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Devem os professores auferir o mesmo vencimento?

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Como diz e bem o Mário Silva, é um assunto tabu e subscrevo as suas palavras.


No panorama atual, é inevitável começar a falar nos assuntos tabu educativos, sendo um deles a carreira remuneratória. Um dos argumentos principais usados no período 2005-2009 para contestar a criação da figura do ‘prof.titular’, é que não tinha justificação separar pessoas em categorias profissionais diferentes que executavam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL. Este argumento é válido para estabelecer o valor remuneratório, pois um prof. de uma área disciplinar do 2º/3 ciclo/secundário no 3º escalão executa o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL do seu colega no 7º escalão, mas a diferença salarial é de algumas centenas de euros. Portanto, a carreira remuneratória vertical estabelecida para pessoas que realizam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL, promove injustiça salarial. Por isso, usando o mesmo principio argumentativo para rejeitar a figura do ‘prof.titular’, a carreira devia ter só um índice remuneratório para todos (respeitando o principio de MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL equivale a salário igual) e diferenciava-se com a idade através da redução da componente letiva e/ou de suplementos remuneratórios consoante os cargos que fossem exercidos (coordenação pedagógica, apoio educativo, etc.). De certa forma, regressar a um modelo que já existiu, em que existia compensação com redução letiva a quem, para além de lecionar, exercia coordenação pedagógica (coordenador de área disciplinar, coordenador de departamento, direção de instalações, coordenador secretariado de exames/elemento do secretariado, elemento da comissão de horários, elemento de comissões pedagógicas, etc.) e/ou apoios pedagógicos (tutoria, apoio individual, sala de estudo, estudo acompanhado, clubes/núcleos temáticos, etc.).

Verifica-se a existência de profs colocados em escalões superiores (7º a 9º) que não estão nomeados para nenhum cargo de coordenação ou apoio pedagógico, apenas exercendo a atividade principal de lecionar, enquanto outros colegas em escalões inferiores, além de assegurarem a mesma atividade principal ainda asseguram coordenação pedagógica e/ou apoio pedagógico, o que significa que estes têm uma maior carga de trabalho sem a respetiva compensação salarial.

Com este modelo utilizado há décadas, não falando nem debatendo este assunto tabu (e consequentemente controverso), está sempre latente uma evidente discriminação negativa entre pessoas que realizam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL, o que promove um ambiente de crispação profissional pouco saudável para todos (professoras/es e alunos).

Mário Silva

*Comentário publicado no artigo Temos de esperar 2 anos para receber a totalidade da subida de escalão

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23 COMENTÁRIOS

    • No ECD da década de 90, o exercício de cargos dava direito a redução da componente letiva (que é uma forma indireta de remuneração).

  1. Ainda mais grave é ter 15 anos de serviço sem nenhuma redução de componente lectiva chegar a ter 12 turmas! Mesmo 12 turmas. Quase 300 alunos ser diretora de turma trabalhar muitíssimo mais que os colegas no último escalão e receber mil euros!, claro que a discriminaçao é brutal. A democracia não é para todos. Eu já estáva no quadro quando me penalizaram das reduções e mantiveram a quem já as tinha! Isso é discriminação pura. Queria ver os colegas nos últimos escalões a com 22 horas lectivas a terem 300 alunis matemática, português, etc… Já tinham abandonado o ensino….

    • É uma questão pertinente e muito interessante (além de ser outro tabu). Se o assunto da remuneração já provocou as reações que se viram, então este nem se fala…
      Mas reforço a questão para cada um refletir: o conteúdo funcional é idêntico em todos os níveis de ensino? E também em todas as áreas disciplinares?

  2. O colega tem uma visão deturpado da realidade. Concordo que as diferenças de salário são excessivas, mas o senhor fala contra os mais velhos, como se fossem eles a ganhar demais e não os mais novos a ganhar de menos! Chama-se a isso inveja é essa só faz mal a quem a sente! Que sabe o senhor do trabalho (excessivo para a minha idade) que desenvolvo junto dos meus alunos? Nada! Sou uma excelente professora, sei autoavaluar-me e ganho pouco. O senhor se calhar nem o que ganha merece, pois nenhuma pessoa invejosa pode ser bom profissional. Estou a ser dura, é verdade, mas anosas classe é isto, infelizmente, uns contra os outros!

    • Os erros são gralhas de quem ganha demais para a visão que tem… se calhar já devia estar aposentada… mas não me deixam… 😂

    • Existe uma interpretação deturpada do conteúdo. Não é feito ataque a ninguém nem é exigido que se diminua o que existe porque isso é mediocridade. O que é questionado (uma das competências de um prof é questionar, tal como deve ser do aluno) é se tem nexo a verticalidade da carreira remuneratória entre pessoas que estão rigorosamente a fazer a mesma função. Em duas salas de aula contiguas estão 2 profs de Mat a ensinar a alunos de 7º ano; tem nexo um ganhar mais €400 que o outro apenas porque é mais velho, sendo a responsabilidade e o trabalho igual? Então onde está o principio feminista “trabalho igual, salário igual” que recentemente tanto se exigiu entre pessoas que executavam a mesma função mas ganhavam salário diferente apenas porque eram de sexo diferente?
      Uma excelente professora apresenta argumentação factual e não faz ataque ad hominem quando não a tem. Estou a ser duro porque não estava contra ninguém porque quando estou a minha linguagem é bem explicita.

  3. Eu não concordo em absoluto.
    tenho 38 anos de serviço e 62 de idade. Nesta altura, estou sem cargos, mas já os tive todos e alguns deles em simultâneo.
    Dantes, quem vinha de novo, ou entrava na carreira tinham todos os cargos… se continuarmos a ter sempre… como é?
    Penso que a certa altura temos de dar lugar a outros mais novos…

    • Dar lugar aos mais novos significa não assumir tarefas? E se assim é, então porque continuam a trabalhar? Não percebe que esse argumento só valida a imagem de que ser mais velho é um peso? Para umas coisas ser mais velho é vantajoso e para outras já não serve?!
      Pois eu não quero que me vejam como o ‘coitadinho do velho’…

  4. Estou totalmente de acordo com a Maria dos Anjos.
    Já fiz muita greve e manifestação.. para o bem de todos! Mas os mais novos devem empenhar-se mais na resolução dos seus problemas. Porque eu continuo a avaliar os colegas e isso também conta como cargo? onde?

  5. “MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL”…???? :))). Extremamente redutor essa sua análise. Um jogador de futebol senior, por exemplo, devia ganhar o mesmo que um junior, um engenheiro com 30 anos de experiência devia ganhar o mesmo que um com 3 anos (era só pontes a cair), um médico com 30 anos de experiência, devia ganhar o mesmo que um outro com 3 anos (era só mortes) e assim sucessivamente. Pense melhor no que diz, tente ganhar experiência na profissão e daqui a uns anos escreva outro artigo. :)))

    • o ‘engraçado’ é que para rejeitar a figura do prof.titular se usou o argumento do mesmo conteúdo funcional entre profs…
      e veja-se o que implicitamente está dito neste comentário: os mais novos, por terem menos idade, são tendencialmente incompetentes…o que significa que o autor quando era mais novo não ensinou convenientemente os alunos…
      quando se pessoaliza uma opinião, dá crispação…

        • Quando se tocam em pontos sensíveis, nomeadamente aqueles que dizem respeito ao umbigo de cada um, há sempre reação mais hostil, como se notou no tom crispatório da resposta do João…não sei o que o incomoda porque o seu estatuto não será alterado nem se está a pedir para que seja alterado. Por isso, sou que digo, tenham calma que não vão alterar a posição em que estão.

  6. E que tal, numa lógica de “mesmo conteúdo funcional”, e já que os que estão acima de nós (Ensino Superior) ganham mais, que tal, dizia, os professores do secundário ganharem mais do que os do 3º ciclo, estes, mais do que os do 2º ciclo, etc.? Toca a esfrangalhar a carreira… e pôr os professores uns contra os outros, obedecendo à divisa “dividir para reinar”. Por exemplo, pagar mais aos professores que gastam 20 horas a corrigir os testes de uma turma (tendo 4 ou 5) e menos aos que fazem testes de escolha múltipla e os corrigem em meia hora. Que acham?

    • O ‘dividir para reinar’ já existe há muitos anos; apenas se manteve apaziguado porque os que estavam em ‘baixo’ tinham a expetativa de amanhã estarem em ‘cima’. Com a eliminação dessa expetativa, essa paz relativa não será a mesma, nomeadamente quando quem está em ‘baixo’ verifica que as direções são coniventes com a manutenção do status quo de muitos dos que estão em ‘cima’, impondo aos que estão em ‘baixo’ o exercício de tarefas que poucos consideram atrativas e isentando ano após ano dessas tarefas os que estão em ‘cima’.

      • Acredita mesmo no que escreveu, mario silva?

        Esta ficção faz-me lembrar o Upstairs, Downstairs…..

        De que mais se irá lembrar para alimentar esta “conflitualidade”?

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