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É para depositar.

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https://www.publico.pt/2017/05/12/politica/noticia/e-nao-e-que-antonio-costa-tomou-mesmo-conta-dos-filhos-de-joao-miguel-tavares-1771996

Respeito a opinião de João Miguel Tavares, assim como a de todos os comentadores e “críticos” de sociedade em geral. Recuso-me a entrar em acusações pessoais e ciclos intermináveis de escrutínios “facebokianos”. No entanto confesso que tenho muita dificuldade, “por defeito de profissão” (geral em qualquer profissão), de ler ou ouvir falar em assuntos relacionados com a escola quando quem escreve usufrui de toda uma propriedade sobre o assunto, sem deter os dados completos.

Li a crónica de João Miguel Tavares sobre a tolerância de ponto e a sua demonstrada preocupação em não saber onde deixar os seus filhos na sexta-feira dia 12. Este artigo fez-me recordar uma ideia: a Escola é, inúmeras vezes encarada, como um espaço de armazenar meninos. É uma discussão controversa que se prende com um dos papéis da Escola que não está, pelos vistos, muito bem definido.

A Escola assume um papel de desenvolvimento pessoal e social insubstituível. Em nenhum momento se presta ao papel de depósito de crianças e a simples ideia ou ação consciente ou inconsciente que interprete a Escola com esta função não credibiliza este espaço. Efetivamente o espaço escolar cruza a possibilidade de permitir aos Encarregados de Educação um espaço de segurança (infelizmente nem sempre) para os alunos, no decorrer do seu tempo de trabalho.

Conhecemos os constrangimentos laborais atuais que não permitem, em muitos casos, horários compatíveis com a Escola criando situações complicadas em que muitos alunos ficam até bastante tarde dentro do espaço  escolar.  Sabemos também que a rede familiar não permite muitas vezes ultrapassar estes constrangimentos. 

Sou da opinião que devem existir mecanismos, através das Associações de Pais; Juntas de Freguesia; Câmaras Municipais que permitam construir uma resposta possível, com a participação q.b da escola. Não aceito e considero contraproducente que este horário alargado, que tenta dar uma resposta principalmente aos Encarregados de Educação, seja um prolongamento de conteúdos escolares.

Estas atividades e estes tempos devem ser bem demarcados da Escola.

O João Miguel Tavares teve a sorte de naquele dia ter um António Costa que, com um sentido de humor e classe desarmante, resolveu o seu problema. Mas nem todos são João Miguel Tavares e mais ninguém é o Primeiro-ministro. E sabemos que um dia de escola fechada pode ser um ter um enorme impacto na rotina laboral, com muito pouco sentido de humor. Mas no dia que a escola passar a ser um armazém de meninos toda a nossa Educação deixará de fazer sentido.

Maria Joana Almeida

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