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Da iliteracia motora à obesidade infantojuvenil.

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Ainda ontem publiquei um artigo  1º ciclo | Proposta de horário para alunos e professores. onde proponho um reforço da prática da atividade física nos mais novos.

O sistema educativo português é sui generis e funciona ao contrário, ora vejamos:

  • no 1º ciclo, cerca de 80% dos alunos não pratica atividade física de forma regular;
  • no 2º e 3º ciclo, os alunos têm 3 tempos por semana de Educação Física;
  • no Ensino Secundário,  os alunos têm 4 tempos por semana de Educação Física.

Ou seja, os mais novos, na altura onde se assimila as boas práticas e quando mais precisam de “descarregar” energias, são praticamente ignorados, fruto de opções por áreas ditas “nucleares”, com a conivência de professores, diretores e pais que desconhecem o programa do 1º ciclo. Só mais tarde, quando os vícios já foram ganhos, é que a aposta na atividade física é mais incisiva. Lembro as orientações da OMS que indicam que as crianças/jovens devem ter uma prática física diária de 60 minutos.

Se somarmos a isto, a proliferação da fast food a um preço imbatível e as dificuldades financeiras que Portugal atravessou/atravessa, estamos perante a tempestade perfeita.

Esta geração pode muito bem morrer antes dos seus progenitores.

Mas o povo é sereno… imaginem o que seria se surgisse uma notícia de primeira página em pleno século XXI a dizer:

Em Portugal, 1 em cada 10 crianças não sabe ler nem escrever.

Ninguém fazia nada? Era aceitável? Não será a saúde mais importante que tudo o resto?

O estigma que existe, que a atividade física é para burros, que a educação física é uma disciplina inferior, que a educação física não deve contar para a média,  reflete bem a insensibilidade e ignorância de muita gente,  inclusive com um canudo nas mãos… Mas como isto é escrito por um burro, vale o que vale…

Já aqui escrevi e volto a escrever, nunca tive tantos alunos gordinhos, nunca tive tantos alunos que não se querem mexer, nunca tive tantos alunos com lesões e nunca tive tantos alunos com uma ignorância motora tal que é assustadora.

E quando leio a capa do Jornal I, só me ocorre um pensamento…

A culpa é do país, um país que tem uma enorme falta de cultura desportiva, que julga que desporto e atividade física se resume ao penalti que foi, ou não foi marcado.

Portugal é dos países com mais jovens obesos

(RR)

Raparigas portuguesas são das que praticam menos desporto na Europa

(Romana Santos – Público)

Os dados dos rapazes não são tão negativos, mas também estão longe de serem animadores. Aos 11 anos, 26% dos adolescentes praticam pelo menos uma hora diária de uma actividade física moderada a vigorosa. Aos 13 anos o valor desce ligeiramente para 25% e aos 15 anos cai para 18%. Margarida Gaspar de Matos defende que é preciso incentivar o exercício de outras formas, começando por acabar com alguns estereótipos como “retirar dos praticantes de actividade física a ‘etiqueta’ de que são pouco ‘intelectuais’”.

A investigadora vai mais longe nas razões que explicam este afastamento do desporto. A começar pelas poucas condições que existem nas escolas para que os adolescentes possam tomar banho após a actividade desportiva. Depois, sublinha que a associação entre o desporto e práticas competitivas ou até alguns comportamentos mais violentos afasta muitas vezes os jovens que apenas procuram um momento de lazer. “A promoção da actividade física não passa por convencer os adeptos da prática, mas por encontrar contextos e motivação para os que não são adeptos e entender o que os afasta”, conclui.

Carreguem aqui para ter acesso ao documento completo da OMS.

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