Início Editorial Conselho das Escolas? Das Escolas???

Conselho das Escolas? Das Escolas???

700
9
COMPARTILHE

Segundo o blogue DeAr Lindo, foi reeleito o presidente José Eduardo Lemos que encabeçava a lista A para presidir o Conselho das Escolas. Boa sorte e que não se esqueça que o mandato é só de 3 anos e não de 4…

Confesso que faz-me muita confusão o termo deste órgão consultivo – Conselho das Escolas. Quem anda nas escolas perceberá o que eu vou escrever… Mas as Escolas sentem-se representadas pela figura do diretor? As Escolas são os diretores?

O ato de eleição do diretor, que quem não sabe é feito pelo Conselho Geral (constituído por pouco mais de uma dezena de pessoas, em representação de professores, assistentes operacionais, diferentes entidades e alunos (acho que não me esqueci de nenhum)), é um lusco-fusco de democracia, rejeitado pela generalidade da comunidade escolar, e até por metade dos diretores, conforme pude mostrar no inquérito realizado pelo ComRegrasPalavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais.

Inquérito: Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais
Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais

TODOS sabemos como são criadas as listas para o Conselho Geral, as pressões que existem e os joguinhos de bastidores num toma lá dá cá, eticamente muito questionável…

Enquanto membro da escola, este não é o meu Conselho das Escolas, acho um abuso chamar-se Conselho das Escolas e este Conselho nos moldes que existe não me representa nem nunca me representará. Que palavra é que tive para eleger quem quer que seja? Eu votei numa lista para um Conselho Geral, não votei na eleição do diretor e muito menos votei para a eleição do Conselho das Escolas.

Conselho das Escolas? Das Escolas??? Este é o Conselho dos Diretores, que se auto elege e que não representa a comunidade escolar. Representam-se a título individual, com as suas ideias e ideais, inclinando pareceres consoante a cor que vestem e a cor que querem agradar.

Lembra-me aqueles encontros de elites, onde se veste prada e uns smokings e servem-se umas bebidas e se fala muito polidamente, enquanto a plebe grita lá fora mas ninguém os ouve. Elaboram-se teorias, debatem-se conjeturas e conjunturas, fazem-se de importantes, pois importantes julgam que são, mas são apenas uma ínfima parte da população escolar que subiu tão alto que já nem pergunta às bases se estas se sentem representadas por si.

O Ministério de Educação continua a gostar do Conselho das Escolas. O Ministério da Educação continua a aceitar a falta de democracia das Escolas. O Ministério da Educação criou o Conselho das Escolas, perdão, o Conselho dos Diretores.

É o país das aparências, o país do faz de conta, o país dos pareceres que pouco ou nada servem, que pouco ou nada contam e que pouco ou nada representam…

Alexandre Henriques

9 COMENTÁRIOS

  1. Fascinante… Um Conselho das “Escolas” que passa completamente despercebido nos organismos que “representa”. A nossa educação é uma caixinha de surpresas sem fundo…

  2. No Conselho Geral também estão representados os pais e o numero de elementos pode chegar a 21. O Diretor é eleito pelo Conselho Geral ou seja, por um método colegial. No entanto, isso não impede que a eleição do Diretor não seja impermeável a jogos de influências e campanhas, muito pelo contrário. Algumas coisas deveriam mudar na legislação para aumentar a democracia do ato de eleição, desde logo eliminando a possibilidade de recondução e permitindo a todos os candidatos apresentarem as suas propostas a todos os membros do Conselho Geral. Tal como está, o sistema é impeditivo da mudança, da entrada de novas pessoas já que beneficia em demasia quem já está presente no Agrupamento em detrimento de quem vem de fora.

  3. Quem está nos conselhos de escolas? Quem os diretores querem que esteja, ou seja, quem não os aborreça muito nas suas decisões e atitudes…
    Quanto à eleição dos conselhos gerais, também tem muito que se lhe diga…fico por aqui!!!

  4. Faça-se uma análise aos números de conflitos e processos disciplinares gerados, quer com certos diretores, quer com certos presidentes de conselho executivo. É claro que depois de termos o conselho executivo eleito pelos professores e restantes funcionários, encarregados de educação e alunos, da forma que era feita, era muito mais democrática, mas para ser mais democrática ainda, devia ser possível a todo e qualquer docente pertencer a uma lista ou até presidi-la e assim candidatar-se à presidência do Conselho Executivo, ou chamem-lhe lá o que quiserem, sem que fosse necessário e obrigatório ter pertencido ao órgão de gestão, o que se torna uma injustiça também… Não deve ser por acaso que as pessoas têm medo e até medo de se manifestarem nas reuniões, ou são impedidas de o fazer. Diluição do poder de decisão, tiraria as peneiras a muita gente, bem como evitaria tiranias de alguns…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here