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Diretores querem alterações no acesso ao Ensino Superior

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Concordo que é preciso ajustar o ensino às necessidades do mercado de trabalho. Olhar apenas para a nota é redutor e está francamente desatualizado. O acesso ao Ensino Superior precisa de ser revisto para permitir que o Ensino Secundário privilegie as aprendizagens e não apenas as médias.

Diretores de escolas públicas e privadas deixam o alerta: secundário só serve para preparar para os exames nacionais. Com aumento de autonomia curricular, pedem que se repense o acesso ao superior.

Se o representante dos diretores de escolas públicas diz que que “o ensino secundário é um ciclo perdido”, o seu homólogo das escolas privadas concorda e fala em “juventude perdida”. Numa coisa, Filinto Lima e Rodrigo Queiroz de Melo estão de acordo: a flexibilização escolar, aprovada quinta-feira em Conselho de Ministros, é uma boa notícia, mas está na altura de se repensar o acesso ao ensino superior e de acabar com o peso excessivo dos exames nacionais.

Filinto Lima, voz da escola pública e presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, aproveita o momento para lançar um repto: “Desafio os reitores de todo o país a pronunciarem-se publicamente sobre algo que nós, associação, já andamos a falar há algum tempo, e que é o modelo de acesso ao ensino superior. A Confap [Confederação Nacional de Associações de Pais] também está farta de falar nisso, e parece-me que o Ministério da Educação também quer promover o debate. Mas vejo os reitores fechados e a não darem sequer uma palavra sobre o modelo de acesso ao ensino superior. Agora, é também a oportunidade de falarem sobre um assunto lhes interessa.”

(…)

No entanto, se no ensino básico a experiência correu bem, Filinto Lima ressalva que no secundário os problemas existiram, porque os professores estão demasiados preocupados em preparar os estudantes para os exames nacionais, tenham ou não autonomia nos currículos.

“No ensino secundário surgem dificuldades em virtude do modelo de acesso ao ensino superior. O secundário é muito virado para os exames e, devido à forma como está criado, é um ciclo perdido. É um ciclo em que os alunos se preparam para os exames, para aquela hora e meia”, sublinha o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Rodrigo Queiroz e Melo, que lidera a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (Aeep), concorda.

A expressão ciclo perdido é muito interessante por que é mesmo uma juventude perdida, digamos assim. Perdida por que os alunos do secundário poderiam ser muito melhores se pudéssemos ter tempo para que eles aprofundassem as aprendizagens”, sublinha.

E para ilustrar, o presidente da Aeep, dá o exemplo da Filosofia: “Se tenho de dar o programa e treiná-los para o exame, a essência da Filosofia que é a reflexão e o debate de ideias é posta de parte. O que faço durante os três anos do secundário é meter-lhes as ideias na cabeça. Fica de fora o aprofundamento e a reflexão.”

Por esse motivo, Queiroz e Melo insiste no mesmo ponto que Filinto Lima: a validade do atual modelo de acesso ao ensino superior deve ser questionada assim como o peso, que consideram desmesurado, das notas dos exames nacionais.

“Muita gente se tem pronunciado sobre esta questão na comunidade educativa. Não sabemos qual vai ser o futuro e o problema dos exames de acesso ao ensino superior tem de ser debatido. Não estamos tão preocupados com os alunos do 9.º ano, nem estamos preocupados com as provas de aferição, mas estamos preocupados com o acesso ao ensino superior”, sublinha o presidente da Aeep.

A diferença, explica, está na contagem das décimas. Enquanto que para um aluno do básico ter um 63% ou 64% não será muito diferente, argumenta, esse exemplo não é válido quando se fala de uma faculdade. “No básico, a questão não se põe porque não se está a jogar às décimas. Mas nos exames para o ensino superior já não é assim. As décimas podem decidir se o aluna entra ou não para o curso que deseja”, diz o presidente da Aeep.

“Há muito reivindicamos uma alteração substancial do método de acesso ao ensino superior em Portugal. Nós continuamos com um modelo que toda a gente sabe que não serve — é muito cómodo, muito eficiente, mas não serve a ninguém. Os empregadores já não querem saber da nota, querem outras coisas, e as universidades continuam fixadas em saber se o menino teve 18 ou 18,2. Isto não faz sentido nenhum”, salienta Queiroz e Melo.

Filinto Lima concorda e defende que é preciso perceber se o modelo atual interessa aos estudantes.

(…)

Fonte: Observador

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4 COMENTÁRIOS

  1. Eu proponho que o acesso ao Ensino Superior se faça pelo sistema de moeda ao ar… Não havendo exames será bué da fixe, porque podemos flexibilizar à vontade,e os senhores diretores não têm de apresentar contas de nada… Depois faz-se uma prova ´´bué da marada” e separa-se o trio do jóio: os filhos da classe média bué da libertária e moderna, e filhos dos endinheirados para um lado; a maralha , para umas universidadezinhas mais ”mixurucas.”. Quais as vantagens? Fazemos umas quantas instituições ”bué de privilegiadas” e com prova de entrevista e júri, sempre dá para fazer uns jeitinhos… Não faltava mais nada os alunos terem de aprender coisas ”bué de chatas” como a Matemática; o Aristóteles; ler o ”chato” do Camões, a Gramática … Conhecimento à séria
    é coisas como o direito dos bobbys entrarem, no restaurante; o direito à vida das pulgas e aracnídeos; a meditação bué da transcendental; e agitar uns guizos e coisos numa de meditação… O conhecimento tradicional está bué da cota, bem como o exame… Queremos é ser bué de felizes e radicais! Tá-se. Os diretores e os papás também tão a ficar bué da fixes… Só espero que , no próximo ano todas as salas tenham cadeiras com rodinhas para o conhecimento ser bué de eficaz!

    • Então o anónimo está “bué” satisfeito com o que se está a passar nas escolas, nomeadamente no Ensino Secundário? Ou é só “bué” ignorância???

  2. ´´Os empregadores já não querem saber da nota, querem outras coisas, e as universidades continuam fixadas em saber se o menino teve 18 ou 18,2. Isto não faz sentido nenhum”, salienta Queiroz e Melo.”
    O senhor Queiroz e Melo, que sabemos que é e que que anda, eu pelo menos tenho uma ideia… está pouco preocupado com o conhecimento, o que importa é o mercado… E o mercado, como têm explicado os cronistas da direita, não quer Humanistas, não quer formação global, mas indivíduos que se adaptem, facilmente, a ganhar pouco, mudar continuamente de funções e colaborar muito, sem consiência de classe , para os desígnios do capital ! É esta a escola que querem? Nem sequer percebem que algo deve estar muito errado quando a direita, mais de direita, se transforma, num milagre, e começa a defender ideias que sempre foram de teóricos marxistas? Só não vê quem não o deseja…

  3. Uma coisa é certa, concordo que este modelo serve de muito pouco.
    Menos peso dos exames nacionais, CONCORDO.
    Que sejam as Universidades e Politécnicos a seriar e formar os seus alunos, CONCORDO.
    Que ao aluno que pretende informática ou engenharia informática, o obriguem a fazer exame por exemplo de Geografia, não tem sentido. Que o aluno só deveria fazer exame à prova de ingresso que a faculdade pede, acho pertinente e justo como se está a pensar para os alunos dos profissionais.

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