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Concorda com o acordo ortográfico?

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Enquanto o Parlamento não se decide, vamos dar a nossa opinião. 😉

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Acordo ortográfico. O “elefante” vai continuar sentado na sala

(Observador)

A imagem não é uma originalidade, mas foi a usada pelo deputado do PSD José Carlos Barros para se associar à preocupação do PCP que levou ao plenário um projecto de resolução — funciona como uma recomendação ao Governo — para desvincular Portugal do acordo ortográfico que tantas críticas tem suscitado. “O Governo vai continua a fazer de conta que não há nada para discutir quando está um elefante sentado no meio da sala?”, perguntou o social-democrata. O Parlamento vai deixar que assim seja, apesar de a maioria reconhecer o valor das 20 mil assinaturas da petição contra o acordo aprovado em 2011. O PCP não está sozinho nas críticas, e até conseguiria o apoio de PSD e CDS, mas os dois partidos vão deixar os comunistas sozinhos na hora da votação.

Estas posições definem-se assim porque o está a ser tratado num grupo de trabalho e PSD e CDS preferem aguardar pelas conclusões que, segundo o deputado social-democrata, deve estar pronto entre abril e maio. Só aí os partidos de direita admitem tomar uma posição, sendo que a desvinculação do acordo é difícil. Ao Observador José Carlos Barros diz que isso traria vários problemas sobretudo no ensino, onde as novas regras ortográficas estão a ser aplicadas há sete anos. Mas, no plenário, o deputado associou-se às dores comunistas.

A deputada do PCP Ana Mesquita sublinhou a inexistência de um acordo “commumente aceite e ratificado pelos países de língua portuguesa”.

O PSD apoiou, apontando “os problemas que o acordo traz para a estabilidade ortográfica”, mas ao Observador José Carlos Barros explicou que esta quinta-feira (dia de votações esta semana) o PSD não aprovará o projecto comunista, até porque aguarda o que sairá do grupo de trabalho. O mesmo foi dito pelo líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães que, no debate, afirmou existir “um conjunto de incertezas e impreparação que traz grandes implicações para a língua portuguesa e também nas relações externas de Portugal”. Deu depois uma justificação semelhante à do PSD: “O CDS defendeu criação de um grupo de trabalho, cujos trabalhos ainda estão a decorrer e vai que fazer ponto e situação do acordo ortográfico. Aguardamos que o relatório final, de onde esperam poder “retirar conclusões de um acordo que parece um desacordo”.

Ainda que o projeto do PCP não tenha condições para ser aprovado, só o PS e Bloco de Esquerda o recusaram de forma clara. Diogo Leão, do PS, acredita que “os princípios que levaram aos estabelecimento do acordo continuam a ser relevantes para o PS”. E Jorge Campos, do BE, diz que o partido “não se revê no argumentário” comunistae “muito menos da pretensão de desvinculação do acordo”.

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26 COMENTÁRIOS

  1. Como é possível implementar o acordo ortográfico, se nem todos os atores da escrita o respeitam? Mas os alunos são penalizados se não o respeitarem…Como é que os nossos alunos e a população em geral, o pode apreender?

    • O Sr Lourenço devia esclarecer (e esclarecer-se) quanto à sua posição no que ao AO concerne… Afinal é contra (o que, a mim, me parece absolutamente louvável – eu também sou) mas escreve “atores” em vez de “actores”.

      • Sr ou Sra Anónimo(a), pois eu entendo que o acordo devia ser corrigido. Não sou de modo algum especialista na matéria, mas escrevi ator, de propósito! Na verdade, se o acordo está em vigor por força de lei, todos o deveriam respeitar. Aliás, pelas razões que apontei, tenho cada vez mais dificuldade em expressar-me de forma escrita. Ora são os erros que frequentemente surgem nas notícias em rodapé nos canais televisivos, ou os critérios de escrita.

          • O Sr JC ou Anónimo, que prontamente me lembrou que escrevi “atores”, em vez de “actores” e que quis saber ser eu a favor ou contra o acordo, qual “fanático clubista”, me possa informar afinal , o que é “o acordo aprovado na Assembleia em 2011”?

          • Na instituição Escola, é-o. Para os professores, para os alunos e para tudo que implique comunicação escrita, é obrigatório! Devolvo-lhe a dica JC. Informe-se!

        • “Na verdade, se o acordo está em vigor por força de lei, todos o deveriam respeitar. ”

          O acordo não só não está em vigor como não tem força de Lei. Na verdade a única ortografia com força de Lei é a normal, anterior ao Acordo. A imposição do acordo é feita pela coacção do Estado e nada mais. Um pai de um aluno que vá para tribunal com a escola por penalizar o aluno que escreva sem acordo, ganha a acção judicial.

          • Tudo bem. Mas o ponto principal neste “blogue”, que trata de temas educativos, é mesmo esse: se nas nossas escolas o atual acordo está a ser aplicado há sete anos, um aluno que esteja no 7º ano escreverá na nova ortografia, não conhecerá outra! Aliás, atualmente, pelo menos no exame nacional da disciplina de Português do 12º ano, são considerados erros e sujeito a descontos na classificação, os erros gramaticais tendo em conta o acordo. Corrijam-me os docentes de Português, se estou errado. Creio que neste momento, o problema ultrapassa o nível individual – escola e (ou) docentes e se coloca a nível ministerial.

          • Simplesmente o aluno pede a revisão do exame da disciplina efectuada. Nessa ocasião estará presente. Caso se prove que no exame lhe foi sonegado na classificação os erros gramaticais (que não são à luz da lei) , a escola é obrigada a repor todo o prejuízo causado ao aluno. Se a teimosia continuar por parte da escola, o aluno solicitará ao tribunal nos termos da lei a reposição dos pontos sonegados. (capichi…)

    • … escreviam como o Sr(a) anónimo(a): custa me; creer; tao. Ah! e pq nas mensagens.
      Outros lá iam fazendo o AO, antes do tempo: ação; direção; simplificação da acentuação (e aqui temos um problema com o para e o pára, uma vez que este último tempo verbal do verbo parar, perdeu o acento – não faz sentido!).
      Note, parece que não, mas defendo que este AO necessita de ajustamentos, como exemplifiquei anteriormente e outros haverá.

  2. 1º – O AO90 não está em vigor em Portugal, nem em nenhum outro país lusófono.
    2º – O AO90 é uma fraude.
    3º – O AO90 é ilegal e inconstitucional.
    4º – O AO90 pretende impingir a ortografia brasileira aos restantes países lusófonos.
    5º – O AO90 está assente na mais profunda ignorância da Língua Portuguesa.
    6º – Quem adopta o AO90 encaixa-se numa destas categorias: ou é ignorante; ou subserviente; ou comodista; ou acomodado; ou desinformado.
    7º – Não existe lei alguma, em Portugal, que obrigue à aplicação do AO90, e penalizar quem não o aplica é crime.

      • Bem, mas para quem escreve “adjetivação” (lê-se adj’tivação) tem de se encaixar numa delas, Lourenço. tenha paciência!
        Na ortografia portuguesa, a que está em vigor, a legal e constitucional, escreve-se adjeCtivação. Logo, terá forçosamente de se encaixar num daqueles adjeCtivozinhos…

        • Pode ter toda a razão do mundo, mas não gosto de dogmáticos, do tipo “sei tudo e raramente me engano” e do alto da minha sabedoria posso chamar ignorante, etc, aos que têm outra opinião.
          Como docente, como bem escreveu atrás Ana Monteiro, na escola portuguesa este malfadado Acordo, é o que vigora. Então: adjetivo, adjetivar, adjetivação.

  3. Sr Lourenço
    Se houver algum aluno, seja de que ano escolar for, escrever correctamente o Português conforme determina o Decreto Lei de 1945 em vigor, e que seja penalizado por isso, fique ciente que o aluno ou os pais dele podem processar a instituição (escola) em tribunal e tenho toda a certeza que o aluno ganhará o processo ! A tal famigerada resolução do conselho de ministros (rcm) (assim em letra pequena) não passa de um simples despacho normativo e nada mais. OK ? Estamos conversados?

    • Sr Mata,
      Em exames nacionais, quando há pedido de cópia da prova e posterior pedido de recurso hierárquico para revisão da classificação, a escola apenas elabora o processo e envia para o Júri Nacional de Exames. A escola, em termos individuais, não tem qualquer poder de decisão!

      • Corrijo: em exames nacionais e em provas elaboradas na escola. Só que neste último caso, a escola envia para além da prova do aluno e do enunciado, a matriz e os critérios de classificação.

        • Sr. Lourenço
          Não vou andar por aqui a dizer o que é que vocês na Escola fazem ou deixarão de fazer, quanto à revisão de provas?. O que sei é que, se o aluno ou os pais deste solicitarem através dos meios adequados à justiça dos tribunais depois de averiguada a queixa produzida, a Escola terá de obedecer escrupulosamente ao que for determinado pelo Tribunal!
          Simplesmente o aluno pede a revisão do exame da disciplina efectuada. Nessa ocasião estará presente ele ou representante dele e a respectiva autoridade competente. Caso se prove que no exame lhe foi sonegado à classificação os erros gramaticais (que o não são à luz da lei) , a escola é obrigada a repor todo o prejuízo causado ao aluno dos pontos sonegados.

          • Sr Mata
            Já lhe expliquei que a escola, não tem nada a ver com as classificações de exames! O Sr insiste; olhe problema seu…

  4. Acho espantoso que se defenda o AO com argumentos como “tem força de lei”, quando se trata de um “acordo internacional” (começa logo por aí a aberração – mais nenhuma comunidade linguística fez ou pensa fazer acordos internacionais sobre a língua) e os “acordos internacvionais só entram em vigor depois de ratificados e aplicados por todos os países signatários. Acontece que o AO não foi ratificado por todos os países signatários (nem se sabe se/quando o será) e não está a ser aplicado em mais lado nenhuma a não ser em Portugal e no Brasil (e no Brasil está a ser aplicado porque as alterações lá se resumem aà supressão do trema).

    Em contrapartida, Portugal, o brço da língua, abstardou completamente a sua ortografia para, supostamente, a “unificar” (desiderato que não foi nem poderia ser alcançado, como já foi demonstrado). na prática, foi para fazer o frete ao Brasil, e passar a escrever como os brasileiros. Na “onda” acabou por ser “mais paista que o papa” e a escrever palavras como “receção”, conceção” e “exceção” que até aos brasileiros parecem aberrantes (porque eles prionunciam os “p” nessas palavras.

    Onde comprova que tentar fazer a ortografia seguir a oralidade é estúpido e impraticável, e na prática obrigaria a ter uma ortografia “por região”, já que a pronúncia oscila e varia de região para região.

    Por exemplo, há lisboetas que pronunciam “expetativa”, e “espetador”, e embora eu não oiça essas palavras pronunciadas assim na maior parte do país, ficou consagrada no acordo a dupla ortografia (outra aberração) para essas palavras. Como no Norte dizemos “binho”, “bida”, “bizinho”, “baca”, etc., acho que também deveria ter ficado consagrada no AO a dupla ortografia para essa palavras.

    Outra variante. Eu, que sou da região de Aveiro, pronuncio “espelho”, “coelho”, “joelho”, etc. As minhas filhas, que nasceram no Porto, pronunciam “coâlho”, “joâlho” e “espâlho”. Que tal adicionarmos também essa dupla ortografia? E por aí fora.
    Assim como assim, instituionalizava-se em definitivo a bagunça.

  5. O aluno que está na escola à sete anos não “escreve segundo o Acordo”, pela simples razão de que ninguém, para além de alguns dos aluados (estou convicto que, mesmo entre os pais dos monstros, só o Malaca, que é o exemplo acabado do erudito inculto, com memória de elefante, seria capaz de fazer um exame de ortografia com AO sem erros – mas não jurava…) O resto do pessoal escreve mal, como verificamos em tudo o lemos diariamente, em jornais, revistas, leis publicadas no DR e tudo o mais que se queira. A quase totalidade dos estudantes nunca saberão aplicar todas as normas do AO. Nem os mais inteligentes e sabedores, porque o AO não resulta de um pensamento inteligente e sabedor. Vamos, simplesmente, regressar aos tempos antigos, em que cada um escrevia como lhe parecia melhor.

    • Parabéns, sr Paulo Rato. Sintetizou com eficácia o estado em que se encontra a aplicação dessa ignomínia chamada AO. Ninguém o sabe usar, porque não tem por trás um pensamento lógico, racional. Falta-lhe, além de sensibilidade pela nossa cara língua materna, INTELIGÊNCIA.

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