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Eu e tu estamos doentes, mas eu sou VIP e tu não és…

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O título é provocatório, mas serve para denunciar uma situação que considero discriminatória na sociedade portuguesa. Sou professor de quadro, desconto para a Caixa Geral de Aposentações e por isso estou à vontade para falar. Sempre que fico doente e tirando os 3 primeiros dias que não recebo um tostão, tenho uma perda de vencimento de 10%. Para quem tem dúvidas o quadro em baixo é esclarecedor.

Fonte: SPN

Porém, todos aqueles (professores ou não) que descontam para a Segurança Social e que já não podem pertencer à Caixa Geral de Aposentações – a partir de 2006 as portas fecharam-se -…

… têm um tratamento discriminatório pois descontam um valor superior quando comparados com a CGA, ora reparem:

Fonte: Subsídio de Doença – Segurança Social

É caso para dizer, todos doentes, todos diferentes.

Não defendo como é óbvio um nivelamento por baixo e já acho chocante a perda de vencimento quando alguém está doente, como se fosse um privilégio ficar doente. Naturalmente que o dinheiro não chega para todos, mas não pode existir uma diferença tão grande entre trabalhadores. E aqui não está em causa se é do quadro ou não, se é do privado ou não, trata-se de uma diferença entre dois seres humanos, inaceitável e injustificável.

Quando tanto se fala em atestados médicos e absentismo, e quando o governo prepara-se para ir buscar mais uns milhões, seria importante dizer algumas verdades:

  • existe um abuso de algumas pessoas que pedem atestados médicos como quem vai comprar pão;
  • é verdade que os atestados médicos são mais frequentes nos trabalhadores que descontam para a CGA, a redução no vencimento por ser menor, justifica essa diferença;
  • os médicos são corresponsáveis por estes abusos, mas ninguém lhes toca pois as letrinhas Sr. e Doutor ainda pesam muito na sociedade portuguesa;
  • obrigarem as pessoas a trabalharem para além dos 65 anos só pode dar nisto e a tendência é para agravar;
  • as juntas médicas são uma vergonha pois pouco ou nada fazem, deixando protelar situações, quer para quem está doente, quer para quem está operacional e quer regressar ao trabalho, seguindo muitas vezes orientações políticas em vez de orientações clínicas;
  • o Estado com o seu discurso tão “fofinho” com os descongelamentos parciais e que devia ser o primeiro a defender a igualdade, princípio consagrado na Constituição Portuguesa, insiste em diferenciar os portugueses como cidadãos de 1ª e de 2ª.

Mas existe uma solução que resolve tudo isto e está ao alcance de cada um… Não ficarmos doentes… É que quem os ouve, até parece que a doença é um capricho… Até parece que quem fica doente deixa de ter contas para pagar, deixa de comer, deixa de ter filhos…

É a justiça social que temos, num país carregadinho de VIPs e mais uns quantos que pouco contam…

Alexandre Henriques

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10 COMENTÁRIOS

  1. Uma vergonha professores de primeira(CGA) e de segunda (SS) e professores de terceira (contratados). Na constituição Portuguesa diz trabalho igual salário igual. Para quando a uniformização por uma questão de justiça.

  2. Já ando a falar nisto há muito tempo e parece que ninguém quer saber. Eu, por exemplo, já cheguei a deixar os meus filhos doentes aos cuidados da avó para não ter de faltar, pois implicaria um grande corte no vencimento. Mas eu é que devia estar com eles, eu é que sou a mãe. Isto é uma autêntica discriminação!!!

  3. Ora aqui está mais uma “arruada” contra os docentes.
    Com As Helenas Garridos e outros opinion makers a dizerem que a fp , e os docentes, são os grandes privilegiados do OE, estava-se mesmo a ver que isto tinha de ser “enquadrado”.
    Os pensionistas tb são privilegiados. Bolas, mas esses não faltam. Ah, bom ,as os malandros enchem o SNS!

  4. É de facto discriminativo, como aliás a desigualdade que reina nas escolas e que fere o principio constitucional de igualdade salarial para as mesmas funções, na mesma instituição, com as mesmas qualificações, na mesma carreira.
    A carreira docente tem sido extinta na secretaria unilateralmente e nós aceitamos, porque não somos uma classe unida pelos mesmos interesses.
    Quanto à análise, julgo que a remuneração de referência corresponde ao salário por inteiro acrescido dos duódecimos de um dos subsídios, o de Natal ou o de férias, média de seis dos últimos oito meses, logo vejamos um exemplo: 1700 euros (2º escalão) mais 280 euros, 1983 euros, 60% deste valor será, sensivelmente, 1190 euros. Os subscritores da CGA, como continuam a fazer os descontos quando estão doentes, não sei se receberão muito acima deste valor.
    Peço desculpa se estiver enganada, mas julgo que é assim.
    Cumprimentos.

  5. neste país, o nivelamento será sempre por baixo…
    também há outras coisas na carreira que se trata por igual para todos e afinal é diferente…

  6. E eu que nunca meti um atestado na vida, em 19 anos de trabalho!! Com muito ogulho e alguma revolta! As duas vezes em que realmente precisei disseram-me que tinha que ser com o médico de família. Ora como ele estava, respetivamente, a 130 e a 295 km e eu não tinha consulta marcada…!

  7. Boa noite, tenho uma doença crónica e incapacitante. Na prática estou sempre doente. Quando tenho que pôr atestado lá se vai o ordenado, na altura em que tenho mais despesas. Ninguém quer estar doente. Não é uma escolha e por isso não devíamos ser penalizados.

  8. À custa disso, no ano em que passei da CGA para a SS, foi-me diagnosticado um cancro. Estive de baixa durante um ano letivo, a lutar contra a doença. Nesse ano letivo, não recebi subsídio de doença, fiquei completamente desprotegida e sem qualquer tipo de rendimento, porque nunca tinha feito descontos para a Segurança Social.
    Com tantos anos a trabalhar para o estado e a descontar para a CGA, quando mais precisei não tive qualquer tipo de apoio.
    Uma vergonha!!!!!

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