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Eduardo Sá | Os professores são “esquisitos”.

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Muito esquisitos….

É verdade que, em muitos momentos, eu afirmo que os professores são pessoas “esquisitas”. É claro que considerá-los dessa forma não pretende desconsiderá-los. Muito pelo contrário. Será, simplesmente, uma forma um bocadinho provocatória de enaltecer a dedicação de inúmeros professores em relação ao ensino, à escola e aos seus alunos. Por outras palavras, será um modo de chamar a atenção para a forma como os professores parecem tornear, dum jeito quase infatigável, todos os obstáculos porque gostam – simplesmente; e inacreditavelmente – de ser professores. Vão as dificuldades desde as regalias salariais às condições de trabalho. Desde as limitações de recursos à escassez de materiais. Desde a climatização inexistente à irracionalidade de inúmeros processos de gestão do ensino e da escola. Desde a estruturação de programas e dos métodos de avaliação à burocratização e à tecnocracia educativas que atropelam, a torto e a direito, a alma, a paixão e a singularidade educativas que colocam ao serviço dos seus alunos. Desde o tempo de trabalho semanal à deslocalização sucessiva a que estão submetidos. Desde a desconsideração social de que são alvo à exposição, desamparada, às exigências esdrúxulas de muitos pais e às necessidades educativas de todas as crianças, diante das quais ficam num inacreditável e quase interminável desamparo. E desde a inacreditável discrepância entre a formação inicial e a absoluta ausência de planos de formação e de atualização que os capacitem ao nível dos conhecimentos, dos métodos pedagógicos, das novas tecnologias, da gestão de grupos e das relações e dos temas “sensíveis” que o mundo lhes traz, todos os dias, para dentro das aulas.

Que outra profissão passa pelas provações a que os professores estão expostos e reage com a generosidade que os professores colocam na sua missão? Que outra profissão paga a sua formação, prejudicando a sua vida familiar, e a coloca ao serviço de quem usufrui dela sem a pagar nem a facilitar? Que outra profissão faz da sua paixão o argumento com o qual parece sobreviver a quase tudo? É verdade que em inúmeras profissões as limitações e as injustiças não deixam, também, de ser inequívocas. Mas haverá muitas outras profissões onde o desnível entre a exigência dos desempenhos e a negligência dos cuidados atinja tamanha dimensão? Acredito que não! E é por isso que, com admiração e respeito, não me canso de reafirmar que os professores são “esquisitos”.


O resto do artigo fala dos outros “esquisitos”, as associações de pais e o desaproveitar de tantas pessoas “esquisitas”.

Nem tudo é assim tão cor de rosa como quer pintar Eduardo Sá, mas fica a intenção…

O Futuro é dos Esquisitos

(Leya Educação – Eduardo Sá)

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