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Escolas evitam a flexibilização curricular no ensino secundário

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O jornal Público dá destaque à nova flexibilização curricular que abrange cerca de 235 escolas (175 públicas). Em ambas as notícias fica patente que a adesão existe, mas algumas escolas optaram por disponibilizar apenas uma pequena parte das suas turmas, mesmo tendo em conta que este novo projeto só se aplica a turmas de início de ciclo.

Compreende-se este receio, pois de experiências educativas está a escola farta. Como já referi no passado, não existe nenhuma garantia, repito, nenhuma garantia que a flexibilização curricular esteja viva daqui a uma meia dúzia de anos. Conheço um diretor que até gostava de ter aderido a este projeto, mas este “brincar” à educação levou-o a ficar na expectativa, evitando colocar os seus professores e alunos numa posição de “cobaias” educativas.

Mas se a flexibilização curricular avança em muitas escolas, pelos vistos no ensino secundário a música parece ser outra. Já o disse e reafirmo que as escolas estão reféns dos resultados dos exames, o ranking é o que mais ordena e o resto não passa de teorias educativas que vão e vêm consoante as marés.

Numa altura em que as metas curriculares têm a “cabeça no cepo” e as competências essenciais estão a nascer para conquistarem o seu lugar no “trono de ferro”, as escolas medem bem os seus passos.

De resto, há casos como o do agrupamento de escolas da Senhora da Hora, em Matosinhos, ou o de Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, que apesar de integrarem todos os restantes inícios de ciclo (1.º, 5.º e 7.º anos) no projecto de flexibilidade curricular, optaram por deixar o 10.º ano de fora. “O secundário é uma situação muito específica. É necessário um cumprimento do que está no programa que tem a ver com a preparação para o exame e a avaliação para acesso ao superior. Há algumas resistências por parte dos professores e também cuidados redobrados por parte dos pais, que estão muito mais atentos”, defende Paulo Amaral, adjunto da direcção da escola de Matosinhos.

“O horizonte dos exames nacionais é incontornável”, concorda Alexandre Costa. As disciplinas específicas para acesso a alguns cursos do superior “valem muito” e a escola “não pode negligenciar essa parte”, prossegue. A proposta da escola passa assim por trabalhar um projecto de turma (tranversalmente, envolvendo diferentes disciplinas) que vai passar a ter um peso moderado nas notas dos alunos. “Isto vai permitir-nos avaliar outras competências e capacidades que os alunos têm, algo que até aqui era muito difícil”, explica.

E depois acontecem os casos onde os diretores querem participar mas os professores dizem nem pensar…

No Agrupamento de Escolas Grão Vasco, em Viseu, a directora, Inês Campos, é uma entusiasta da flexibilidade curricular, mas não encontrou a mesma abertura nos professores

O ano letivo 2017/2018 ficará efetivamente marcado por um ano de teste e transição.

Fica o resumo do que muda:

— As escolas podem usar até 25% da carga lectiva para aplicar novos métodos de ensino.

— Podem juntar blocos de tempos para dedicar a projectos específicos (por isso, a percentagem da carga lectiva deve ser calculada anualmente).

— Podem criar novas disciplinas (oferta lectiva complementar, um tempo por semana).

— É também aberta a possibilidade de:

a) Combinação parcial ou total de disciplinas;

b) Alternância, ao longo do ano, de períodos de funcionamento disciplinar com períodos de funcionamento multidisciplinar, em trabalho colaborativo;

c) Desenvolvimento de trabalho prático ou experimental com recurso a desdobramento de turmas;

d) Redistribuição da carga horária das disciplinas, promovendo tempos de trabalho de projecto interdisciplinar, com partilha de horário entre diferentes disciplinas;

e) Organização do funcionamento das disciplinas de um modo trimestral ou semestral;

— No 2.º e 3.º ciclo, devem privilegiar abordagens interdisciplinares.

— No secundário (cursos científico-humanísticos) podem permutar uma das disciplinas bienais e ou uma das anuais da formação específica por disciplinas de um curso diferente do frequentado pelo aluno.

— São introduzidas duas novas áreas: Cidadania e Desenvolvimento; Tecnologias de Informação e Comunicação.

No novo ano lectivo as escolas vão ser mais diferentes umas das outras

Acesso ao superior implica cuidados extra no ensino secundário

(Samuel Silva – Público)

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. No secundário , que a ”coisa” queima os senhores diretores não se atravessaram … nas mais tenras idades logo se vê se eles aprendem alguma coisa ou não…
    Se voltassem os exames para o 4º ano a banda também tocava outra pauta… Como não é assim viram todos muito flexíveis e , supostamente, modernos… Uma palhaçada! Quando mudar o partido no governo, e ele há-de mudar, os que são agora muito pelas competências e tal convertem-se, num mês, às virtudes das metas curriculares… Não há paciência!

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