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Como ter menos indisciplina na sala de aula?

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Lá vem este com estas tretas românticas da empatia e o blá blá blá da mediação e coaching à distância. Eu estou lá para ensinar, não para fazer amigos ou qualquer tipo de terapia de grupo…

É uma forma de encarar as coisas, discordo, mas respeito. E num puro ato de egoísmo e até de indiferença, só posso pensar que quem pensa assim que se aguente, não sou eu que estou nessa sala de aula…

Acredito piamente que a empatia é o maior aliado do professor. Não é fácil, por vezes vemos e ouvimos certas coisas que só apetece mandar o aluno pela janela fora, desculpem o exagero da expressão.

Ainda na semana passada, tinha umas “criaturas” que parecia que estavam sobre o efeito de qualquer coisa, se calhar até estavam… Era subir espaldares, saltos loucos para os colchões, risadas constantes, provocações entre colegas e eu ali a ver se conseguia explicar alguma coisa. O problema é que ninguém me conhecia, não tinha qualquer tipo de relação com os miúdos e o “está quieto”, “ouve”, “cala-te” não resultavam pois não era visto como alguém com “legitimidade” para mandar calar quem quer que fosse. O professor hoje em dia não é por si só uma autoridade, é obrigado a conquistá-la e as causas para este descalabro, são sociais e já têm décadas…

Até podia ter colocado 5 ou 6 alunos na rua, podia, e no futuro se as coisas não mudarem assim farei, mas o meu objetivo nestas primeiras aulas é apenas um. Criar empatia com os alunos. Não para ser o professor “fixola” ou o “choca aí meu”, mas para criar qualquer tipo de relação que me permita ser visto não como o inimigo, mas como alguém que está ali para ajudar e naturalmente ensinar. É que para turmas como CEFs ou PIEFs, é muitas vezes mais importante o saber estar do que o saber fazer…

Irei apostar em diálogos individuais, separar o líder do grupo e torná-lo meu aliado, mostrar firmeza, mas tolerância para personalidades que foram “danificadas” pelas vicissitudes da vida. Acima de tudo irei mostrar imparcialidade, coerência e real preocupação pela pessoa que está por detrás do aluno.

Com o tempo, serei visto como um farol e respeitado como tal. Estou de alguma forma a manipular os alunos, mas ser professor é também isto, fazer e dizer o que precisa para que os alunos se tornem alunos e o professor possa exercer a sua função, a tão falada inteligência emocional…

Não descobri a pólvora, nem sou mais que ninguém, digo sempre que sou um mero professor como outros tantos que estão ao meu lado por esse país fora. Mas se me permitem e de coração aberto, e já que tenho a oportunidade de chegar a uns quantos, sejam empáticos, utilizem o humor, ouçam os alunos, “percam” um pouco de tempo com eles e irão ganhar muito do vosso tempo e seguramente um ano menos complicado.

Vejo por aí tanto professor revoltado, chateado, desmotivado, que só posso imaginar o que serão algumas salas de aula.

Se não resultar, não é vergonha nenhuma pedir ajuda…

Alexandre Henriques

Um estudo publicado em maio sugere que mostrar empatia pode ser uma melhor abordagem para a disciplina estudantil.

Grupos de professores do ensino médio receberam treinamento sobre as prováveis causas que explicam o comportamento inadequado de alguns alunos (muitas vezes os motivos são estressores fora da escola) e como poderiam responder de forma empática, em vez de punir. As ações podem ser tão simples como perguntar aos alunos: “O que está acontecendo com você agora?” e depois ouvir atentamente suas respostas.

O grupo de professores que receberam treinamento em empatia foram comparados com outro grupo de professores que receberam treinamento sobre o uso de tecnologia para melhorar a aprendizagem, e viu-se que com o treino da empatia os alunos tiveram a menor probabilidade de serem suspensos, independentemente da raça, gênero ou de suspensões anteriores.

Esses resultados são congruentes com os de uma pesquisa anterior que mostrava os benefícios da empatia do professor em melhorar a aprendizagem dos alunos, ao mesmo tempo em que reduzia o desgaste dos professores.

Desenvolver empatia nos professores ajuda a evitar suspensões na sala de aula

(Oficina de Psicologia)

4 COMENTÁRIOS

  1. Da idisciplina…

    …”É também essa ineficácia que a subcomissária da 1ª Divisão da PSP, Aurora Dantier, de 52 anos, admite testemunhar nas operações que faz durante a noite no Bairro Alto e em Santos, exatamente nos bares ao pé da Praceta D. Carlos I. Por estas zonas encontra regularmente cenas degradantes: menores a caírem de bêbados e a vomitarem, alguns em coma alcoólico; taxistas que não sabem o que fazer a adolescentes embriagadas que não conseguem explicar onde vivem. E, por vezes, chegou a ficar estupefacta quando lhe apareceram pais, a quem ela telefonou para irem buscar os filhos, completamente embriagados.”
    Do extraordinário artigo do jornal Expresso ”Adolescentes alcoólicos”
    À ideia de que tudo é possível; perante meninos criados ”sem rei nem roque” , perante pais irresponsáveis que deixam crianças sair à noite e beber até cair; a Escola ; O Conhecimento não é, de facto, a prioridade…
    Sim, a escola não é motivante, para uma geração que cresce num niilismo absoluto. A escola motivadora, para quem é educada deste modo, há-de ser sempre em rede! Uma grande seca!
    Desgraçados dos professores que têm de aturar tais meninos, tais pais, e tal Ministério!

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