Início Rubricas Encontrei o dinheiro devido aos professores e restantes funcionários públicos

Encontrei o dinheiro devido aos professores e restantes funcionários públicos

1306
2
COMPARTILHE
Lamento estar a publicar artigos que não estão relacionados com as pedagogias, algo muito mais interessante, mas não posso ignorar a mentira que está a passar para a opinião pública de que é incomportável a recuperação dos vencimentos dos professores e restantes funcionários públicos.
Enviado por Mário Silva

Quem nos salva dos predadores orçamentais?  

O jornalista Rui Peres Jorge, no Jornal de Negócios, estima que o actual Governo já gastou 9,9 mil milhões de euros a apoiar a banca. Afigura-se que, contudo, os custos finais irão ser muito superiores. Com efeito, se se considerar ainda:
– O efeito da garantia contingente de quase quatro mil milhões de euros que beneficiará o novo accionista dominante da Lone Star (o empréstimo de 850 milhões de euros ao Fundo de Resolução previsto no Orçamento do Estado de 2018 representará apenas um primeiro adiantamento);
– o facto de 75% do Novo Banco, integralmente detido pelo Fundo de Resolução, com capitais próprios de mais de seis mil milhões de euros à altura, ter sido vendido por zero euros;
– as indemnizações que no futuro irão ser pagas aos obrigacionistas seniores do Novo Banco expropriados dos seus créditos;
–  o efeito negativo da dívida subordinada emitida pela Caixa Geral de Depósitos nos seus lucros, com reflexos nos impostos e dividendos pagos;
– o efeito de uma proposta do PS para o Orçamento do Estado de 2018 que, através de alterações ao regime de constituição de imparidades, se estima reduzirá o IRC pago pela banca nos próximos 19 anos em cinco mil milhões de euros.
Os compromissos passados e futuros assumidos por este Governo com a “injecção” de dinheiros públicos na banca poderão chegar, ou mesmo ultrapassar, os 20 mil milhões de euros, isto é, cerca de 10% do PIB de Portugal.
Na prática, parte da banca nacional foi literalmente doada a interesses estrangeiros (…).
Ricardo Cabral, economista
Só em 2018, o Estado português irá disponibilizar — para benefício directo dos grandes grupos económicos que vivem de favores do Estado — mais de cinco mil milhões de euros, o equivalente à colecta de todo o IRC durante um anoPara a banca e afins o OE2018 contempla dotações de mais de três mil e trezentos milhões (3317). Só para participações financeiras estão previstos no documento orçamental 2,4 mil milhões. Depois de termos assistido durante anos de Governos de Passos Coelho ao desvio de dezenas de milhares de milhões para a banca, iremos ainda provar a continuação desta prática, agora por culpa de António Costa e Centeno. Que contam com o silêncio cúmplice do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. A estes 2,4 mil milhões somam-se ainda mais 850 milhões para o Fundo de Resolução de apoio à banca. Esta verba está inscrita no OE2018 e não tem qualquer razão plausível que a suporte. Quando o Fundo de Resolução foi constituído, em 2015, aquando da falência do Grupo Espírito Santo, o Orçamento do Estado dotou-o com 3,8 mil milhões. Esta alocação de recursos deveria ser provisória, a verba deveria ser progressivamente devolvida pelos bancos e seriam estes a, no futuro, provisionar o Fundo. Pois, ao fim de quatro anos, o dinheiro dos contribuintes continuará a alimentar um fundo cuja missão é pagar os desmandos dos banqueiros.
Mas não ficamos por aqui. O OE2018 contempla ainda pagamentos de cerca de 1500 milhões (1498 milhões) de euros aos concessionários das parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias. Garante assim rendas milionárias aos concessionários, que mantêm taxas de rendibilidade superiores a 15%.
(…)
em 2017, a estimativa de gastos com PPP rodoviárias é de 1503 milhões de euros; em 2018 está previso gastar 1498 milhões; em 2019, 1436 milhões e assim sucessivamente, por mais de 20 anos. E sobre este assunto, na discussão do Orçamento, o Partido Socialista, o PSD e o CDS, responsáveis pelas PPP, nada disseram. O PC e o Bloco, que em tempos contestavam violentamente estes negócios, estão agora estranhamente (?) emudecidos.
Com estas práticas reiteradas, de tirar muito a todos para dar tudo a algunsos governos — sejam de esquerda “geringonceira” ou de direita “neoliberal” — transformaram os Orçamentos do Estado numa manjedoura para alimentar os amigos. Assim continuará a ser, também em 2018.
Paulo Morais, presidente da Frente Civica

2 COMENTÁRIOS

  1. Na administração destas empresas das PPPs estão ex-políticos do PS , PSD e CDS.
    heranças que deixaram aos contribuintes os corruptos que passaram pelos governos ps/psd/cds, pelo menos desde os tempo que a Luis era uma “simples funcionária publica” que aprovava e despachava favoravelmente SWAPs.

    Escusam de empurrar as culpas uns para os outros…todos são culpados. Aqueles que nos governos ps/psd/cds favoreceram os amigos banqueiros e grandes empresários com PPPs, SWAPs e que colocaram os contribuintes a pagar os roubos que os banqueiros e grandes empresários fizeram nos bancos…BPN, BPP, Banif(com a Luis deliberadamente a engordar a divida para favorecer o futuro patrão), BES.

    São todos culpados…socrates/passos/portas, não esquecendo os grandes contributos do sr. silva nomeadamente no BPN/SLN.

    A despesa líquida do Estado com as parcerias público-privadas (PPP) aumentou no final do primeiro trimestre do ano 2017, mais 39 milhões para um total de 510,3 milhões de euros. Este é o valor mais elevado desde 2013 com as 32 PPP, com tutela partilhada pelo Estado, sendo o aumento transversal a todos os setores, à exceção do ferroviário.

    Segundo avança o jornal ‘Diário de Notícias’, 78% dos encargos globais são provenientes das 21 PPP rodoviárias, que somaram uma despesa de 399,6 milhões de euros, mais 8% do que nos primeiros três meses do ano passado. A Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos (UTAP) do Ministério das Finanças dá ainda conta de que mais 9% dos gastos resultaram de um agravamento de 13% dos encargos com as oito PPP do setor da saúde.

    Também a única PPP no setor da segurança, a do SIRESP – Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal, custou nos primeiros três meses do ano 10,8 milhões de euros, mais 7%.

    Em sentido contrário, os encargos com as duas PPP ferroviárias foram de 2,1 milhões de euros, menos 4% registados no final dos primeiros três meses. A UTAP explica que tal se deveu ao facto de “a compensação paga no primeiro trimestre de 2017 ter sido calculada com base num gap de tráfego inferior ao diferencial de tráfego que serviu de base ao cálculo da compensação paga em igual período de 2016, não obstante a atualização monetária da tarifa contratualmente prevista”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here