escolas para combater a indisciplina e o bullying

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Tal como cá, os telemóveis já são proibidos mas podem ser utilizados se o professor autorizar. O Presidente Francês, além de defender a redução do número de alunos por turma para uns fantásticos 12 alunos, também referiu na sua campanha que os telemóveis devem ser totalmente banidos das escolas.

Parece-me que tal como em França já passámos o ponto de não retorno nesta questão dos telemóveis. Sinceramente não sei se valerá a pena gastar tantas energias numa “guerra”  que há muito foi perdida.

O Estatuto do Aluno até inclui quatro alíneas nos deveres do aluno sobre este assunto, a saber:

q) Não transportar quaisquer materiais, equipamentos tecnológicos, instrumentos ou engenhos passíveis de, objetivamente, perturbarem o normal funcionamento das atividades letivas, ou poderem causar danos físicos ou psicológicos aos alunos ou a qualquer outro membro da comunidade educativa;

r) Não utilizar quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente, telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas ou reuniões de órgãos ou estruturas da escola em que participe, exceto quando a utilização de qualquer dos meios acima referidos esteja diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e seja expressamente autorizada pelo professor ou pelo responsável pela direção ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso;

s) Não captar sons ou imagens, designadamente, de atividades letivas e não letivas, sem autorização prévia dos professores, dos responsáveis pela direção da escola ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso, bem como, quando for o caso, de qualquer membro da comunidade escolar ou educativa cuja imagem possa, ainda que involuntariamente, ficar registada;

t) Não difundir, na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola;

Não é por estar legislado que os alunos não levam telemóveis para as escolas, não é por estar legislado que os alunos deixam de filmar quem quer que seja e/ou tirar fotografias não autorizadas. A relação aluno/professor, a relação direção/aluno, a relação de pais com filhos, é muito mais importante que a legislação em si.

Sou da opinião que o telemóvel pode e deve ser integrado nas aulas sem complexos, acredito, até porque já experimentei, que os alunos ficam muito mais interessados na aula pois adoram mexer em tecnologia. Claro que como em tudo na vida, a oportunidade de usufruir de algo traz responsabilidades acrescidas, o incumprimento dessas responsabilidades só pode ter um destino, o fim desse privilégio e do voto de confiança que foi proporcionado.

O problema está numa sociedade que evoluiu demasiado depressa e que nem a escola, nem os próprios pais, foram capazes de acompanhar o ritmo louco das tecnologias e dos mais novos.

A culpa do atual estado das coisas deve por isso ser repartido pelos prevaricadores e pelos orientadores, neste caso da falta deles…

Mas como em tudo na vida, em cada ação há uma consequência… Boa ou má… Apliquemos este princípio e estaremos seguramente no bom caminho.

 

O ministro da Educação francês Jean-Michel Blanquer deu início um debate público sobre a proibição de celulares nas escolas, tentando implementar uma das propostas de campanha do presidente Emmanuel Macron.

Em entrevista à revista Express, o ministro sugere que os alunos podem ter que deixar seus celulares em cofres ao chegarem à escola.

“Nas reuniões de gabinete, deixamos nossos celulares em cofres antes de nos reunirmos. A mim me parece que isso pode ser possível em qualquer grupo humano, inclusive na sala de aula”, disse ele na entrevista, publicada nesta terça-feira.

Macron, de 39 anos, incluiu a proibição aos telefones para todas as escolas dos níveis fundamental e médio em seu manifesto, antes de vencer as eleições em maio.

Especialistas e sindicatos apontaram que o uso do aparelho celular em sala já é proibido na França, apesar de pesquisas indicarem que muitos alunos admitem ter quebrado essa regra.

Alguns professores acham que os telefones são fontes de distração e indisciplina e podem ser usando para cyberbullying na escola, enquanto outros acreditam que podem ser aproveitados para propósitos educacionais – sob controle rigoroso.

Um dos maiores grupos que representam pais de alunos franceses, conhecido como Peep, disse estar cético de que a proibição vá ser implementada.

“Não achamos que seja possível neste momento”, disse Gerard Pommier, líder do Peep, à imprensa nesta quarta-feira.

“Imagine uma escola média com 600 alunos. Eles vão colocar todos os seus telefones em uma caixa? Como vão guardá-los? E devolvê-los no final?”, questionou.

Fonte: ISTOÉ

8 COMENTÁRIOS

  1. Começam a surgir os primeiros estudos sobre o uso, contínuo, de telemóveis e afins… As conclusões são notáveis…
    O melhor é achar que não há nada fazer e deixar correr… estamos a falar de conclusões manifestamente graves…
    E sim haverá medidas mudar este estado de coisas até porque a alternativa não é bonita!
    Tem razão o Presidente Francês.

  2. Eu, pelo contrário, autorizo, em determinadas actividades, o uso de telemóvel.

    E estou a ver que resulta.

    Estou tb a observar que, ao usarem o dito cujo para aprenderem, o resultado é não o utilizarem tanto às escondidas e para outros fins.

    Vou continuar a experimentar.

  3. Este é o objetivo; este é o objetivo..

    Para Arturo Pérez-Reverte, o processo em causa “transcende a Catalunha, é um problema da Espanha atual e do mundo atual, que é a “falta de Cultura”.

    “Quando se criam gerações de jovens sem memória histórica, quando a História desaparece das escolas, os jovens são presas fáceis e manipuláveis pelos sem-vergonha e medíocres e canalhas da política. É um problema de cultura, na Catalunha, como em toda a Europa, é um problema de cultura, porque sem cultura, sem jovens e nações cultas é impossível que algo funcione bem na Europa, falo de Portugal, de Espanha e do resto da Europa”, disse.
    Entrevista ” Sapo 24”

  4. Na minha opinião não faz sentido proibir os telemóveis. São ferramentas muitissimo úteis e deixar de os usar nas escolas é a mesma coisa que dizer que não podemos usar livros ou microscópios. Os alunos deveriam aprender a usá-los, como aprendem a usar as outras ferramentas. É que os telemóveis têm imenso potencial, mas tal como tudo as pessoas precisam de aprender a usá-los para aprenderem mais e trabalharem de forma mais eficiente.

    Os alunos que se distraem agora com telemóveis vão distrair-se depois com outra coisa qualquer (na minha altura, quando não havia telemóveis, atiravam-se papelinhos mastigados aos colegas com canetas…será melhor?).
    E quanto ao cyberbulling, não percebo como proibir os alunos de usarem os telefones em frente dos professores nas aulas pode ajudar. Afinal é admitir que os telemóveis só servem mesmo para questões pessoais e não para trabalhar.

  5. Claro que não devem utilizar telemóveis na sala de aula. Se o estatuto diz que não, ponto final. Além do mais A questão aqui é uma questão de desobediência as normas são para serem cumpridas quer por alunos quer por professores. Eu sou professor e nunca me viram com um telemóvel na mão numa sala de aula ( devo ser eu que sou trengo ) e não permito que os alunos os usem (se é proibido). Enfim cada um pensará como quiser e depois andam videos na net de agressões os professores a serem gozados e a serem filmados. Oxalá a vossa permissividade não se vire contra vós.

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