Início Concursos Estamos a ignorar a gravidade do que aconteceu ontem na DGAE (Atualização)

Estamos a ignorar a gravidade do que aconteceu ontem na DGAE (Atualização)

17668
7

A DGAE quer atirar areia para os olhos das pessoas, mas muitos olhos presenciaram o que aconteceu, inclusive estes de quem vos escreve. Para quem não sabe, fica um resumo e uma breve análise.

Primeiro a posição oficial da DGAE… Lembrem-se dela.

“As listas foram disponibilizadas logo que o seu processo de elaboração ficou concluído. De acordo com as informações prestadas pela DGAE, no momento em que estavam a ser carregadas, as listas ficaram visíveis”, lê-se na resposta do ME enviada à Lusa.

Não é verdade.

Durante o dia de ontem, eu e muitos milhares como eu fomos desgastando a tecla f5 do teclado à espera da publicação das listas. Por volta das 16h30, sou informado que no chat do blogue DeAr Lindo há listas a serem publicadas, todas com um link da DGAE. Eu próprio constato e verifico que pelo menos uma pessoa, um tal Drinformático, estava a publicar as listas. Rapidamente vou ao site da DGAE e nada, estava tudo igual. Para surpresa de todos os que tiveram acesso às ditas, constatámos que no canto inferior esquerdo das listas a data era 19/7/2017, ou seja do dia seguinte.

Foi a loucura, eram listas a aparecer como cogumelos e listas a serem guardadas em centenas de computadores pessoais.

Passado pouco tempo o Arlindo Ferreira publica as listas (não oficiais). Como a DGAE segue os blogues de Educação, imagino a confusão que se deve ter gerado ao constatarem o que tinha acontecido.

Passado alguns minutos, a DGAE manda o site a baixo, mas já era tarde, muitos milhares de professores já sabiam o que tinha acontecido e muitos milhares já sabiam a sua colocação.

Só por volta das 19h30  é que a DGAE publica as listas mas já com uma nova data – 18/7/2017. O que aconteceu? 2 +2 ainda são 4, por isso a DGAE precisou de tempo para mudar a data das listas todas para poder dizer o que leram no início do texto.

É grave o que se passou, é mesmo muito grave, e surpreende-me a ligeireza com que alguns professores abordaram o assunto, talvez “embriagados” com o êxtase de terem acesso a algo que há muito esperavam.

O site da DGAE é seguro?

Esta é a primeira pergunta que me ocorre. Terá alguém entrado no site da DGAE e teve acesso às listas? Se assim foi, estamos perante um caso de crime informático e uma falha de segurança muito preocupante. E o SIPE diz bem…

“Perante esta situação, o SIPE entende que se encontra lesado o princípio da confiança legítima, bem como, o princípio da legalidade, da igualdade, e fundamentalmente o princípio da boa administração, entre outros, todos ínsitos do Estado de Direito“, acrescenta o documento do sindicato.

Lembro que a DGAE tem acesso a informação confidencial dos professores e se de facto alguém entrou no site da DGAE, muita coisa fica posta em causa. Dando um exemplo extremo, imaginem que alguém consegue aceder à plataforma dos concursos e altera os tempos de serviço, e se a moda pega, imaginem que alguém acede aos computadores do IAVE e tem acesso aos exames?

Eu sei que estou a exagerar, mas na segurança é preciso exagerar para evitar uns “ai ai ai” depois… O que aconteceu ontem não é normal, não é nada normal.

Os trabalhadores da DGAE são leais ao Ministério de Educação?

Se ninguém acedeu às listas, então só pode ser sido alguém da DGAE que colocou as listas no chat do Arlindo. Se assim foi, estamos perante uma clara violação do dever de lealdade consagrado no estatuto dos funcionários públicos. Deve por isso, o Ministério de Educação apurar quem foram os responsáveis por esta falha de segurança. É que ainda há bem pouco tempo tivemos conhecimento daquele áudio onde uma aluna dizia a matéria que ia sair para o exame de português de 12º ano. Lembram-se? No espaço de um mês, estamos perante duas fugas de informação preocupantes e que em nada abonam a estrutura ministerial. Se é verdade que o Ministro da Educação e a sua equipa não podem controlar tudo o que o “monstro” faz, também é verdade que não devem ignorar o que aconteceu e agir em conformidade, tal como fizeram (e bem) com a falha no exame de português.

Ontem foi sem dúvida um dia muito animado, mas parece-me que muito poucos estão a dar a devida importância ao que aconteceu. Se calhar o problema é mesmo meu…

Professores querem explicações sobre publicação não oficial das listas dos concursos

(DN)

E já que falei em coisas graves… fica mais uma.

Concurso de professores: Ministério anula quase 200 vagas para entrada nos quadros

(Público)

Atualização

Já tenho a confirmação que foram professores que acederam ao site da DGAE. Fizeram-no através de uma “porta aberta”, termo utilizado na gíria informática e que evidencia que um site não está devidamente blindado.

O facto de isto ter ocorrido no mundo digital não deixa de ser grave, basicamente o que aconteceu foi um ou mais professores terem visto uma porta aberta, entraram e tiraram de lá algo que não era deles e começaram a distribuir por quem estava no exterior. Agora pergunto, se isto tivesse ocorrido no mundo físico teriam a mesma reação? Já estou a ver a capa de alguns jornais…

Muitos criticaram/gozaram com o termo que apliquei “roubo” (devia ter escrito furto pois não houve violência associada), muitos acham que fiz um grande enredo, mas como se chama tirar algo que não lhes pertence e ainda por cima distribuir por terceiros?

Sou professor, mas antes de ser professor sou cidadão, e custa-me saber que professores tiveram esta atitude só porque não foram capazes de esperar. Estes devem ser os primeiros a dar o exemplo no que diz respeito à ética e princípios.

Que fique o alerta a quem de direito e que a DGAE não “brinque” com a ansiedade dos professores e publique as listas quando tem tudo pronto. Adiar a publicação por um dia, só para contrariar a informação que circulava por blogues e redes sociais, mais parece uma birra de alunos de 1º ciclo…

COMPARTILHE

7 COMENTÁRIOS

  1. …ué?! sabia que tinha um Ministério de Educação mau, agora dois, é FRACO! Chegou à Educação o vírus da duplicação de email´s?!

  2. Por acaso, estava a consultar um Grupo de Professores e li um ‘post’ de uma colega que dizia “ser de informática” e ter conseguido o link para aceder às Listas.
    Acrescentava que quem quisesse consultar outro Grupo de Docência deveria alterar os dois últimos algarismos, se não estou enganada. Presumo que acedeu ao site da DGAE (?), que sendo assim não será seguro…
    Eu própria vi as Listas antes de serem oficialmente publicadas através do Google Drive.

    • Como ninguém veio explicar oficialmente o que se passou só podemos especular. Já depois de ter escrito o texto fui informado do que aconteceu e na minha versão exagerada consta a razão. Houve um furto das listas através de uma “porta aberta” no site da DGAE. É o mesmo que entrar na DGAE por uma porta aberta, tirar as listas e distribuir cá fora, lá por o gesto ter sido digital não deixa de ser grave o que aconteceu. Grave para quem tem um site que não está blindado e grave para quem entrou onde não devia entrar ainda por cima sendo professores.
      Mas como disse, devo ser eu que estou a ver isto tudo ao contrário, a minha veia mais conservadora de regras e princípios é extremamente sensível, sempre foi…

  3. Mas também me parece que em aritmética não são lá grande coisa, a calculadora da DGRHE só conta até 333 em vez de 365! sim refiro-me a 2013/2014.
    E toda a gente sabe que a DGAE tem uns “olheiros” (expressão de futebol que significa observadores no campo do “inimigo”) que andam sempre a espiolhar o blog de Ar Lindo, ComRegras, oMeuQuintal, AssistenteTécnico, … e outros para aprenderem como se faz. Alguns até vão buscar “conselhos” e modos de proceder!
    Olhem a anedota da RR2 e da retroação dos contratos a 1 de setembro!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here