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A escola em tempo de férias

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Falar (ou escrever) de escola nesta altura é dar azo a um franzir de sobrolho, a um a esgar de descontentamento, a um rumor de descontextualização. Afinal, por esta altura, todos (alunos e professores) estamos fartos de escola. Talvez apenas os pais sintam saudades da escolinha – onde deixar os pequenos.

Se é certo que escola não há todos os dias, é também certo que educação, essa, acontece todos os dias, em todo o lado. Podemos falar da educação formal, aquela que acontece na escola e/ou em contextos regulares (ou formais) de aprendizagem. Podemos falar de educação não formal ou informal, aquela que acontece  por via da nossa curiosidade, dos contextos ou situações em que estamos, das ilações que retiramos das nossas vivências.

Se, no século passado, a escola era peça essencial para uma e para outras das formas de educação, formal e não formal, hoje é confrontada e discutida por inúmeras alternativas, disputada por um sem número de contextos, sofre a concorrência de instituições e organizações. Por exemplo, dos campos de férias, das atividades de ocupação dos tempos livres, das inúmeras ofertas que existem por cidades e vilas e aldeias deste país com o único propósito, facilitar a vida aos pais na gestão das férias escolares.

Muitas destas ações acontecem, inclusivamente, em contexto escolar. Ocupam os espaços escolares (as escolas) e dão prolongamento à escola sob diferentes formas. Desde os refeitórios, aos espaços das expressões, passando por bibliotecas e centros de recurso ou multimédia, quando não mesmo uma ou outra sala de aula (se bem que estas procurem ser evitadas).

Num tempo que o atual governo chamou à tutela da educação as dimensões do associativismo, da juventude e do desporto, porque não dar enquadramento pedagógico a estas ofertas? Num tempo em que aprender pode e deve acontecer em todo o lado, por via das curiosidades ou simplesmente das oportunidades, porque não criar elementos de complementaridade ou enriquecimento do currículo por via das aprendizagens em tempo de férias?

Mais. Se, em tempo de escola, abundam as queixas dos/sobre comportamentos intempestivos e/ou irregulares, porque não utilizar o contexto de férias e das dimensões mais lúdicas do aprender, para treinar regras, definir “etiquetas”, incentivar modos de relacionamento comum e coletivo? Se em tempos de lazer e férias, abundam os jogos e os trabalhos de equipa, porque não criar elementos de relação com a escola e com a regra escolar? De incutir e “ensinar” modos e formas de relacionamento que também têm expressão na escola e em sala de aula? Não será esta uma oportunidade de trabalhar comportamentos e evitar situações disciplinares?

E não é necessário tornar tudo isso claro, expresso, formal. Basta existir uma pequena articulação entre escola e tempos de lazer, entre educação formal e não formal. De forma sintética, entre promotores de uma e de outra das educações, pois a pessoa é só uma. Afinal não será esta uma das dimensões que os municípios há muito abraçaram? Não seria esta uma forma de compensar e ajudar os tempos de escola e o trabalho dos professores? De dar sentido prático à educação local? Não poderá ser esta uma estratégia de desconcentração da educação?

Manuel Dinis P. Cabeça

julho, 10. 2017

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