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Flexibilização Pedagógica | Novidades (Atualizado)

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Eis as que ainda não se conheciam:

  • Redução da carga letiva no 3º e 4º ano do 1º ciclo, passando de 27 tempos para 25, incluindo o Inglês e os intervalos.

 

  • Total autonomia para as escolas: aulas partilhadas por professores de diferentes disciplinas, aulas trimestrais ou semestrais, horários semanais, fusão momentânea de disciplinas, parte do tempo da disciplina para desenvolver projetos, as escola e os professores decidem.

 

  • Os estudantes do ensino profissional poderão também substituir uma das suas disciplinas por outra do ensino regular, caso necessitem de fazer exame a essa disciplina.

 

  • A área de Tecnologias de Informação e Comunicação voltará a constar da matriz curricular de todos os anos de escolaridade.

 

  • Introdução da área da cidadania no 2.º e 3.º ciclos e mais tempo às expressões físico-motoras e artísticas no 1.º ciclo

Olhando ainda para o 1.º ciclo, haverá mais horas dedicadas às expressões físico-motoras e artísticas. Atualmente estas garantem um mínimo de três horas na componente letiva e passarão a ter cinco.

Secretário de Estado João Costa

E fica a garantia…

Não haverá redução do número de horas em disciplinas específicas, nomeadamente em disciplinas como português e a matemática. Do que estamos a falar é da possibilidade de gerir a carga horária — que se vai manter igual para projetos educativos — para haver trabalho interdisciplinar, multidisciplinar e dedicação a temas em concreto.”

Secretário de Estado João Costa

E como é que as escolas vão gerir os 25% do currículo?

Num primeiro cenário, a escola poderá optar por fundir disciplinas. Por exemplo: os professores de História e Português podem juntar-se para ensinar aos alunos o tema dos Descobrimentos, que é abordado nas duas disciplinas. Também pode acontecer que os professores de Físico-Química e Ciências Naturais ou de História e Geografia trabalhem em equipa, articulando-se de forma a que os alunos durante uma semana tenham apenas uma das disciplinas e na semana seguinte a outra. São exemplos. “Não tenho ninguém a perder minutos nem horas”, garantiu o secretário de Estado da Educação.

Outro cenário: a escola está organizada com horários semanais e desde o início ao fim do ano, as semanas são sempre iguais. A ideia é que, com esta autonomia, as escolas possam, por exemplo, a meio de um período, interromper a rotina e dedicar uma semana ao estudo e discussão de um tema interdisciplinar, de preferência da atualidade, como por exemplo, a crise dos refugiados, a União Europeia, ou outro. “E para isto vão concorrer todas as disciplinas”, explicou João Costa, com cada uma delas a dar o seu contributo para o tema.

Um terceiro modelo de flexibilização passaria por dedicar uma parte do tempo letivo de uma disciplina para desenvolver projetos. Este esquema seria aplicado por todas as disciplinas, em momentos diferentes, ao longo de todo o ano. “A carga horária da disciplina não é afetada, é aproveitada de forma diferente.”

 

Ou ainda, e tal como já tinha falado na Comissão de Educação, optar pela trimestralização ou semestralização de algumas disciplinas.

Flexibilidade curricular muda no próximo ano letivo

(Antena 1)

Alunos do secundário vão poder escolher opções de outros cursos

(JN)

“Flexibilização pedagógica” só em algumas escolas no próximo ano lectivo

(Público – Clara Viana)

Próximo ano letivo: Governo explica o que muda e o que fica igual

(Observador – Mário Caldeira)

Além das novidades que agora se conhecem, a sessão de esclarecimento serviu também para “bater o pé” à ideia de recuo e à confirmação que as escolas-piloto (50) vão avançar a convite da Tutela, os manuais escolares serão os mesmos, bem como os programas. A justificação pelas escolas-piloto e implementação da reforma no início dos ciclos, deve-se à necessidade de dar tempo para testar estas alterações e só mais tarde massificá-las.

Há que “dar tempo” às escolas para evitar corrigir erros com novos erros

(Notícias ao Minuto)

“Disse várias vezes que as escolas precisam de respirar, de paz, de tranquilidade”, respondeu António Costa no parlamento, salientando que entre 2011 e 2015 houve sete alterações, quer de metas quer de currículos.

Reconhecendo que “nem todas essas mudanças foram pacíficas” e que “é legítimo” que muitos queiram rapidamente corrigir o que foi feito, o primeiro defendeu, contudo, “que um erro não se corrige com novo erro”

“Se houve nos últimos quatro anos excesso de alterações, o pior erro era haver agora novo excesso de alterações para corrigir o excesso de alterações”, disse, sublinhando que é necessário “dar tempo” para avaliar o que foi feito.

 

Mas ainda ficaram algumas dúvidas…

Como será a avaliação desta nova autonomia? Quando saberemos quais as matérias essenciais e quais as facultativas? Quais as matérias essenciais e facultativas? Irá incluir todas as disciplinas? Haverá formação de professores para as 50 escolas-piloto? Durante quanto tempo será a fase de teste?

Houve um avanço? Sim… É um avanço prudente? Também… Foi o possível? Talvez… Fiquei entusiasmado? Até que as alterações cheguem à minha e restantes escolas do país, já nem governo, nem ministro, nem secretário de estado pode haver… E isso deixa-me efetivamente preocupado pois não existe um pacto parlamentar que dê estabilidade a esta ou qualquer reforma.

 Alexandre Henriques

19 COMENTÁRIOS

  1. Espetacular reforma. Essa treta do trabalho cooperativo e de projeto e por temas é ”velho e relho”, mas alguns insistem que isso é que é inovar… Paciência… O Paulo Guinote já demonstrou, com documentos, do século XX , a vetustez da coisa , mas parece que não adianta nada… Continuam com a conversa fiada que aprender por disciplinas é uma coisa bué de ultrapassada e não saem dali…
    No essencial não mexem em nada. Nada de mudar de metas, nada de aliviar carga horária para as chmamadas disciplinas sérias, mais grave, nenhuma redução da carga letiva dos professores… Apesar disto querem colocar tudo, ou , para já , umas quantas escolas escolhidas a trabalhar por temas e com a envolvência dos desgraçados dos docentes… Horas para realizar esta articulação? Redução de metas para a pressão de dar os programas ser menor? Não, isso não… Ou seja fica tudo na mesma e prevê-se um largo manancial de reuniões e de grelhazinhas de articulação interdisciplinar… Ou seja: perder imenso tempo para resultados escassos. Quem se irá tramar são os professores… Pode a criancinha não saber ler, pode não saber contar, pode não ter raciocínio crítico, mas aprendeu através de temas. É bonito e moderno … os resultados… logo se vê…
    Quem está frito são verdadeiramente os professores que continuam com as metas do professor Nuno Crato mas com a perspetiva supostamente moderna do secretário de estado…
    Se queriam fazer verdadeiramente uma reforma desta natureza tinham obrigatoriamente de mexer na carga letiva dos professores e nos currículos… Desta forma apenas adivinho um pequeno inferno de reuniões…
    P.S..Chegaram-me às mãos algumas fichas de avaliação do 1º ciclo… Com as novas provas de aferição a Expressões há agrupamentos a fazerem uma espécie de testes padronizados para estas áreas, e já se treina afincadamente para a Expressão Motora… Brilhante!

        • Tão antigas quanto a Área-Escola, a interdisciplinaridade, a transversalidade do currículo… Aquilo que vivemos nos anos 80/90 e de que nos fartámos. Trabalho de equipa no 1.º Ciclo significa partilha entre gente cada vez mais individualista, e reuniões intermináveis, até se atingirem ‘possíveis’ consensos.
          Seria muito positivo se não existisse toda a envolvente de indisciplina, problemas comportamentais e dificuldades de aprendizagem cada vez mais frequentes. E como se diz em linguagem popular, ‘o tempo não é elástico’!
          Por que é que em cada mudança, nunca se parte de um diagnóstico real da situação? Assim, “não há mudança que mude”!

    • O meu problema como professora, durante 20 anos, foi desconhecer imensas realidades alternativas no que toca à pedagogia que há pelo mundo fora, tanto ao níivel teórico como ao nível prático. Por exemplo, as escolas democráticas onde são os alunos que fazem o seu programa ( que eu saiba a mais antiga tem 100 anos) ou as escolas ativas e modernas (como por exemplo o Movimento Escola Moderna ou a Greenschool em Bali,), onde o aluno aprende fazendo, agindo, aplicando na prática e intervindo no seu contexto.
      Por exemplo, desconhecia o modelo pedagógico da Escola da Ponte, onde os professores trabalham sempre em interdisciplinariedade e nunca estão sozinhos numa sala com alunos; onde os alunos trabalham sempre de forma autónoma e por projetos e gerem o seu próprio percurso autonomamente; onde os horários de professores e alunos não estão estruturados pela lógica do toque de entrada e saída a cada 50 (ou 90 minutos); onde os problemas são resolvidos e as decisões tomadas pelos próprios alunos em assembleia de escola, órgão que eles próprios dirigem… em suma, onde muito mais do que aqui é proposto às escolas é uma realidade diária de professores e alunos…
      Falo da Escola da Ponte como poderia falar de muitos outros projetos pedagógicos em escolas que não alinham na lógica da disciplina, da aula, do processo centrado no professor, mas pelo contrário o fazem na lógica do aluno. Vejam mais recentemente o caso do modelo pedagógico do Colégio de S. José em Coimbra. (Ah pois mas esse é privado por isso não conta…) E não falei da Finlândia de propósito…
      Sim, muitas destas coisas são antigas. E há 20 ano atrás, eu, professora do ensino público, não sabendo dessas e doutras realidades reagiria como estão muitos professores a reagir, pois não saberia que é mesmo possível ensinar e aprender sem aulas, sem turmas, sem horários, sem currículos pré-definidos, sem planificações únicas para todos os alunos de uma escola (ou até de um país).

      Felizmente hoje, eu, professora do ensino público, sei que há outras escolas diferentes daquelas por onde passei nestes 20 anos e aquilo que nos é proposto parece-me menos impossível e mais desejável, parece-me menos um retrocesso a coisas antigas e mais um avanço a coisas antigas que já tivémos e que deviamos ter sabido aproveitar. Eu não o soube aproveitar por mera ignorância, confesso.
      O problema agora é, para mim, como fazer com que uma classe inteira de gente envelhecida, esgotada e viciada em fazer o mesmo há várias décadas, perceba que é possível fazer de outro modo, como levar os professores a perceber que muitos dos problemas que encontram nas escolas, desde a indisciplina ao insucesso, passando pelas dificuldades de aprendizagem, são o reflexo de métodos de trabalho desadequados e ultrapassados e que uma boa parte da solução para tais problemas passa por medidas destas.

      • Mas por ser assim o ensino é melhor? Há mais conhecimento? É só por não haver disciplinas que é bom? Não são os alunos que constroem o seu conhecimento… Aprendem , tal como todos nossos, o que outros viveram ou pensaram; o que os grandes cientistas experimentaram; o que os grandes poetas escreveram… Tudo o resto são truques de método!
        A própria escrita, a manuscrita, é o espelho do próprio Homem à procura… Na Escrita está o desenho da Humanidade que busca o que é perene… Surgiu Há milhares de anos no Oriente Médio, nas primeiras cidades… Alguns dizem que está obsoleta porque há computadores… Às vezes parece que nada percebem: dividem o Mundo em dois e estão sempre na boa, iluminada…

        • É melhor é. Não é só uma questão de método ou de caminho para chegar ao mesmo.
          É melhor porque desenvolve outras competências, envolve mais inteligências para além daquelas que a escola normalmente exige (a linguística e a lógico-matemática) e ao fazê-lo ajuda os alunos a descobrir em que é que são bons e quais as suas capacidades, em vez de convencer uma massa enorme da população de que são burros e incapazes.
          É melhor pois que os alunos não aprendem só com a cabeça, não aprendem só a decorar e a repetir o que lhes ensinam (pelo menos até ao dia do teste)… pelo contrário, aprendem a aprender por eles próprios, aprendem a pensar por si mesmos e a aplicar o que aprendem, em vez de perguntarem para que serve aquilo que aprendem.
          É melhor porque aprendem a conviver, a procurar soluções, a ter voz, a decidir em conjunto, a cooperar e a assumir responsabilidades. E claro que é precisamente disso que este mundo precisa.

          Não meu caro, não só uma questão de método… é mesmo uma questão de saber que raio de gente forma esta escola… papagaios sem espírito crítico nem de iniciativa, que deixam que tudo lhes seja feito sem protestar ou contestar, ou cidadãos participativos e exigentes consigo mesmos e os outros.

          Claro que se toda a gente fosse assim, gente que nada percebe de pedagogia não andaria por aí a dizer, comentar e decidir políticas educativas…

          • Não faço ideia do que é isso de ´´envolver mais inteligências”, peço desculpa pela minha ignorância… Essa do ”aprender a aprender” já ouvi…mas não percebo…. Lá está…
            Diga-me , por favor, posso ler as ” Histórias” do Políbio , e saber Grego e Latim, construindo o meu próprio conhecimento; ou tentar compreender a ” Fenomenologia do Espírito” sem ”marrar” duramente e ter um bom Mestre?…
            Não vou entrar num campeonato de pedagogia … Mas tenho uma ”ideiazita” sobre algumas coisas… Sabe… é que frequentei um uma velha instituição confessional, uns que foram expulsos pelo Marquês, mas voltaram, e, havia lá uns velhos de batina, teimosos e arcaicos , que insistiram em matraquear-me coisas que ainda andam aos tombos na minha cabeça.
            Bem sei que não tenho sentido crítico, como os que sabem muita pedagogia, mas ainda ”enfolinei”, acriticamente, claro, uns quantos clássicos que me vão valendo neste mar de modernidade!

          • Concordo plenamente! Não há disciplinas, há momentos integrados de saberes, tal como no futuro deixará de haver profissões para dar lugar a competências! Apoio esta flexibilidade e autonomia nas escolas e na educação.

        • Com estas mudancas eles nao ficam impedidos de “marrar”. Espera-se que até fiquem mais motivados. A escola de hoje tem de ser para os jovens de hoje. Eles sao diferentes de nós, pois cresceram num mundo diferente daquele em que nós crescemos. Muito diferente. A educacao funcionará melhor se for possível envolver os alunos e responsbilizá-los ao longo de todo o processo.

      • Concordo. Até porque frequentei uma escola … há 30 anos, onde muitas destas coisas já se faziam! O problema por cá está no poder central … just another brick in the wall 😐

      • Adorei o seu comentário! É TB isto que falta na classe: humildade em reconhecer. Por outro lado, a falta de vontade de aprender e experimentar algo novo. Compreendo que estamos fartos de reformas da treta e com toda a razão, mas há que abrir a mente para novos desafios. Obg.

  2. …nenhum Sistema Educativo é melhor que os seus professores!!! Os Sistemas Educativos deven ser un pacto social…um constructo feito por todos os portugueses e ser analizado, discutido e aprovado como projeto de lei por a Asambleia da Republica!!!

  3. Com a devida vénia ao Cientista Carlos Fiolhais, num texto notável, que era o que eu gostava de escrever, tivesse eu o talento… Bem atual, embora já escrito há alguns anos… Nem de propósito! Voltou tudo ao mesmo..

    OS ERROS DO “EDUQUÊS”

    Carlos Fiolhais

    (Cientista)

    Ficou famosa a invectiva do antigo ministro da Educação Marçal Grilo, quando um dia solicitou que se deixasse de falar “eduquês”, o dialecto cerrado e incompreensível com o qual se tenta justificar o “status quo” educativo, para passarem a falar português corrente que todos entendessem. Estava visivelmente incomodado com a obscuridade de alguns chamados cientistas da educação. A expressão ficou e qualquer dia será dicionarizada.

    O certo é que, sob o manto diáfano dessa prosa, escondem-se por vezes os maiores erros e outras vezes simples vacuidades, que de tão desprovidas de nexo nem sequer erros chegam a ser. Esses erros são responsáveis em larga medida pelo estado pouco mais do que calamitoso da educação nacional, incluindo em particular o ensino das ciências.

    Vale a pena enumerar alguns, quanto mais não seja para impedir disseminações maiores. Uma vez que tal discurso vaporoso é copiado em segunda ou terceira mão de autores bem intencionados mas desligados das realidades ou desactualizados e já foi ou está a ser contraditado noutras paragens, basta citar uma polémica que há poucos anos surgiu nos Estados Unidos. Contra o “eduquês” norte-americano ergueu-se, entre outras, a voz de E. D. Hirsch, Jr., professor na Universidade de Virgínia e autor do “best-seller intitulado “Cultural Literacy”. No livro de Hirsch referenciado em baixo e cujo título em português se pode traduzir por “As escolas que precisamos e por que razão não as temos”, há um glossário que refere os cinco temas maiores do “eduquês”. Vejamos quais são e uma mão cheia de expressões que os sustentam:

    Concepção instrumental da educação: “aprender a aprender”, “aptidão para o pensamento crítico”, “aptidões metacognitivas”, “aprendizagem permanente”.
    Desenvolvimentalismo romântico: “aprendizagem ao ritmo dos alunos”, “escola centrada na criança”, “diferenças individuais dos alunos”, “estilos individuais de aprendizagem”, “inteligências múltiplas”, “ensinar a criança e não a matéria”.
    Pedagogia naturalista: “construtivismo”, “aprendizagem cooperativa”, “aprendizagem por descoberta”, “aprendizagem holística”, “método de projecto”, “aprendizagem temática”.
    Antipatia ao ensino de conteúdos: “os factos não contam tanto como a compreensão”, “os factos ficam desactualizados”, “menos é mais”, “aprendizagem para a compreensão”.
    Estas expressões podem parecer familiares a alguns leitores, nomeadamente aos que frequentaram escolas de educação ou simplesmente seguiram disciplinas educacionais ainda que noutras escolas. É que elas permeiam muito do que aí se transmite. Apesar de algumas poderem fazer sentido de “per si” (encerram algo de trivial), aparecem normalmente mal baralhadas, confundindo quem as ouve ou quem as lê.

    Por exemplo, o “aprender a aprender” (sic) é, em geral, apenas um jogo de palavras que inebria quem as profere. Usa-se também neste contexto o dito proverbial “mais vale ensinar a pescar que dar um peixe”. Nesta concepção educativa, interessa mais o instrumento – a cana de pesca – do que propriamente o peixe. Quem diz isso é capaz de ficar a pescar horas perdidas sem pescar nada, não se importando nada com isso. De resto, quem diz isso parte de um erro: que se pode separar o conhecimento factual da atitude para o adquirir. Como se poderão transmitir atitudes em abstracto sem objectos que as exijam?

    Outro exemplo: a “aprendizagem ao ritmo dos alunos” pretende inculcar a ideia romântica que os alunos se devem desenvolver naturalmente, sem imposições exteriores. Poderá parecer sensata mas é profundamente ingénua. Muita evidência acumulada desde há muito tempo mostra que a imposição pelos professores de objectivos, prazos, níveis de exigência e recompensas adequadas consegue aumentar em muito a aprendizagem dos alunos. Os alunos, abandonados ao seu ritmo, estão definitivamente condenados ao fracasso.

    O construtivismo, por sua vez, é uma doutrina psicológica e sociológica que já conheceu melhores dias. Defende que só as ideias construídas pelo próprio têm consistência suficiente para permanecerem. Há um certo fundo de verdade nessa afirmação, mas é completamente delirante esperar que o menino Joãozinho, que está no nono ano do básico, corra um dia da banheira a dizer “eureka!” tal qual Arquimedes. Podem bem esperar os construtivistas que um aluno construa a lei da impulsão sozinho, ou, a níveis mais avançados, a lei da gravitação universal ou a teoria da relatividade geral.

    Por último, desmontemos a frase que “os factos não contam tanto como a compreensão”. É claro que os factos contam mais se forem relacionados entre si, podendo nós chamar compreensão a essa visão global. Mas estas relações, se forem bem estabelecidas (isto é, comprovadas), são evidentemente novos factos. Portanto, os factos e a sua compreensão são inextricáveis. Como diz Hirsh: “Se a compreensão depende dos factos, é simplesmente contraditório louvar a compreensão em detrimento dos factos”.

    Muito mais se poderia dizer. Poder-se-ia mostrar extensivamente como é absurda uma escola sem currículo, uma escola sem avaliação e uma escola sem o lugar central reservado ao professor. Todo esse absurdo seria inócuo se ele não dominasse quase por completo o Ministério da Educação português e, por osmose, a generalidade das nossas escolas. Não se tratará da influência nefasta de um partido ou de outro, pois todos os partidos que têm passado pelo governo têm decerto culpas no seu cartório. Não haverá decerto uma exclusiva responsabilidade individual de um governante. Mas, no passado, houve ministros que, em momentos de maior clarividência, interpelaram o “eduquês”. E agora?

  4. Muita para e pouca uva. Objectivo central: impedir reprovações e poupar 500 milhões por ano.
    Os alunos que querem aprender continuarão a fazê-lo. Os que querem fumar, charrar, chatear e divagar vão ser aprovados via autonomia curricular, vulgo, passar independentemente de saberem o mínimo dos mínimos.
    Com as aprovações grátis, entre 8 a 10 mil professores passam a ser supérfluos, os mesmos que cavam as suas próprias sepulturas. A classe que deveria instigar o espírito crítico e o conhecimento aos alunos é das mais estúpidas da classe laboral.

  5. Afonso Costa… Disciplinas sérias??? Existe, para si este conceito??? Que tristeza!!! Espero que não seja professor… Vejo aqui tanto Velho do Restelo… que não querem nada de novo.. nada se mude.. nada se experimente… Deixem ver… e depois avaliamos e atuamos.

  6. Velhos do restelo ? É que ainda não me conseguiram explicar, com factos científicos, não com as convicções de Vossas Excelências, que o que pretendem, que ninguém parece saber o que é… é melhor do que existe…
    Digo mais tenho lido algumas opiniões absolutamente patuscas, como aquelas que defendem que se deve acabar, por exemplo, com a História, como já acabaram com a Filosofia… O objetivo, não vislumbro outro, deve ser criar o ”Homem Novo”. Meditação, para acabar com o stress de ser explorado diariamente, competências, em vez de conhecimento, que é bué de chato, e cabecinha sempre alerta para mudar quando o chefe manda, sem pensar muito… afinal foi treinado para o optimismo, para a resolução de problemas, sem arrebitar muito cachimbo, para ser pau para toda a colher…
    Sim, Velho do Restelo e com tendência para piorar, e não sou só eu… Há muitos mais que já não têm idade, nem paciência, para aturar certos disparates !

  7. Tanta filosofia! O sr é professor? Se é, os comentários ficam—lhe mal. Se não é, vá cantar noutra freguesia! Puxa!

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