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E Se As Escolas Deixassem De Ter Diretores De Turma?

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Quando li pensei logo que o secretário de Estado não estava bom da cabeça, mas depois de o ouvir dizer que os diretores de turma (DT) passariam para diretores de grupo (DG), sendo estes de 10 alunos, alguns violinos começaram a surgir na minha cabeça.

O cargo de DT é dos mais importantes nas escolas, pois é como um farol que ilumina os seus alunos em momentos mais conturbados, mantém o equilíbrio entre os membros do conselho de turma e alunos, e tem a árdua tarefa de lidar com os encarregados de educação.

O problema é que o DT tem 4 tempos para isto tudo, mais a papelada anexa a alunos com necessidades especiais, faltas, cartas para pais, etc… Há DTs que têm mais de 30 alunos e muitos deles com casos bastante complicados. Reduzir para 10 alunos é como o paraíso na terra.

Mas será que o DG ficaria com o mesmo número de horas? Não, o secretário de Estado referiu que a escola que implementou esta ideia não gastou mais recursos, significa por isso que menos alunos por DG, mas também menos horas.

Mais uma vez estamos perante uma boa ideia, tal como a flexibilidade é uma boa ideia, mas na prática embatemos sempre na mesma questão, a falta de recursos, a falta de investimento.

Evidentemente que a escola que teve a ideia pode estar feliz, pois se calhar os resultados até o justificam. Esta escola pode ter um corpo docente estável, com perfil para esta estratégia, ou se calhar com possibilidades para gastar grande parte do seu crédito neste projeto.

Só que o problema é sempre o mesmo e até já cansa estar sempre a falar do mesmo… dinheiro, dinheiro, dinheiro, ou neste caso, a falta dele…

Nota: se algum dos leitores trabalharem na respetiva escola, fiquem desde já convidados a partilharem a vossa experiência com todos nós. Enviem s.f.f. para [email protected]

(carregar na imagem para aceder ao vídeo)

5 COMENTÁRIOS

  1. A flexibilidade, na minha opinião, não é uma má ideia é uma péssima ideia, e os resultados, na prática, ainda são piores do que a Lei… O que a mesma permite é um afunilamento contínuo até que os alunos transitem… tudo o resto é folclore… Não podemos separar a questão dos directores de turma do que foi dito, da legislação, da perspectiva dos teóricos da coisa, e não falo do senhor secretário de estado… A ideia é boa os resultados é que são fracos!

  2. Estamos cheios de ideias geniais, até penso que somos os melhores do mundo,. Implementa-las é que é o cabo dos trabalhos….

  3. Que não haja ilusões. O que incomoda a tutela é a redução da componente letiva!
    Façam contas! Ao acabar com a redução da comp lectiva quantos horários vão à vida? Quanta poupança? Façam contas!

  4. Que escola implementou isto? Dimensão média das turmas? quantas turmas/alunos por professor? Que condições materiais? Que níveis e diversidade de currículos lecciona? Quantas horas são, efectivamente, dadas ao tal director de grupo? Onde são incluídas: na componente lectiva ou não lectiva de estabelecimento?
    Quem coordena o trabalho da turma – 3 prof. ?, É rotativo?

    Tretas, tretas e mais tretas… Tal como as FLEXIBILIDADES e INCLUSÕES… Assim que acabarem com os exames… teremos a ignorância à solta e a escola pública a entreter os ” filhos dos outros” para criar mão de obra barata!
    Os pais que não se ponham a pau… Os pais que se deixem iludir pela “banha da cobra” de quem não contrata professores para leccionar, para substituir os doentes, para cobrir as efectivas necessidades de apoios; que não contrata os funcionários que são indispensáveis às escolas ( e entra na vergonhosa situação de contrato à hora); que se está a marimbar para as condições físicas, materiais, de saúde e de qualquer mínimo de conforto das escolas… que apenas se preocupou com as intervencionadas pela Parque escolar onde temos o público a pagar ao público…(negociatas, portanto )…
    É TUDO UMA NEGOCIATA!!!

  5. Não sei se a realidade me mostrará que o ceticismo que me assalta será injustificado, mas parece-me haver algo que me está a escapar.
    Se os recursos são os mesmos, então será que se pretende libertar horas letivas para ajudar a colmatar a falta de professores? A experiência tem-me ensinado a “desconfiar do santo quando a esmola é grande”! A ver vamos…

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