Início Editorial Deve a escola passar TODOS os alunos no 1º ano de escolaridade?

Deve a escola passar TODOS os alunos no 1º ano de escolaridade?

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Facultativos ou não, com adaptação ou não, maturidade ou não, aquisição de conteúdos ou não, retenção ou não, são dúvidas que existem no início, durante e no final do 1º ano de escolaridade. Porém, a nossa legislação pouco ou nada quer saber sobre uma série de questões pedagógicas.

Se um aluno está no 1º ano, o professor já sabe que tem de transitá-lo no final do ano. É tudo igual, tudo leva carimbo de guia, não há cá diferenciações pedagógicas, ritmos de aprendizagem, ou reflexões sobre se deve esperar ou avançar no seu percurso escolar. O destino está traçado!

Pode parecer um contrassenso, pois várias foram as vezes que falei na excessiva cultura do chumbo que existe em Portugal, mas há que saber distinguir as coisas e existem premissas que se aplicam ao 1º ano e que não se aplicam aos restantes – a idade de entrada, se veio de casa ou do pré – escolar e a atitude do aluno.

Vários são os alunos que entram para o 1º ciclo com 5 anos, o que ao contrário do que se verifica na Finlândia, onde os alunos começam a escola aos 7 anos, pode levar a dificuldades significativas ao nível da compreensão de conteúdos por manifesta falta de maturidade. Ainda por cima, o 1º ciclo vive nos dias de hoje,  um desfasamento elevado entre a complexidade dos conteúdos e a maturidade dos alunos. É por isso aceitável dizer,  que a retenção no 1º ano pode trazer mais vantagens do que desvantagens. Não é por acaso que no 2º ano a taxa de retenção é mais elevada que nos restantes anos…

Fonte: DGEEC

Tudo isto poderia ser evitado se as turmas do 1º ciclo tivessem dimensões condizentes com as necessidades dos alunos, onde um ensino mais individualizado poderia respeitar os ritmos de cada um.

Há dias tivemos conhecimento que a escolaridade obrigatória não chega a todos, e no pré-escolar,  vários são os casos de alunos que não passaram por essa fase tão importante para o restante percurso escolar.

Os dados do “Retrato de Portugal 2017” revelam que a taxa real de escolarização foi de 100% entre 1981 e 2013, tendo caído para os 97,9% em 2014 e para 97% em 2015. Em 1961, era de 80,4%.

Outro aspeto que me leva a aceitar a retenção no 1º ciclo e em particular no 1º ano, é a atitude dos alunos perante o chumbo. A cultura de desresponsabilização e de recusa não é tão visível no 1º ciclo, onde as frases “não faço” e “não quero saber”, ainda não são muito comuns. A retenção é mais facilmente encarada como um “dar tempo” em vez de uma penalização pela falta de trabalho.

Deviam os nossos governantes tomar uma decisão, ou mudam algumas das premissas que referi, ou mudam a lei e permitem que a retenção pedagógica seja incluída no 1º ano de escolaridade.

Fica uma sondagem para conhecer a vossa opinião.

8 COMENTÁRIOS

  1. Esta exigência romântica da transição automática do 1.º para o 2.º ano é responsável por uma parte muito significativa do insucesso nos anos seguintes.
    Se há ano em que a reprovação poderia ser benéfica para o aluno, é no 1.º, e não apenas pela imaturidade que muitos apresentam.
    Depois, não podendo ser no 1.º, reprova-se no 2.º.
    E, mesmo assim, com vantagens comprovadas, como tive ocasião de constatar e mostrar.
    Daí para a frente, não compensa reprovar.

    • Caro Agnelo concordo plenamente consigo quando afirma ” transição automática do 1.º para o 2.º ano é responsável por uma parte muito significativa do insucesso nos anos seguintes.” isto porque se um aluno não consegue aprender a ler ( e ler implica interpretar) no primeiro ano, vai obrigado a um esforço suplementar do professor e também do aluno para o conseguir no segundo, com prejuízos substanciais para os colegas. Penso deveríamos refletir se com turmas mais pequenas, até 20 alunos não se conseguia sucesso. Boas Férias e um abraço do Coração do Dão

  2. Lamento mas discordo. O problema dos alunos passarem todos do 1ºano par o 2ºano não tem a ver com idade do aluno mas sim da sua origem familiar ( um aluno oriundo de uma família estruturada da classe média-alta com um aluno de um bairro social onde o pai está preso e a mãe é uma prostituta é evidente que os resultados escolares são diferentes). Outro problema é haver turmas do 1ºano com 26 alunos (até tenho conhecimento de turmas com um número superior a esse) e às vezes na mesma turma existirem anos de escolaridade diferentes.

  3. Não cpncordo com a retenção no ,primeiro ano. Mas, acho que os alunos deviam entrar na escola primária a fazer sete anos até dezembro. As exigências são muitas para a faixa etária. Pais e governantes deixem as crianças serem crianças!

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