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Concorda Com Percentagens Estanques Na Avaliação?

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A avaliação sempre foi subjetiva, por muitas análises que se façam, a avaliação inclui uma percentagem elevada de subjetividade, onde diferentes perspetivas podem conduzir a diferentes classificações. Um post do professor Pedro Santos na rede social facebook, levantou uma questão muito pertinente e atual. Deve a avaliação ser flexível? Devem os critérios de avaliação apresentar percentagens estanques? Devem existir negativas?

Leiam a sua argumentação e os resultados da sondagem que o ComRegras realizou sobre este tema.


 

A escola inclusiva deve estar centrada no aluno, pelo que o modelo de avaliação também tem de estar centrado no aluno, nos seus progressos, sem nunca esquecer o professor que avalia.

Quer um, quer outro, trazem para a escola o que são, indivíduos com um passado cultural, social e económico.
Percentagens estanques de avaliação de itens não permitem ao aluno mostrar o que vale, mas sim o que queremos que ele valha, anulando-o ou conduzindo-o ao que ele, eventualmente, não é.
Flexibilizar o currículo é, portanto, flexibilizar, desde logo, a avaliação, e no centro da avaliação estão dois pilares fundamentais, o avaliado e o avaliador. Tendo por base que o aluno é que é avaliado, cabe ao avaliador (professor e escola) adaptar-se para conseguir apreciar o sucesso do aluno, pois ele tem sucesso no que consegue fazer.
Nesta perspetiva, haverá nível inferior a Suficiente na avaliação?

Pedro Santos

Fonte: Faceprof

Sondagem ComRegras

(realizada entre 4 e 6 de outubro aos leitores do ComRegras)

Foi com surpresa que verifiquei que a maioria dos nossos leitores não concorda com percentagens estanques na avaliação. Como todos sabemos, a componente cognitiva nos critérios de avaliação vale “x” e a sócioafetiva vale “y”, estão trancadas e não se misturam. Mas se a escola atual avalia o aluno como um todo, não estão elas dependentes uma das outras? Até que ponto se justifica 60,70,80% para aqui, 40,30,20% para ali… É um argumento válido e pertinente.

Porém, não me parece que a escola esteja preparada para colocar tudo no mesmo saco e deixar os professores avaliarem de uma forma livre. Ainda se encara muito o ensino/avaliação flexível como um processo facilitista. Provavelmente até existe alguma razão para encarar as coisas dessa forma, é que culturalmente os países do sul têm a fama de ter alunos mais preguiçosos, mais indisciplinados. Alterar os critérios de avaliação pode efetivamente premiar vícios em vez de virtudes, e aquilo que parece ser uma adaptação pode ser um cheque em branco à falta de conhecimento dos nossos alunos.

As milhares de reprovações que existem em Portugal são um problema efetivo, chumba-se demais, subscrevo, mas é preciso ter muito cuidado se ao tentarmos corrigir esse problema não criamos outro ainda maior – alunos que completam a escolaridade obrigatória sem os conhecimentos suficientes para as profissões do século XXI.

Alexandre Henriques

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11 COMENTÁRIOS

  1. Achei uma delícia o “… pois ele tem sucesso no que consegue fazer.”
    É desta convicção que nasce o “sucesso para todos”, isto é, ele sabe ou faz isto, logo tem sucesso, não sabe ou não faz aquilo, mas não interessa nada; tem sucesso na mesma.
    É porreiro.
    Viva o sucesso.
    Viva a avaliação a olho e à medida !

  2. Alexandre,

    Votei não sei porque não sabia a que é que se referia esta questão. Calhando, não tive tempo para pensar e/ou ler.

    Depois de ter compreendido a coisa, o meu voto vai engrossar a maioria.

    Finalmente, gostei de ler o que escreveu, especialmente “Porém, não me parece que a escola esteja preparada para colocar tudo no mesmo saco e deixar os professores avaliarem de uma forma livre. Ainda se encara muito o ensino/avaliação flexível como um processo facilitista”

  3. Os registos estruturados de avaliação são orientações para o professor, logo não são estanques, apesar de os valores surgirem fixos.

  4. Eu acho que a avaliação devia acabar… Era assim ó calhas… Afinal os docentes, e os discentes , são todos diferentes todos iguais.. e dar menos que Suficiente é uma bué de falha do professor e o conhecimento é bué de relativo… A maior parte da matéria é uma seca e nós queremos ser bué de felizes e muito à frente… Vivam as aulas bué da fixes e abaixo os professores que querem ensinar… Ninguém ensina ninguém … e saber é nada e estudar é maçada, como disse o outro cota de lacinho, que por acaso até lia prá caraças, mas era bué de avançado… A escola está preparada para essa flexibilidade e mais alguma e o avanço do aluno é que vale … Isso é que é bué de progressista e não formar cidadãos Educados e Cultos.
    Se batemos no fundo com algumas ideias atolambadas? Sim, batemos! Pagaremos caro tanta parvoíce e apelo à ignorância e ao desleixo intelectual?Já estamos a pagar… Basta olhar para o Mundo. A velha Europa está velha e podre e prepara-se, com o relativismo cultural, as causas fracturantes, e o dislate hedonista , de voltar alegremente ao fascismo!

  5. Uma das coisas que acho mais divertidas é das supostas profissões do futuro… Em que uns dizem que não sabem bem o que serão mas vão formar alunos para elas… E que dizem os gurus, todos economistas, claro, sobre o que deve ser o Homem do amanhã? O mais importante, para eles, é saber que o Homem Novo terá segurança zero no emprego e terá de ser muito flexível para estar sempre a mudar de emprego… Eu diria que isto é uma ” bosta” , mais uns quantos reaccionários , mas pelos vistos é bom!
    Outra previsão, esta feita por marxistas da velha guarda, é que o Capital e os meios de produção se vão concentrar cada vez mais e que as desigualdades sociais serão progressivamente maiores! Para isto, para não se ser consciência de que se é explorado, é necessário educar idiotas: Avante colaboradores do amanhã a escravidão é certa!

  6. Nunca se colocou a ideia de avaliar ao calhas. Mais, a avaliação flexível obriga a que o professor tenha de ter bem fundamentada a sua decisão e os motivos pelos quais assume os valores que assume. A avaliação estanque retira o ônus do professor centrando-o no aluno, quando o processo é conduzido pelo professor. O professor não é culpado do aluno não aprender, mas o aluno não é totalmente culpado de não aprender aquilo que naquele momento não conseguiu aprender. A escola deve dar mais que notas e classificações, deve procurar potenciar o que os alunos têm de melhor. Quem evolui não pode ser premiado com insucesso; o sucesso deve é ser relativo à fasquia colocada a esse aluno e não uma fasquia colocada de igual para todos. Um exemplo: um aluno de 1,60 m salta em altura 1,65m e outro com 1,80,m salta 1,75m. Quem deve ter melhor classificação?

      • ora aí está o busílis: surgem os exames que são instrumentos de classificação percentual pura…
        e surge a universidade que baseia a avaliação predominantemente na classificação quantitativa de exames…
        e surge o mercado laboral que avalia quantitativamente com percentagem a produtividade…
        portanto, fica a pergunta: a escola básica e secundária deve ou não deve preparar para a organização sócio-económica que funciona quotidianamente e que os jovens vão encontrar uns anos mais tarde?

  7. Sendo consensual a aceitação da subjetividade na avaliação, esta está presente na ADD, o que leva a consequências reais na vida de cada um…
    e que tal flexibilizar a ADD como se flexibiliza a avaliação curricular, já que ‘quotiza-se’ demais na carreira docente?…

    (P.S- a afirmação “chumba-se demais” carece de fundamento estatístico, já que na maioria dos agrupamentos que conheço, as metas de sucesso estão acima dos 95%. Também me parece que ‘chumbar’ não será o objetivo primordial do docente mas que só o faz em circunstâncias muito especificas.
    E já agora, se afinal a retenção é assim tanta e tão incomodativa, porque ainda não surgiu nenhum governo com ‘eles no sitio’ para publicar uma lei que contivesse um articulado que interditasse a retenção e estabelecesse a escala de 3 a 5 no básico e de 10 a 20 no secundário? É que na pratica a flexibilização e a inclusão a isso obriga de forma coercivamente encapotada, existindo cobardia para assumir explicitamente na lei…)

  8. Concordo com o Mário Silva. E, como todos terão direito a uma espécie de Sucesso Mínimo Garantido, teremos licenciados, ou mesmo doutorados, pois alarguemos esta bela moda pedagógica às universidades, altamente desqualificados… Isto importa? Claro que não! Para alguns a escola passará de uma Academia (termo derivado, supostamente, de um local onde Platão se reunia para discutir assuntos filosóficos), para uma instituição que, através de um embuste, qualifica indivíduos sem conhecimento relevante… É uma escolinha assistencialista, que não forma , mas que redime os males que estão a montante dela com uma patranha… Portanto, uma vigarice a que muitos chamam o esforço possível de cada um…

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