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Fidget Spinner ou de como quem anda com a cabeça à roda são os profs

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Num ano lectivo a que já assistimos:

  1. à onda do flipping (com certeza deram por ela que as vossas crianças e adolescentes andavam doidas a revirar garrafas de água com o intuito de caírem de pé)
  2. à febre das miniaturas do Lidle e depois à das cartas e à dos peluches dessa e de outras superfícies comerciais…
  3. ao gesto do dabbing para celebrar vitórias, seja um encestamento de basquete, seja o resultado certo no problema de matemática, a epidemia é vê-los de braço estendido e outro dobrado, levado à testa…
  4. ao fenómeno “Chispas!” ou “Chispas duplas!”, jogo em que quando dois miúdos dizem a mesma palavra ou frase ao mesmo tempo, um deles diz “Chispas!” e o outro fica proibido de falar até ordem contrária.

Chega agora a praga dos Fidget Spinners, uma tareco em plástico que se mete nos dedos e gira… para gáudio dos miúdos e desespero dos graúdos!

Criado por Catherine Hettinger no início dos anos 1990, o spinner não era propriamente um brinquedo. Era um objecto utilizado na terapia ocupacional e era destinado essencialmente a crianças com Autismo ou com Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperactividade (TDAH), com o objectivo de lhes reduzir o stress e de aumentar o input ao nível do sistema vestibular (todo um outro artigo meu, sobre este tema, no futuro). Ou seja, aliviando a ansiedade destas crianças, o objecto terapêutico propunha-se potenciar os seus níveis de atenção.

No entanto, de repente, e nesta sociedade de fenómenos globais e virais, o spinner galgou os limites das salas de crianças com necessidades especiais e tornou-se o brinquedo da moda. Rapidamente invadiu as escolas e, onde alguns viram a virtualidade de eliminar diferenças e ajudar a quebrar o preconceito relativamente aos meninos NEE, a maioria das escolas encarou-o como um foco de distracção e, nalguns países, a maioria das instituições chegou mesmo a bani-los.

Em Portugal, onde o spinner nem sequer era associado à educação especial, o reconhecimento das virtualidades do pseudo-brinquedo pela classe docente foi, na generalidade, muito diminuto.

Ora, como quando não podes vencê-los, junta-te a eles; cá vai na minha modesta opinião, uma sugestão para dar a volta ao spinner!(trocadilho não intencional!)

Limitar-lhes o tempo de utilização, integrar o objecto numa ou noutra dinâmica da sala de aula e orientá-lo, com regras claras, a nosso favor.

Não estou a sugerir que façamos concursos de spinners a rodar no nariz (embora os garotos o consigam fazer!!!).

No meu caso, por exemplo, uma tarefa a pares, um spinner por mesa e cartões com imagens de todo o vocabulário que já aprenderam😜 Durante o tempo em que o spinner roda, um aluno nomeia os cartões e o outro monitoriza (conta o número de palavras e desconta se houver erro). A jogada termina quando o spinner pára de girar em cima da mesa. Mudam de papéis. Vence o que tiver dito um maior número de palavras correctas e, claro, tiver tido maior perícia com o tão desejado brinquedo.

É virar o feitiço contra o feiticeiro, colegas.

Ensinar, no século XXI requer criatividade, tolerância à mudança, flexibilidade e muito, muito jogo de cintura.

3 COMENTÁRIOS

  1. Parece-me que o ensinar para o século XXI (agora parece que está em moda dizer isso), não tem nada de especial. A criatividade, a tolerância à mudança, a flexibilidade e o jogo de cintura sempre existiu e irá sempre continuar a existir nos professores que são professores.
    Penso que a “história” de ensinar para o século XXI serve para quem não entende nada de ensino ou não “dá” aulas há muito tempo. Até porque no ensino se está sempre em mudança pedagógica (de uma aula para outra) e o século XXI começou à 17 anos.

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