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Flexibilização a todas as escolas e fim dos exames como meio de acesso ao Ensino Superior

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É apenas uma questão de tempo…

A OCDE veio a Portugal e foi amiga do atual Ministério da Educação. Além de defender a massificação do projeto de Flexibilização Curricular, encorajou o fim dos exames como meio de acesso ao Ensino Superior.

Se a posição do Ministério da Educação é conhecida quanto às intenções de alargar a Flexibilização a todas as escolas, a sua opinião sobre os exames é menos descarada digamos assim. Porém, as mais recentes declarações do Ministro da Educação sobre os rankings escolares e a conhecida linha de pensamento do Secretário de Estado João Costa, baseada em autonomia, flexibilização e um ensino mais transversal para a formação do aluno, apontam claramente para incompatibilidades entre o que existe e o que se pretende…

OCDE defende fim dos exames no secundário como meio de acesso ao superior

(Clara Viana – Público)

O director do Departamento de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Andreas Schleicher, manifestou nesta sexta-feira a esperança de que Portugal acabe “por deixar cair” o sistema de exames nacionais ligado ao acesso ensino superior, uma realidade que identificou como um dos “principais problemas” do sistema educativo português, pela pressão que exerce sobre professores, alunos e famílias e pela uniformização do ensino que promove.

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“Porque é que os estudantes portugueses estão sempre muito mais ansiosos do que os colegas dos seus países?”, questionou Schleicher a propósito dos resultados das entrevistas realizadas a jovens de 15 anos no âmbito do PISA, os testes da OCDE que avaliam a literacia dos alunos naquela idade. Os portugueses ficam sempre acima da média quando se trata de ansiedade. Seja quando começam a estudar ou quando vão fazer um teste ou em muitas outras situações.

E como reduzir esta ansiedade? “O professor adaptar as aulas às necessidades da minha turma e aos seus conhecimentos.” Esta foi uma das respostas reveladas por Schleicher, acrescentando que assim também se pratica a flexibilidade curricular.

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Na sessão desta sexta-feira, Schleicher indicou que a equipa da OCDE que está a avaliar o projecto de flexibilidade curricular ficou “muito impressionada” com as mudanças que já encontrou nas escolas que visitaram em meados de Janeiro. E deu a conhecer que uma das recomendações da OCDE é precisamente a de que Governo cumpra a promessa de no ano lectivo de 2018/2019 alargar a todas as escolas este projecto, embora mantendo o seu carácter voluntário, de modo a assegurar “equidade e um acesso igual a todos os estudantes”.

Balanço da flexibilidade curricular: alunos estão mais motivados, mas a avaliação ainda é um problema

(Clara Viana – Público)

O investigador da Universidade Católica, Joaquim Azevedo, é um dos consultores desta experiência. “Nas visitas que tenho feito às escolas, os alunos têm falado de aprendizagens mais ricas, de um conhecimento mais profundo. Estão mais motivados e isso é fundamental”, disse, para frisar de seguida que “a motivação para o trabalho escolar é uma missão da escola”.

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Luísa Pereira explica que as aulas sequenciais têm sido frequentemente utilizadas com este projecto. Isto significa, explica, que há um mesmo sumário para as várias disciplinas envolvidas, cabendo a cada professor dar o contributo da sua área para a compreensão de um mesmo fenómeno. “No ensino secundário temos sentido dificuldade neste projecto por causa da pressão dos exames nacionais. É menos polémico noutros ciclos. Estamos face a uma mudança de paradigma muito grande. É um caminho que vamos ter de fazer devagar”, comentou

(…)

No Agrupamento de Escolas de Azeitão já têm conseguido “diversificar instrumentos de avaliação”, substituindo nalguns casos as notas dos trabalhos por uma exposição de avaliação do desempenho dos alunos, conta o seu responsável Fernando Ribeiro.

Quase 50 mil alunos envolvidos em projectos de autonomia nas escolas

(LUSA via DNotícias)

Quase 50 mil alunos estão a participar em projectos de autonomia nas suas escolas, que mudaram as formas de ensinar e avaliar os estudantes para os cativar e, assim, combater o insucesso escolar.

O Ministério da Educação lançou, há dois anos, um projecto de autonomia que veio dar aos professores e directores a liberdade de decidir o que fazer com 25% do tempo de aulas. O projecto começou a ser aplicado este ano e aderiram 6.832 docentes de quase 220 escolas.

Este ano, há escolas com novas regras na sala de aulas, outras criaram novas formas de ensinar ou de avaliar os seus alunos, explicou o secretário de estado da Educação, João Costa, à margem do encontro nacional sobre autonomia e flexibilidade, que está a decorrer em Lisboa.

João Costa contou que há escolas que decidiram “fugir à avaliação feita só com testes” e agora os alunos fazem também apresentações orais, desenvolvem projectos interdisciplinares e projectos fora da escola que contam para a avaliação.

Outras escolas decidiram que, uma vez por semana, há um dia em que alunos e professores trabalham em conjunto um projecto e outras escolas que fizeram parcerias com instituições ou personalidades, que pode ser o encarregado de educação de um dos alunos, que são convidados a dar uma aula, até porque “trazer pessoas de fora quebra a rotina”, sublinhou.

Nos últimos meses, o secretário de estado visitou estabelecimentos de ensino e participou em reuniões de trabalho e garante que o feedback é positivo: “Alguns alunos diziam que achavam a escola aborrecida mas hoje, porque estão a trabalhar de forma diferente e vêem os professores comprometidos, dizem que querem aprender”.

Ainda recentemente, João Costa esteve numa sala de aula de Física e Química de alunos do 10.º ano que estavam a construir um pequeno robot. “Um dos alunos dizia-me assim: Eu, no ano passado, fiz isto e não percebi nada e este ano estou a aprender tudo muito rapidamente”, recordou.

O grande objectivo deste projecto é conseguir combater as elevadas taxas de insucesso escolar, criando uma escola onde ninguém fica para trás, sublinhou.

“O problema complexo que temos na origem deste projecto é o problema do insucesso escolar. É saber que há alunos que não apreendem e que a percentagem não é residual e, sobretudo, que o insucesso escolar é um problema de justiça social. São os mais pobres que não aprendem, são aqueles a quem ainda não conseguimos chegar e são aqueles a quem é mais difícil de chegar. É mesmo muito difícil”, afirmou no discurso de abertura do encontro, que reúne em Lisboa especialistas em educação, mas também professores de todo o país e alunos de algumas das escolas envolvidas no projecto.

O secretário de estado lembrou ainda a opinião de vários sociólogos de educação que defendem que “as medidas de carácter geral atingiram o limite da sua eficácia” e agora é preciso trabalhar tendo em conta a necessidade de cada aluno e de cada realidade escolar: “Se nada fizermos, nada piora mas também nada melhora. Ou seja, os excluídos continuam a ser os excluídos e os incluídos a ser os incluídos”.

João Costa salientou ainda a qualidade dos projectos de alguns docentes que são surpreendentes e que não seriam possíveis “nem nos melhores dias de trabalho de gabinete” do ministério.

O projecto que está em curso envolve 46.910 alunos, segundo dados apresentados por José Vitor Pedroso, que apresentou alguns dados de acompanhamento e monitorização do projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular.

A quem acusa este novo projecto de ser facilitista, João Costa responde: “A escola facilitista é a que põe de fora aqueles a quem é difícil ensinar. Isso é que é mais fácil: é excluir a exclusão é o processo mais fácil. Difícil é trabalhar com alunos que chegam à escola sem estímulos, sem motivação, com fome, com frio. Difícil é trabalhar com eles. O facilitismo está na exclusão. É mais fácil dizer: “não aprendeste chumbaste”.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Conversa da treta: ” O problema complexo que temos na origem deste projecto é o problema do insucesso escolar. É saber que há alunos que não apreendem e que a percentagem não é residual e, sobretudo, que o insucesso escolar é um problema de justiça social. São os mais pobres que não aprendem, são aqueles a quem ainda não conseguimos chegar e são aqueles a quem é mais difícil de chegar. ”
    Eu tenho uma solução! Não atire para a Escola Pública o que compete à política: aumente o rendimento às famílias e acabe com as desigualdades sociais. Tudo resto é conversa fiada e atirar para as escolas o que compete à política é , no mínimo, demagógico, para não lhe chamar nomes mais feios… Elas, Escolas, podem mascara-lo com políticas de cosmética; mas a montante o problema: DESIGUALDADE , continuará lá: com ou sem João Costa! Brincar às escolas, diminuir as exigências; sucesso à força não vai mudar a VERDADE!
    “No ensino secundário temos sentido dificuldade neste projecto por causa da pressão dos exames nacionais. É menos polémico noutros ciclos.” Claro que estão , já não podem carimbar a ignorância com o selo do conhecimento!!!
    O senhor Andreas Schleicher é um homem preocupado com a ansiedade dos alunos portugueses, já não preocupa nada o facto dos alunos Finlandeses, apesar de tanta hossana, aparecerem entre os alunos mais infelizes , em relação à escola…. Muito menos o parece preocupar Singapura, que tanto elogia, onde há tanto exame , e se aprende a custo de bastonada…
    Nada melhor para o provincionismo lusitano que um tipo de nome estrangeiro, muito moralista, ao serviço da nova ordem da economia capitalista e de uma reorganização do trabalho!

      • Claro que concordo. Acho que o acesso ao Ensino Superior devia ter, também, outros registos avaliativos (existem vários bons exemplos ) e , talvez, uma entrevista de aptidão (sempre perigosa por ser susceptível a interpretaçoes… e pressões!)
        O que me custa a entender é o argumento que quem estuda para o exames , e é bom aluno, não tem a supostas competências, soft -skills e toda essa tralha pós-moderna…
        Já o escrevi várias vezes: o que se prepara é uma revolução no mercado de trabalho e, mais grave, nos direitos dos trabalhadores! É preciso , querem estes senhores, trabalhadores domesticados e em precaridade absoluta, e que isso seja uma normalidade…
        Esteja atento Alexandre Henriques às próximas propostas de alguns delfins no próximo congresso do PSD… Uma delas é a instituição de um RM , universal! Os comissários do capitalismo internacional viraram bonzinhos de repente? Temos de ler o Mundo para além das salas de aula (desculpe lá a soberba e a pretensão…)!

        • Eu vejo professores, diretores e alunos que só pensam em exames. A escola não deve ter como principal objetivo os exames. Esta é a realidade!

          • Os resultados dos exames ainda são, para muitos alunos e pais, a única esperança de aceder a um curso que permita fugir à pobreza do empregozinho precário pago pelo miserável SMN ou do desemprego. Se acabarem os exames todos entrarão em medicina, em engenharia aeroespacial e noutros cursos que ainda garantem, aqui ou lá fora, acesso a um emprego melhor remunerado? Existirão outros exames, quiçá mais exigentes, apenas serão transferidos das escolas, que poderão finalmente garantir o sucesso a todos, mas esse sucesso servirá para quê? Há já sei, para fazer os alunos felizes, isentos de pressões, resta saber se isso lhes garantirá um futuro igualmente feliz.
            Uma franja de alunos, e de pais, vai continuar a investir tudo o que puder para alcançar o objetivo de entrar numa Universidade que ofereça mais garantias em termos profissionais futuros, é assim pelo mundo fora, se não for na escola pública será noutro lado, talvez na privada, se tiverem carteira. Isso tornará a sociedade menos desigual ou mais desigual?

  2. O senhor Andreas Schleicher é aquele senhor da OCDE responsável pelos TESTES altamente padronizados do PISA que comparam realidades incomparáveis? Não? Ah, bem me parecia…

  3. Uma das coisas que também amo é professores catedráticos, sisudos, que se levam muito a sério, a atestarem a validade da experiência flexível por impressões e ”achismos” , em geral… aliás, a validade da ” coisa” é feita por visitas breves e impressões gerias dessas visitas e conversinhas com alunos… Pois eu acho exatamente o contrário, e alguns colegas que participam no milagre… Ainda acho que o meu relvado é o mais bem aparado da minha rua!

  4. Contra a ignorãncia e a tentativa de uma ”educação da treta” aconselho a leitura de Alberto Royo, e a leitura do seu livro ” Contra la Nueva Educacion”.
    “Las nuevas tendencias progresistas niegan el derecho a la educación a los más desfavorecidos”
    “Contra la nueva educación” es el libro del español que interpela la idea de que la igualdad es el punto de llegada y no de partida: “Hay que garantizar que cada uno llegue tan lejos como su capacidad y esfuerzo le permitan”

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