Início Editorial “Estamos A Meio Do 1º Período E Já Estou Exausta, Completamente Exausta”

“Estamos A Meio Do 1º Período E Já Estou Exausta, Completamente Exausta”

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Estamos a meio do 1º período e eu já estou exausta completamente exausta. Não sei quanto tempo vou aguentar mais. São os alunos cada vez mais indisciplinados e decididos em boicotar tudo o que exija trabalho e alguma concentração. Sinto que todo o trabalho que tenho em procurar coisas que os possam motivar é em vão. Nada do que eu faça os interessa. Acresce a tudo isto a falta de motivação da minha parte que, neste momento, passa pelo facto de não estar a contabilizar qualquer tempo de serviço (aguardo vaga para o sétimo escalão). Sinto-me como um peixe de fora de água. Já não consigo respirar, dormir, descansar… O Ministério da Educação está conseguir o que quer: professores de baixa, a quem paga menos substituindo-os por outros a quem ainda paga menos. Não sei onde iremos parar….

Inês Domingos


Se se estiver atento ao que se passa, verifica-se que é por esta altura do 1º período (para não falar também no que se passa no 2º período) que muitos alunos começam a entrar em conflitos uns com os outros – a gritaria aumenta nos corredores, as lutas começam a ficar mais feias e o bullying encontra terreno fértil. O mesmo se passa na sala de aula. Ao menor acaso, a situação pode explodir.

Não tenho quaisquer dúvidas da necessidade de uma paragem de uma semana por esta altura, como acontecia há anos. Uma paragem para descansar, para aliviar o stress e para ganhar novas forças- para alunos e professores. Uma paragem obviamente pedagógica. O mesmo acontecia na semana do Carnaval e deixou de existir.

Isto para não falar nos mega agrupamentos nas horas e horas passadas na escola e nas inenarráveis aulas de 90 m que se sucedem umas às outras ao longo do dia.

Mas afinal, querem o quê? Que não apareçam os recorrentes casos problemáticos? E que se lhes juntem mais casos problemáticos?

Ana


Ao lermos estes comentários não podemos deixar de nos identificar e ficar genuinamente preocupados com o estado emocional dos professores e da educação em geral.

Ainda há bem pouco tempo ouvimos que os professores portugueses são os “melhores do mundo”, enquanto outros cingiam-se a um seco “temos pena” sobre a recuperação do seu tempo de serviço. Esta dicotomia entre o nosso Presidente da República e 1º Ministro é um reflexo da opinião que a sociedade tem sobre os seus professores.

Existe um problema de saturação e exaustão dos professores, estes estão envelhecidos, desmotivados, descrentes e prostrados. Mas os supostos “melhores do mundo” continuam a ser tratados com um “temos pena”, enquanto assim for, os problemas dos professores que indiretamente são os problemas da educação e dos alunos, continuarão bem vincados nas escolas portuguesas. Se queremos ter um sistema de ensino de qualidade, os seus principais responsáveis não podem apresentar sintomas tão elevados de burnout profissional.

Mais grave ainda é o silêncio ensurdecedor daqueles que lidam frequentemente com os professores, optando vezes sem conta pela estratégia da avestruz. Onde andam as Associações de Diretores? Onde andam os Conselhos das Escolas? Onde andam as Associações de Pais? Onde andam os secretários de Estado e Ministro da Educação?

Por muito folclore que exista quando as “vedetas” se aproximam das escolas, a realidade é tão evidente que até ofusca… Só não vê quem não quer ver e de nada adianta flexibilizar para aqui ou para acolá, quando aqueles que têm de implementar a flexibilização estão tão saturados de reformas e “reforminhas” que simplesmente deixaram de acreditar.

OS PROFESSORES ESTÃO DOENTES!!! E andam a exigir dos professores como se estivessem frescos e revigorados. Além disso, não lhes são dadas as condições laborais necessárias para realizarem o seu trabalho. Quem de direito que ponha a mão na consciência, que tire a maquilhagem do decreto 54º e 55º e constate a realidade…

Urge salvar os nossos professores, pelo seu bem naturalmente, mas principalmente pelo bem das nossas crianças, dos nossos alunos, dos nossos filhos…

Alexandre Henriques

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