Início Editorial Estaremos na antecâmara do fim dos exames como os conhecemos?

Estaremos na antecâmara do fim dos exames como os conhecemos?

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Ontem referi que existe uma alta probabilidade dos exames focarem-se nas Aprendizagens Essenciais, já este ano letivo. Algumas reações apontaram que a Flexibilização Curricular só foi implementada nos anos iniciais de ciclo. Verdade! Mas isso não quer dizer que não existam escolas a alargar a metodologia da flexibilização a anos intermédios ou finais. Se a Flexibilização Curricular vai ser massificada e tendo em conta as projeções políticas a médio prazo, a probabilidade de termos esta reforma em vigor durante os próximos 5 anos é elevada. Alguns diretores podem estar a aproveitar esta oportunidade para chegarem-se à frente na linha de partida, pois o próprio Ensino tornou-se competitivo com todas as vantagens e desvantagens adjacentes.

Sendo assim, por que motivo não devem os exames cingir-se já ao menino bonito do Ministério da Educação? As Aprendizagens Essenciais fazem parte do currículo, são currículo, trata-se apenas de ajustar os exames às ditas.

É perfeitamente natural o receio que existe nas escolas e nos pais. Para quê arriscar algo que nem sabemos se é certo e pode colocar em causa o sucesso dos alunos? Enquanto professor também não arriscaria e acredito que brevemente o Ministério da Educação irá confirmar os sinais que já deu no passado, de que é seguro seguir a Flexibilização Curricular e as suas Aprendizagens Essenciais, sem prejuízos futuros nos exames.

A capa do Jornal de Notícias refere que os pais e os diretores querem uma mudança no sistema de acesso ao Ensino Superior, eu acrescento que o Ministério da Educação também quer, pois todas as alterações implementadas nestes dois anos, na forma como são analisados os rankings, mostram o desconforto na 5 de outubro e a vontade de mudar algo que também politicamente é a imagem de Nuno Crato.

Lembro também que recentemente a OCDE deu a sua bênção à Flexibilização Curricular, criticando fortemente o modelo de exames implementado em Portugal e que originam elevados níveis de ansiedade nos alunos, um dos mais altos da Europa…

Diretor da OCDE avisa. Portugal terá de alinhar sistema de exames com flexibilização curricular

Portugal “vai ter que alinhar” o seu sistema de exames com o novo modelo de flexibilização e perfil do aluno, defendeu esta sexta-feira o diretor para a Educação da OCDE, numa conferência em Lisboa dedicada à autonomia e flexibilização curricular.

Andreas Schleicher disse, a propósito da experiência-piloto da flexibilização curricular que decorre este ano em centenas de escolas que se voluntariaram para o projeto, que há uma “tensão” nas salas de aula entre o novo perfil dos alunos e os exames nacionais no final do ano, entre o novo modelo que, segundo Schleicher, é a forma como os professores gostariam de dar as suas aulas, e a responsabilidade de ter alunos capazes de responder às provas que determinam o acesso ao ensino superior.

Fonte: Observador

Acredito por isso, e se esta equipa continuar a liderar a Educação em Portugal, que estamos perante a antecâmara de alterações no acesso ao Ensino Superior. É que toda a ideologia até hoje conhecida é oposta à ideologia de exames no modelo atual. Se lerem o documento do Perfil do Aluno, este valoriza muito mais a formação transversal do aluno e choca claramente com uma percentagem de 30% atribuída aos exames.

Não estou a dizer que concordo ou discordo, até porque as dificuldades de uma mudança tão radical tem efetivos problemas de crescimento e merecem uma reflexão à parte… Também não estou a dizer que os exames simplesmente vão desaparecer, até porque têm benefícios claros na regulação… estou apenas a dizer que a tendência é claramente de mudança.

Todos temos o direito ao nosso momento “Maia”… 😉

Diretores e pais desejam mudanças nas metodologias em sala de aula e um novo regime de acesso ao Ensino Superior para libertar o Secundário e melhorar as aprendizagens dos alunos

O medo é assumido. A maioria das escolas que aderiram ao projeto-piloto de autonomia e flexibilidade curricular – que arrancou este ano letivo em 223 escolas – optaram por não aprovar planos para turmas do 10.º ano de cursos científico-humanísticos. A razão é simples, assumem os diretores ouvidos pelo JN: “Medo dos exames nacionais”. E alertam: se o Ministério da Educação não resolver o “dilema” entre os dois métodos de ensino, este receio pode revelar-se um obstáculo à generalização do projeto.

Fonte: JN

Alexandre Henriques

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2 COMENTÁRIOS

  1. Este Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular apesar de uma narrativa elaborada, pejada do velho eduquês, é uma autêntica farsa.
    Quando o secretário Costa diz que existe uma “cultura de retenção” está a faltar com a verdade, a retenção consta da lei e é apenas devido à aplicação da lei que ocorre a retenção. Os professores são obrigados a cumprir a lei.
    O ministério da edução não tem coragem de retirar da legislação a retenção dos alunos, então inventa de forma cíclica uns “projetos” de modo a passar a responsabilidade das suas tristes e inconstantes políticas para os professores.
    O receio dos exames existe neste momento mais no interior do ministério do que nos alunos e nos seus professores.
    É minha convicção que a tão propalada flexibilização não prepara devidamente os alunos, é um facilitismo encapotado.
    Este facilitismo vai ser desmascarado quando os alunos que a sofreram tiverem de realizar os exames nacionais em pé de igualdades com os outros.
    A farsa revelar-se-á aí.
    O ministério está com medo dos exames.
    E é apenas por esse motivo que os estudos (encomendados) apontam no sentido de acabar com os exames.
    Aos estudos de encomenda junta-se a servil confap que o ministério da educação alimenta com transferências de verba periódicas.
    Uma autêntica farsa.

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