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Educação Especial e Ensino Superior

"(...)enquanto existir um aluno que diga “Os apoios não existem, eu sobrevivo com a ajuda dos meus pais” e uma mãe que verbalize “Eu tive de deixar de trabalhar quatro anos para poder apoiar o meu filho” percebemos o quanto estamos ainda a falhar enquanto sociedade."

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Na última Conferência Parlamentar sobre “Inclusão no Ensino Superior”, no passado dia 16 de maio na Assembleia da República, foi abordada a perspetiva histórica da inclusão em Portugal e os desafios atuais no acesso ao ensino superior.

Como conclusões quero salientar os seguintes aspetos:

A inclusão em Portugal tem-se debatido, ao longo do tempo, com inúmeras barreiras. Barreiras que são maioritariamente movidas por crenças e preconceitos e menos legislativas. Se fizermos uma retrospetiva histórica percebemos que à semelhança de várias mudanças estruturais da nossa sociedade, o caminho nunca é imediato (e provavelmente ainda bem, grandes mudanças precisam de tempo para serem devidamente interiorizadas e não apenas superficiais). O caminho faz-se pela tentativa e erro, análise de bons e maus exemplos e no perpetuar da discussão e reflexão.

O Básico e Secundário têm vindo a sofrer mudanças profundas ao nível da estrutura física e curricular para que a Inclusão seja uma realidade que flua e não um cantinho num determinado espaço da escola. Ao nível do Ensino Superior percebemos que começam a existir práticas semelhantes (foram inclusivamente apresentados bons exemplos) no entanto foi perceptível que a “inclusão”, ainda recorrente em muitas escolas, pertence e um determinado gabinete, aquele que receita as doses de inclusão.

As lutas travadas ao longo dos ciclos são notoriamente mais difíceis à medida que a complexidade aparece. Ao nível do Ensino Superior acredito que em determinados cursos a flexibilização do currículo poderá não ser fácil uma vez que, tal como afirmou Alice Ribeiro, é necessário uma “cultura institucional” assente, exatamente, neste pressuposto, cultura e não imposição. A verdade é que a inclusão não se decreta. Por mais lei menos lei, esbarra sempre em crenças e preconceitos. Este continua a ser (e será sempre) o grande desafio.

No momento de debate pudemos ter a oportunidade de ouvir várias instituições, portadores de deficiência e familiares na primeira pessoa e a verdade é que enquanto existir um aluno que diga “Os apoios não existem, eu sobrevivo com a ajuda dos meus pais” e uma mãe que verbalize “Eu tive de deixar de trabalhar quatro anos para poder apoiar o meu filho” percebemos o quanto estamos ainda a falhar enquanto sociedade.

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