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Educar para a democracia

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gestao-escolar_Num país democrático, a escola deve ser a base dessa democracia, explicando-a e fomentando-a.

Dentro da sala de aula, o professor deve ser uma referência, um líder, que gere as necessidades/vontades dos alunos, dando espaço para conceitos como a partilha, o respeito e a diferença, tão necessários em uma sociedade cada vez mais individualista.

Nesta gestão de recursos, apenas uma liderança forte e carismática pode sobreviver. Mas para que isso aconteça, é necessário ouvir muito e explicar ainda mais.

O ser humano, como ser social, apenas consegue realizar-se na existência de outros. Mas vivemos tempos de opressão e individualismo, consequência de um pensamento egocêntrico que se entranhou na sociedade, corroendo as estruturas do coletivo e da cooperação.

As famílias estão cada vez mais distantes do apoio de vizinhos e familiares próximos. Já ninguém fica de olho nas crianças quando estas brincam na rua, nem se acolhe um grupo de pequenos estranhos para partilhar histórias.

Andamos sozinhos, demasiado depressa e com pouca vontade de pensar. Quase que apenas vagueamos pela vida. Tudo vemos, tudo sentimos, tudo devoramos, mas parece que nada é significativo, porque temos esse sentimento de solidão, no meio da multidão.

E é isso que estamos a transmitir às nossas crianças, vendemos-lhes a ideia de que vão triunfar sozinhas e que elas são o centro do mundo. Criamos-lhes a ilusão de que tudo podem fazer, mas andamos sempre a colocar-lhes muletas para que se apoiem. Não lhes damos espaço para que caiam, não suportamos a sua tristeza nem lhes contamos coisas tristes. Dizemos-lhes que tudo podem fazer, mas não deixamos que aprendam com os seus erros e isso pode condicionar o seu crescimento e a sua capacidade para viver/trabalhar/brincar democraticamente.

A escola é um dos pilares da sociedade e por isso é necessário dar aos professores os meios para que possam refletir, trabalhar e intervir na democratização da escola, dentro e fora da sala de aula, criando as condições para uma evolução qualitativa do ensino.

Desta forma, não faz sentido manter a figura do poder unipessoal, que detém o diretor. É importante criar um sistema de equipas de coordenação, que dê mais poder ao coletivo e permita mais cooperação entre os vários elementos de uma escola/agrupamento.

A presença do encarregado de educação não se pode limitar à supervisão do trabalho dos professores, eles têm de ser um agente de cooperação entre a escola e a família.

Os parceiros locais devem opinar mas não impor a sua vontade, possibilitando que a escola escolha os seus percursos e juntos ajudem a comunidade local a progredir social, cultural e economicamente.

O poder local… não tem que ter espaço na escola e se o tem é porque esta sofre de um défice orçamental. Esta situação de dependência retira a autonomia a escola, deixando-a a mendigar o auxílio na manutenção de espaços e no apoio social aos alunos.

A autarquia deve ser um parceiro na criação de uma identidade cultural da região, impulsionando o gosto pelos saberes locais e fomentando novas oportunidades de aprendizagem.


Não quis ficar pelo desejo de mudança… Por isso, criei um documento aberto para edição e convido a todos a deixarem o seu contributo – podem acrescentar, refazer e/ou contradizer as ideias que apresento – para um novo modelo de gestão nos agrupamentos.

Carregue aqui para propor alterações ao documento em cima

Talvez este documento possa ser útil ao Ministério de Educação… poderia poupar alguns euros em estudos…

Gonçalo Gonçalves

Professor do 1º Ciclo

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