Início Rubricas A culpa é dos professores que estão por nascer (ou não)…

A culpa é dos professores que estão por nascer (ou não)…

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«Se dizemos do entendimento que ele é o poder de reconduzir os fenómenos à unidade através das regras, deve-se dizer da razão que ela é a faculdade de reconduzir à unidade as regras do entendimento através dos princípios. Portanto ela jamais se relaciona imediatamente nem com a experiência, nem com um objecto qualquer, mas com o entendimento, a fim de fornecer a priori e por conceitos aos variados conhecimentos dessa faculdade uma unidade que se pode chamar racional e que é inteiramente diferente da que o entendimento pode fornecer.»

Kant

… raramente pensamos nisto. Uma criança entra no “sistema” aos 4, 5 ou 6 meses. É metido numa sala com outros e orientado por “educadores” que não são os pais. Depois, só sairá do sistema aos 18 anos. Raramente pensamos nisto mas os pais, verdadeiros elementos fundamentais para a educação de uma criança, estão num sistema à parte onde o “trabalho” lhes leva 8, 9, 10, 11 ou mais horas da sua vida. Reservam depois, pouco tempo, para essas coisas da escola. Raramente pensamos nisto porque não nos interessa colocar em causa o sistema que tudo e todos transforma em seres presos nesse sistema que tudo consome. É agora esse mesmo sistema, criado por todos nós, que publica um novo modelo para o aluno. Imaginei logo na minha cabeça um enorme boneco de plástico, embalado como um brinquedo, com instruções, normas e indicações de uso. Ou o “novo homem” que alguns anunciavam no final do século passado. O sistema é uma besta. E como tal, recria-se para sobreviver. Grita, de tempos a tempos, para nos dizer que os alunos devem ser assim ou assado. Que o que se espera de um miúdo criado dentro das suas paredes é que ele seja “conhecedor” mas agora em todas as suas vertentes com a modernidade da “inteligência emocional”. Antes, se contarmos os anos, foram 3 ou 4, era a exigência e o conhecimento. “Só passa quem souber”. Agora é a “formação global do individuo” e as competências para além da escola. Andamos nisto, para a frente e para trás. Olhamos para os “modelos” lá de fora como exemplo e quando alguém partilha algo que esse modelo “atira” como sucesso lá vem o comentário: eles são civilizados. Acontece que nós também. Raramente pensamos é nisso. Nós também. E depois, no fim das contas e dos discursos atiramos a culpa aos professores. Curiosamente, todos eles, foram filhos desse mesmo sistema que agora integram sem questionar ou raramente pensando nele como algo que podia não ser assim. Daqui a uns anos haverá professores que estiveram, como anos, dos 4 meses aos vinte e tal anos. Sem dele sair. Sem o questionar. A serem orientados por “guias” para “o novo aluno”. Raramente pensamos nisto. Mas talvez seja esse o imenso pecado da escola que hoje eu, pai e educador, vejo como mortal: a escola é preciso ser crítica, cultura, ciência e saber. A sabedoria eleva a inconformidade. Talvez seja verdadeiramente isso que falta à escola. Porque guias, rumos e coisas que tais está ela cheia…

João Lima, Pai.

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