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Dar um 3 a um aluno com 49% ou um 2 a um aluno com 51%…

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Amanhã começam as reuniões de avaliação e o 2º período é no meu entender um período de (re)equilíbrio. Se no 1º período as classificações atribuídas podem deixar algumas dúvidas aos professores, o 2º período permite um conhecimento mais profundo do aluno e da sua real capacidade.

Costuma-se dizer que em caso de dúvida devemos beneficiar o aluno. Mas se um aluno mostrar que o ano está no “papo” e tem vindo a perder fulgor com classificações insuficientes, até que ponto é benéfico atribuir uma classificação positiva, mesmo que a avaliação (contínua) do aluno o mantenha à “superfície”?

Atribuir uma classificação é muito mais do que um ato quantitativo. Cada classificação tem uma mensagem implícita e por vezes o melhor para o aluno, é abanar as suas convicções, mostrando-lhe que estamos insatisfeitos com o caminho que está a seguir. Tal como é aceitável atribuir um 3 (escala 1 a 5) ou um 10 (escola 1 a 20) a um aluno que está a subir mas ainda não atingiu o patamar mínimo, também é legítimo o seu contrário.

O “grelhador” Excel é uma ferramenta espetacular, muito útil e que poupa imenso trabalho aos professores. Mas não é, nem poderá alguma vez substituir o julgamento humano, o julgamento de um professor. Avaliar tem muitas nuances, algumas delas quantificáveis, outras nem por isso. “Sentir” o aluno e saber motivá-lo/alertá-lo é da competência do professor, e este deve primar pelo bom senso, não caindo em radicalismos reféns das suas convicções pessoais.

Não sou daqueles que diz mal do Excel por desconhecer o seu potencial ou não saber mexer no dito. Eu próprio tenho umas grelhas todas xpto e coloridas, cheias de fórmulas para todos os gostos. Mas o que me diz o Excel, não passa de uma orientação, a decisão será sempre minha e acima de tudo será uma decisão a bem do aluno, quer ele goste ou não…

A nota não é dada consoante o que os alunos querem, durante a autoavaliação quando ouço “eu quero…”, respondo sempre, “tu aqui não queres nada, tens o resultado do teu trabalho”. O ato de avaliar é o mais complexo e difícil do professor, deixando-o muitas vezes com dúvidas significativas, ponderando entre seguir o coração ou a cabeça.

Nesta e noutras matérias, a experiência é um posto, e os critérios de avaliação, mesmo que não sejam do nosso agrado, devem ser respeitados. Mas atenção, nunca confundir uma nota pedagógica com anarquia avaliativa, algo que nem sempre é entendido por quem avalia.

Alexandre Henriques

3 COMENTÁRIOS

  1. “Mas o que me diz o Excel, não passa de uma orientação, a decisão será sempre minha e acima de tudo será uma decisão a bem do aluno, quer ele goste ou não…”

    Subscrevo totalmente, e faz-me 1 certa estranheza quem glorifica o excel e vai até às milésimas, mais parecendo as promoções de 1 qq hipermercado no dia 1º de Maio- 12,998 valores e por aí fora.

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