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Diretor Manuel Pereira, Presidente da ANDE, disse um disparate de todo o tamanho.

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Na sequência do estudo que apresentei, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) Manuel Pereira, prestou as seguintes declarações ao jornal Público:

“Sou director há 14 anos e nunca suspendi um aluno, nem nunca o farei. Porque mandar um aluno para a rua é mandar também o problema para a rua e isso não se faz. Isto não quer dizer que não tenhamos tido problemas graves, mas conseguimos resolvê-los na escola”, refere a propósito o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.

E se um aluno lhe der um soco?

E se um aluno insultar a honra da sua mãe?

E se um aluno lhe roubar o telemóvel?

E se um aluno lhe furar os pneus?

Resolverá tudo na base do diálogo? Internamente???

A intenção seguramente foi mostrar um ponto de vista, um discordar do procedimento da suspensão. Já o disse que não sou contra, desde que seja utilizada após outras estratégias terem falhado, mas se o ocorrido é muito grave, o caminho a seguir só pode ser esse.

Os diretores são funcionários públicos, e estes, tal como os professores, são obrigados a cumprir a lei. A cabeça dos diretores, as suas convicções, ideologias ou o que quiserem chamar não se pode sobrepor à lei. Esta é de todos e para todos!

É grave o que disse o diretor Manuel Pereira e por 3 motivos. O primeiro porque este tem de cumprir a lei e se não cumprir com a dita, o próprio pode ter um processo disciplinar e ser demitido do cargo.

A Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, é clara.

7- O dever de zelo consiste em conhecer e aplicar as normas legais e regulamentares e as ordens e instruções dos superiores hierárquicos, bem como exercer as funções de acordo com os objetivos que tenham sido fixados e utilizando as competências que tenham sido consideradas adequadas.

E depois temos os deveres para com os docentes, consagrados no Estatuto da Carreira Docente.

Artigo 10.º-B
Deveres para com a escola e os outros docentes

h) Defender e promover o bem-estar de todos os docentes, protegendo-os de quaisquer situações de violência física ou psicológica, se necessário solicitando a intervenção de pessoas e entidades alheias à instituição escolar.

E convém lembrar também o que diz o Estatuto do Aluno…

Ou seja, existem orientações claras e obrigações claras que não podem ser negligenciadas por princípio. Cada caso é um caso e não acredito que Manuel Pereira tenha uma bola de cristal para adivinhar o futuro…

Depois temos o dever moral. É inacreditável que se diga a toda a comunidade educativa que “nunca” aplicará uma suspensão. Pessoalmente se fosse insultado ou agredido, além de exigir que fosse apresentada queixa nas autoridades, o aluno teria de ser suspenso, não pelo sentimento de vingança, mas por dever e pela proporcionalidade da sanção à gravidade do ato. O colocar-se no lugar da vítima é algo que falta a muita gente, e nunca nos podemos esquecer do que sente aquele que foi humilhado e espera que se faça justiça.

Por fim a representatividade do cargo que ocupa, enquanto presidente de uma associação de diretores. Facilmente podemos concluir que a sua voz é a voz de muitos e se assim é, é mau. Julgo que a maioria dos diretores terá o bom senso de não se rever nestas palavras. Mas são estes exemplos que dão má fama aos diretores, são estes exemplos que criam desconfiança nos professores e uma aversão pelo cargo em si.

Posições fundamentalistas nunca foram positivas, principalmente em lugares de liderança. Podemos concordar ou discordar, mas temos o dever de cumprir com o que está estipulado e não misturar as nossas ideologias com o cargo que ocupamos. Se não conseguimos, então mais vale dar o lugar a quem o faça…

E só para terminar…

Não existe aqui matéria para o conselho geral pedir esclarecimentos sobre estas declarações do sr. diretor?

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19 COMENTÁRIOS

  1. Sim, tudo está correto. Esquece-se um pequeno pormenor:
    – Vivemos em Portugal; os Conselhos Gerais nada fiscalizam, as DGEstE não vão agir contra Diretores e a IGEC está muito atarefada.

  2. Suspender 1 aluno é, na maioria dos casos , colocar o aluno onde ele quer estar, ou seja, fora das aulas. não é medida eficaz para sansionar alunos com atitudes desadequadas algumas delas brutais . Essa medida pode resultar com uma minoria numa idade em que por vezes estão a querer chamar as atenções e desafiar autoridade de professores e até dos pais. Quando os exemplos do mau comportamento já vêm de casa, a marginalidade e violência já é o seu contexto habitual desde sempre, que se pretende ao castigar com alguns dias de suspensão que até fazem do aluno 1 “herói” aos olhos de alguns colegas? Cada caso é 1 caso. Todos os alunos que ,mesmo antes de chegar a extremos, demonstrassem ou já tivesssem do ano anterior sido referenciados por mau comportamento sistemático, deveriam ser obrigados a ser acompanhados pela Psicologa da escola. Todas as escolas com mais de determinado numero de alunos, ou os agrupamentos, deveriam ter uma Psicologa Clinica para atendimento aos alunos problemáticos, pais e professores. Como Educadora de Infância há 25 anos e mãe há 30…entendo assim.

    • O aluno fica suspenso da atividade letiva, não quer dizer que fique em casa. Através de um qualquer protocolo, o aluno pode perfeitamente fazer trabalho em prol da comunidade. Em último caso, deve este cumprir com a tarefa que a escola lhe atribui conforme consta no estatuto do aluno.

  3. O resultado da política do “coitadinho não é pedagógico o castigo” está à vista de todos. Tem que existir castigos que podem passar por fazer trabalhos extra na sala de estudo nos casos leves ou suspensão com trabalhos para casa com fartura para os que não fizeram os trabalhos de casa, colocá-los a limpar a escola incluindo sanitários, ou até limpar ruas para ver se não aprendem de vez
    “Treta para boi dormir” a conversa deste diretor.
    Se um aluno lhe der um murro nos dentes ele mantém a sua ideia.
    A ideia que os psicólogos resolvem indisciplina não concordo nalguns casos podem ajudar mas na maioria nada resolve apenas acentua a ideia do “coitadinho porta-se mal mas a culpa não é dele é a família, a sociedade …”

  4. Acho muito bem ‘zelo’… à que pôr isto em ordem, é só ‘malandros’…
    Já agora, e andam aqui muitos professores, quando sabeis de colegas de trabalho que são muito maus professores e que nem os programas cumprem mas mesmo dissem que cumprem e, mesmo que cumpre será que os alunos entenderam porque o tempo é sempre pouco e temos de avançar… os senhores professores também denunciam?
    Já agora já apresentou queixa dos factos?

      • Não será esse direito também seu?
        Caso contrário para quê toda esta exposição, para dizer que não ficou ‘calado’?
        Aproveite o trabalho e boa sorte.
        Caso contrário será apenas mais uma opinião, que apesar da argumentação…

        • Mas devo eu substituir o conselho geral dessa escola? Devo eu substituir os diretores que são membros da ANDE? Quem de direito que faça o seu trabalho… Eu assumo as minhas responsabilidades, não tenho de assumir a dos outros. Aliás, eu não estou dentro da escola para saber se ocorreu alguma situação que foi negligenciada. As declarações proferidas não são uma ilegalidade, a sua prática é que é.

          • Pode esse conselho geral andar distraído!…
            Deve saber que à escolas sem toques, sem TPC, sem retenções, etc… porque não sem castigos? Sem a severidade desta triste sociedade. Quantos de nós não fomos meninos e meninas marotos noutro tempo e agora professores…

          • O segredo é o equilíbrio entre a prevenção, o trabalho de proximidade e a punição. Excluir umas destas vertentes não dará bom resultado.

            Se o conselho geral anda distraído numa escola onde o diretor disse o que disse… bem… acho que está tudo dito!

  5. Quando li achei de muito mau tom… Parece que é melhor professor que todos os outros e que os restantes não se fazem respeitar. Sou professora do 1° ciclo e este ano tenho uma turma em que a colega que estou a substituir só os aguentou 4 dias e colocou atestado. São muito mal educados, não me insultam mas têm um comportamento completamente desajustado ao contexto sala de aula e os pais desdramatizam… O índice no primeiro ciclo só não é porque em muitas escolas tem que se aguentar o aluno dentro da sala e mais nada porque não “podem” ser enviados para a rua… E os pais sacodem sempre a água do capote

    • Tudo o que se vai por aqui dizendo é a realidade da nossa educação e do mundo em geral, mas o problema não reside nos alunos e sim nos país, por isso a ação deve ser dirigida aos pais. Se os comportamentos são desadequados, sejam corretos, inflexíveis e participem. Pois à muito professor malandro e não vejo um sequer dizer nada. E eu já fiz algumas boas participações sobre o mau profissionalismo de muitos professores, pois no fim somos todos humanos e não ditadores que muitas vezes não nossa boca parecemos.

      • “à muito professor malandro”? Será? Parece-me a mim que há é gente que gosta de se meter em assuntos que nem sequer entende, como não entende igualmente o mau uso que faz da língua portuguesa! Desta forma, há também muita gente malandra que não se quer dar ao trabalho de corrigir os próprios textos! 0u isso ou ignorância! Lamentável atacar assim uma classe e saber tão pouco!

        • Mas é ignorância… acredite. Quanto ao português sou dislexico, talvez me possa perdoar. Já agora, na carreira de professores se me conhecesse, sabia que luto muito. Malandros? Só se estiver fora da carreira de docente, para não os conhecer, nas é sabido que por mais vale olhar para o lado. CLARO QUE HÁ MUITOS BONS PROFISSIONAIS E DEVE TIVE O PRAZER DE NOVEMBRO ÚLTIMO ANO LETIVO O PODER PREMIAR PELO SEU BOM TRABALHO E EMPENHO E CIVISMO E TOLERÂNCIA E MUITAS OUTRAS RAZÕES. Desculpe o português.

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