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Ed. Física volta a contar para a média mas isso não chega para curar uma sociedade doente

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Acabaram-se as dúvidas, a inclusão da Educação Física na média de acesso ao Ensino Superior voltará a vigorar no próximo ano letivo, algo que o ComRegras tem dito e reafirmado ao longo dos últimos meses. Cumpre-se finalmente a promessa feita em 2016 pelo secretário de Estado João Costa.

Apesar de não constar explicitamente que a Educação Física volta a contar para a média, o que foi feito, foi anular o antigo diploma, fazendo uma breve alusão no preâmbulo do novo diploma onde constam os novos currículos do ensino básico e secundário.

“Valorizam-se igualmente todas as componentes de currículo, afastando regimes excepcionais de apuramento da classificação final dos cursos do ensino secundário.”

Ao que o Secretário de Estado João Costa acrescentou…

 “A valorização de todas as componentes do currículo impõe a eliminação do regime excepcional relativo à classificação da disciplina de Educação Física, passando esta a ser considerada, a par das demais disciplinas, para o apuramento da classificação final de todos os cursos do ensino secundário.”

Mas o problema do “analfabetismo” desportivo da nossa sociedade, vai muito mais além que uma simples média de acesso ao Ensino Superior…

Não sei se leram, mas há cerca de 2 semanas, no dia da atividade física, foi publicado um estudo extremamente preocupante onde consta a seguinte conclusão

Em 2010, 33% dos portugueses diziam fazer exercício físico ou desporto com alguma ou muita regularidade — entre uma a cinco vezes por semana. Em 2014, o número desceu para 28%. Actualmente, são 26%.

Na altura fui contactado pelo jornal Público e apontei uma série de motivos para estes resultados, desde as tecnologias, a carga laboral pouco amiga da família, a falta de cultura desportiva e a ausência de uma aposta séria a nível escolar.

O problema começa no 1º ciclo, onde a prática da atividade física é reduzida/inexistente. Nos anos seguintes, constatamos algo atípico, a Educação Física no Ensino Secundário tem uma carga letiva superior à do Ensino Básico. Quer isto dizer que, a escola considera que é a partir dos 15 anos que a prática da atividade física é mais importante. Ora, isto é estúpido e revela um profundo desconhecimento do desenvolvimento físico, social e cognitivo das nossas crianças.

Na vizinha Espanha, a aposta na atividade física é exemplar, desde as condições oferecidas, à própria cultura existente. E o problema é essencialmente esse, falta cultural desportiva em Portugal, e só se consegue mudar uma sociedade se se começar bem cedo, ou seja com os mais novos…

Urge por isso alterar a carga letiva da Educação Física, reajustar a distribuição semanal e acima de tudo, criar as condições para que o desporto faça parte do quotidiano das nossas crianças.

Se queremos evitar que a geração atual e futuras, vivam menos que a dos seus pais, é preciso colocar a prática da atividade física como uma prioridade nacional, quer a nível escolar, quer a nível social.

A inclusão da Educação Física na média escolar é um passo no sentido certo, mas nada irá mudar se ficarmos por aqui.

Alexandre Henriques

Educação Física volta a contar para a média de acesso ao ensino superior

(Clara Viana – Público)

Nem tempo, nem motivação. Portugueses estão a fazer menos exercício

“O que está a faltar é a integração de hábitos mais activos no dia-a-dia”

(Rita Marques Costa – Público)

1 COMENTÁRIO

  1. A Ed. Física é um “bem maior” mas não se estuda.
    Logo não deveria contar para a média do ensino secundário, tão limitativa em termos de décimas nas médias finais.

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