Escolas Premium vs Escolas a Cair…


Imagem retirada de http://desblogueadordeconversa.blogspot.pt/

A notícia partilhada hoje pelo Jornal i, da autoria de Ana Petronilho, intitulada “Pais lançam petição a reclamar obras “urgentes” na Escola Secundária José Falcão em Coimbra” vem, pela milésima vez, deixar a nu uma situação herdada do tempo de Maria de Lurdes Rodrigues e que se materializou num desequilíbrio absurdo e incompreensível entre escolas intervencionadas pela Parque Escolar, intervenção esta que a antiga ministra da Educação considerou, com uma lucidez rara para a senhora em questão, ter sido “Uma Festa” e escolas não intervencionadas pela Parque Escolar que viram passar ao seu lado a “Festa” sem nela participarem.

Assim, o país conta hoje com um espólio de edificações destinadas à Educação tão diverso quanto absurdo pois neste país coexistem, às vezes quase  lado a lado, escolas intervencionadas em obras de orçamentos multimilionários de doze, catorze, dezasseis milhões de euros e escolas que, literalmente, foram deixadas entregues à sua sorte e a sua sorte, ou melhor, a sua pouca sorte é terem salas de aula onde chove, isolamentos que são tudo menos isso deixando entrar o frio e o calor a rodos, consoante as estações, coberturas de amianto, impossibilidade de impedir as entradas de luz que arruínam qualquer projecção e que arruínam qualquer escrita no quadro, instalações eléctricas mais do que obsoletas, tubagens de esgotos tão velhas que libertam perfumes estranhos empestando o ambiente com cheiros horrendos, infiltrações que vão colorindo paredes e tectos com fungos nocivos à saúde de qualquer pessoa, canalizações de água que abertas libertam águas de cor alaranjada devido à ferrugem das mesmas… e… e… e podia continuar a apontar o absurdo criado por políticos disfuncionais que não souberam, ou não quiseram!, usar recursos monetários pertença dos portugueses para uma intervenção generalizada e cuidada que contemplasse quiçá todos os edifícios escolares do país naquilo que eles necessitavam.

E assim estamos. Escolas xpto, que mais parecem hotéis de cinco estrelas de luxo, terminadas coexistem com escolas que ficaram a meio das intervenções previstas e coexistem com escolas centenárias que nunca viram qualquer intervenção de fundo desde a sua fundação.

É o caso desta antiquíssima Escola Secundária José Falcão de Coimbra, criada a 19 de Novembro de 1836 e que nunca conheceu obra de vulto.

Assim, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da ESJF lançou uma petição electrónica no sentido de conseguir 4 mil assinaturas e obrigar a que este assunto seja discutido na Assembleia da República.

Aqui a deixo para que, se concordarem, a possam assinar:

Intervenção urgente e de fundo na Escola Secundária José Falcão – Coimbra 


E é ainda de hoje uma notícia da Sapo que identifica a saúde mental dos alunos como uma das prioridades de intervenção escolar.

Nós dissemos em devido tempo que a crise económica potencia desequilíbrios mentais. Alguém teve o cuidado de escutar os professores no terreno, entre os decisores políticos que cortaram rendimentos a tantos e tantos portugueses, que despediram trabalhadores, muitos com filhos pequenos, e que, ao mesmo tempo, o foram canalizando para o salvamento de bancos com práticas pouco sérias e mesmo corruptas?

Pois. E depois, aqui d` El Rei! Pena que se lixem, pelo meio, também as crianças que são o futuro deste país.

Jornal i

Pais lançam petição a reclamar obras “urgentes” na Escola Secundária José Falcão em Coimbra

Sapo

Saúde mental dos alunos torna-se prioritária na intervenção escolar

Anabela Magalhães, professora e autora do blogue Anabela Magalhães

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