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Estudo do CNE nas notícias: professores estão velhos e fracos e ganham demais?

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aqueduto-logoEste blogue esteve hoje nas notícias. O Alexandre Henriques apareceu pelo Público  a comentar o estudo do projecto aQeduto “Os professores são todos iguais?”, uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, apresentado hoje em Lisboa.

Quem está com o Alexandre, há largos meses, a apoiar este blogue na ideia de que é preciso falar da indisciplina para ela se resolver (e não deixar fazer de conta que não há) fica feliz com o destaque que teve o que disse. E a sua voz foi a propósito disto a sensata voz dos práticos, que somos todos os que colaboram aqui:

 “restringir a questão à idade mais avançada dos professores é centrarmo-nos num aspeto muito parcelar” (…) “No próprio estudo é possível verificar que os professores em início de carreira também revelam algumas dificuldades quanto às questões disciplinares.”

Quanto aos professores mais velhos, referiu que se está perante um sector em que “muitos sofrem de burnout [exaustão] educativo, em que a falta de reconhecimento e estagnação profissional, o aumento da idade da reforma, o desgaste em lidar com alunos cada vez mais problemáticos, o distanciamento geracional, o choque cultural e tecnológico entre estes, podem originar fortes conflitos em sala de aula”.graduation

À atenção de quem manda, que gosta de discutir estas coisas com estudos com nomes pomposos que, como o Paulo Guinote lembra hoje oportunamente, muitas vezes, nem sequer se conseguem consultar na plenitude para poder analisar.

A conclusão da peça do Público sobre o estudo CNE/FFMS indica o que aí nos virá ao caminho como leitmotiv do Governo: “Para Isabel Flores, este domínio de práticas pedagógicas em que o professor fala e o aluno absorve conteúdos tem em Portugal um forte alimento: a extensão dos currículos escolares.” Lancetar currículos: o tema do momento.

E já perguntaram mesmo aos professores o que pensam e qual é o realismo destas doutrinas? Ou vai ser como é costume: umas ventosidades curriculares são expelidas do centro e quem está pelo território que governe o barco….

No DN, o tema do estudo aQeduto também tem destaque com título semelhante “Alunos portugueses mais indisciplinados com os professores mais velhos”

ventaniaEssa associação entre vetustez dos professores e indisciplina é claramente uma falácia já que, se parece do texto que é a idade dos professores que agrava a indisciplina, nada o prova e nada se diz sobre se a constatação é só o efeito de haver muitos professores com muita idade.

No DN, ocupados que estão a apertar porcas no pipeline das notícias, ninguém tentou deslindar o assunto.

Contava aqui umas histórias sobre o problema mas não vale a pena, por agora. Se alguém quiser contar as suas, o espaço deste blogue está aberto. Como se vê pelo que o Alexandre disse acima, estamos muito sensíveis ao assunto e não vamos em músicas…

No estudo também se falava dos lautos salários dos profs….

As mentiras sobre salários da “malandragem docente” retornam, assim, em força às notícias. Por hoje, dou para o peditório perdido de tentar revelar o manobrismo dos gráficos usados e junto outros gráficos da própria OCDE, que dizem outra coisa e que, há uns tempos, também divulgamos aqui. Cereja do bolo, junta-se ainda outra tabela com a comparação entre os salários de professores que deviam ser e os que são.

Para a estatística, que supostamente sustentará o estudo, encanado hoje nos jornais, que faz de nós ricos, usaram os que são ou os que deviam ser? Vamos voltar a este assunto, claro.

dinheiroOutros temas do dia que focam educação

As reportagens da SIC e RTP de sexta-feira e sábado passados sobre o quotidiano das escolas e das crianças ficam para depois, porque merecem mais atenção. Mas, hoje, por exemplo, no Público, Pedro Teixeira, professor da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, escreve sobre a importância da atividade física nas escolas e sua relação com a saúde.

É capaz de parecer um tema pouco estimulante falar dos pulos das crianças, em vez de pontapés reais ou metafóricos nos professores mas vale a pena ler. O texto começa com a pergunta “Podem as escolas ser locais mais amigos da prática de actividade física? Podem e devem.”

Segundo o I para os professores já são assim pelo menos no ato de ensinar: numa reportagem por lá conclui-se que “dar aulas é fazer o pino para que os alunos aprendam”.

Um texto que até se pode  conjugar com a manchete de hoje do jornal sobre os desmaios nos comboios que levam a uma campanha contra o jejum. A Fertagus, preocupada com os atrasos dos comboios, provocados por ter de assistir passageiros que desmaiam logo de manhã, lançou uma campanha a apelar a que os viajantes não se esqueçam do mata bicho matinal.

Podiam lançar iniciativa semelhante nas escolas, em especial naquelas em que se vai sentir mais o efeito da medida de alargar o abono de família a 30 mil crianças, que o governo destacou hoje no seu já longo festival “anunciar o orçamento bom às pingas e deixar as coisas más, lá para a liquidação do IRS em 2018”

Pelo Observador, Alexandre Homem Cristo, que se abalança ousadamente a protocandidato português a Hanushek, continua a regurgitar contas e continhas sobre educação.

O texto não interessa muito na sua substância, que é quase nula, mas vale a pena ler para ver a que voltinhas tortuosas se chega para justificar a bondade da política educativa passada da PAF. Com umas luzes do tema, percebe-se bem o gato escondido com rabo de fora na argumentação. O título diz tudo ao responder, à dúvida de partida: “nem por isso”.

Como eu compreendo os que tem de escrever com regularidade, com assunto disponível fraco, sustentado numa cassette com poucas variações.

Vale a aposta que ainda o vamos ver  a “provar” com contas estonteantes, que os professores ganham muito bem?

O PSD afina pelo mesmo diapasão de viver no passado e diz hoje (saliento, hoje, 17 de Outubro, …) que o Governo mente ao dizer que o ano letivo começou melhor que em anos anteriores. Dada a catástrofe dos tempos cratinos tudo será sempre melhor. Só o PSD ainda não percebeu.

Quem está nas escolas,  e ouve quem lá está, sabe que, apesar de problemas (nunca há escolas “sem problemas”), o ano arrancou bem e, pelo menos, com espírito arejado. Eu diria que é assim porque Crato se foi e Maria de Lurdes Rodrigues, (ainda?) não voltou.

Apesar de a tal andar a assombrar nos jornais, com outro morto vivo político, a fazer aparições à ilharga, Albino Almeida, que agora anda a escrever pelo Sol.

O PSD de certeza que arranjava melhor tema se pesquisasse mais. O problema é que tem de fazer este folclore mas, no que é essencial, do mais grave que se prepara para o sistema de ensino, concorda com o Governo (para nosso azar nacional).

Alguém conhece o deputado Amadeu Albergaria que veio falar? Fica aqui o currículo do inclíto representante do povo, para os que, como eu, tiveram de procurar.  Podem ver o perfil sólido de especialista em educação e mandar-lhe um mail a ilustrá-lo ainda mais. Por cá, isso de escrever aos deputados faz-se pouco, mas valia a pena fazer mais. Talvez se os controlássemos mais, trabalhassem melhor e não achassem que nos podem fazer de parvos.

Para terminar, sugiro, talvez para alegrar o olhar, com a beleza triste das fotos, o longo trabalho do Observador sobre as fotografias que Neal Slavin tirou em Portugal em 1968. No ângulo, que é o deste blogue, olhem com especial atenção as que incluem crianças: muito diferentes da imagem que temos hoje, no Portugal de 2017. (podem ver melhor ainda aqui). E só passaram 50 anos, o que é pouco tempo na História de um país, com mais de 850.

50 anos, em que o mal amado setor de Educação e a malandragem dos professores ajudaram a mudar muito aquele país cinzento que as fotografias recordam.

E, às tantas, ajudam todos os dias a que não voltemos atrás, apesar dos que nos querem puxar para lá, rebocados a números pseudomágicos e prestidigitação ilusória.

2 COMENTÁRIOS

  1. Só faço um pequeno comentário quanto ao número de tempos letivos: com 34 anos de serviço tenho 25 horas de aulas mesmo que disfarçadas de apoios educativos. Mesmo que seja uma situação de alguns professores ( de português e matemática, em alguns agrupamentos). A fonte utilizada pelo estudo deve estar um pouco desactualizada.

    E não tenho problemas de disciplina, tenho é de educar os filhos de uma sociedade que pensa que educar é tarefa da escola.

    Sejam claros e verdadeiros.

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