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Tem que se estar sempre conectado? Sempre?

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telemovel-refeicaoComo é evidente um sexagenário na segunda fase desta década, ainda pensa ser importante, quando duas pessoas ou mais estão em conjunto, no mesmo espaço e tempo, deverem olhar-se, falar-se em directo e ao vivo e sem “mecanismos” de permeio.

Se recuarmos uns cinquenta e tal anos – milhões de anos para os jovens de agora – muitos nos lembraremos de tempos muito menos agradáveis, em que o exagerado respeito – medo? –  nem deixava os mais novos olharem nos olhos os mais velhos. Em que as saudações eram rápidas, e implicavam o mínimo de contacto físico e o máximo de distanciamento.

Tudo muito afastado, tudo muito severo.

Mas, foi-se evoluindo – e, pensa-se que muito bem – para contactos mais abertos e próximos, e, até parecendo que só por aí surgiu a pedofilia, mas que existia, essa sim, há milénios.

Mas era “demasiado normal” e escondida, mas “aceite por quem a praticava” e por quem não lhe convinha “denunciá-la”. Felizmente que agora é bem diferente, consequência da abertura, de ter posto ao “nu” o que estava  incorrecto/ errado  , mas protegido pelo “distanciamento” estipulado!

Talvez essa abertura, a maior proximidade e facilidade de contacto “ao vivo e a cores”, que caracterizou e bem as últimas 4 décadas não tenha sido nada má. Antes pelo contrário.

Talvez hoje, ao se estar no mesmo espaço e tempo parecendo que não se está, não seja propriamente agradável.

Hoje a necessidade “imperiosa de se estar conectado”, implica que num café, num restaurante, namorada e namorado na mesma mesa não se falem, não se olhem, não se toquem, então de “dispositivo” na mão, se calhar enviando mensagens um ao outro como se estivessem separados, distantes, não frente a frente.

Hoje a necessidade de pais e filhos, ao estarem juntos no mesmo espaço e consequentemente no mesmo tempo, por exemplo publicamente a almoçar, e cada um ter o seu “aparelho” como se estivessem em tempos e espaços diferentes é a norma. Talvez não boa, não indicada.

Ninguém com ninguém fala, não se olham, não se tocam, não se “ligam”.

E todos hoje “disfrutam” destes aparelhos e “partilham” muitas coisas , por certo ao segundo, mas não se aproveitam, não se ligam, estão juntos estrando separados.
Mas, alegam falta de tempo para estarem “juntos”, dado que esse tempo é unicamente utilizado para se conectarem à distância, deixando de aproveitar, de gozar, afinal “o” estarem, ali, juntos.

E, alguém paga a conta do café ou dos restaurantes, e saem mudos e calados como entraram e estiveram, e de facto criam-se fossos talvez nunca mais recuperáveis.
Isto, uma vez que o tempo e o espaço não param e não voltam, só se vivem uma vez, e a vida é sua uma, com várias fases, e talvez devesse haver tempo para estar ao vivo e as cores, para “participar, estar e usufruir”, e outro para estar-se conectado, a “disfrutar a partilhar” estando-se “conectados”!.  Ou não!

Augusto Küttner de Magalhães

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