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A culpa também é nossa e não só da Alemanha

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culpaA situação em que os países do Sul Europeu – algo a que se chamou de PIIGS, Portugal, Itália, Irlanda Grécia, Espanha – se encontram dos quais fazemos parte, com um amontoado de crises, não é só culpa da Alemanha, e do Sr. Schäuble. Temos uma quota-parte de culpas que não quereremos assumir.

A Grécia até pelo seu contexto, geografia e até Ortodoxia ainda mais culpas que nós terá, mas se olharmos cá para o nosso País, que antes era um “jardim à beira mar plantado”, continuamos a “arrastar” problemas, veja-se agora os colégios privados pagos pelos nossos impostos, ninguém se quer entender, antes, deixar correr.

Sempre, atirando as resoluções definitivas para o próximo mês, e depois já será ano e assim sucessivamente, e só de corda ao pescoço resolvemos, e aí, mal.
Vejamos mais alguns casos, problemas nossos: a indisciplina orçamental, o clientelismo do Estado, a corrupção na contratação pública, a não continuidade de políticas estruturais quando muda o Governo.

Além de que a nossa economia é pouco competitiva, as empresas estão descapitalizadas e a Justiça tem uma insuficiente eficácia.

Ou seja, cá dentro temos um “horror” de problemas que não sabemos – não queremos – resolver, que passamos de geração em geração e quando nos são apontados – por reais- os negamos totalmente, ou vitimizamo-nos por nos atirarem à cara a verdades, verdadeiras.

E vem o “chorrilho” usual de palavreado gasto, já sem conteúdo de “soberania, democracia, intromissão e prepotência do Norte sobre o Sul da Europa.

E, engatilhamos no que nos foi ficando “colado à pele” e que fazemos por achar normal e até salutar, os eternos três F´s que não nos largam,  Futebol, Fátima e Fado, e até se ouvem “saudades” salazarentas do tempo de Salazar.

Temos que ter um tempo para pensar – algo tão fora de moda nos anos mais recentes – nestas nossas culpas, tenteando emendá-las, agarrando o positivo que temos e somos, no que somos muito bons, mas acabando com o que somos maus, e ainda para agravar, culpamos os outros por assim sermos.

E a Itália, a Irlanda – norte, mas igual ao Sul –  a Grécia, a Espanha,  o Sul da França têm que fazer o mesmo e não só a Alemanha, a despejar Euro/marcos sobre nós.
E, como quem escrever “isto” nunca foi nem é politico, nem a tal ambicionou/ambiciona ser, agora sexagenário, pode dizer sem ofender chefes ou perder eleições, o que de facto são os nossos problemas.

Esperemos querer para nosso bem, mudar para melhor. E culpar a Alemanha e o Norte Europeu, quando são de facto, culpas deles!

Augusto Küttner de Magalhães

*artigo também publicado no jornal Público de 14 de maio
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